Você sabia que Mariana, a primeira capital do nosso estado abriga duas catedrais seculares construídas exatamente frente a frente?

Duas torres seculares dividem a mesma praça e contam, lado a lado, a história do primeiro núcleo urbano de Minas Gerais

Escrito por:
Igor Souza

Publicado em:
28/07/2026

Poucas praças no Brasil reúnem duas igrejas seculares erguidas de frente uma para a outra, e Mariana guarda justamente essa raridade em seu centro histórico. A cidade foi a primeira capital de Minas Gerais, ainda no início do século XVIII, e até hoje concentra parte importante da memória colonial do estado. As chamadas Igrejas Gêmeas, a Basílica da Sé e a Igreja de Nossa Senhora do Carmo, sintetizam essa história em pedra, talha e sino.

Por que Mariana é chamada de cidade matriz de Minas Gerais?

Fundada em 1696 como arraial de Nossa Senhora do Ribeirão do Carmo, a cidade acumulou uma sequência de pioneirismos que nenhuma outra localidade mineira reúne. Foi sede da Capitania de São Paulo e das Minas do Ouro, recebeu a primeira vila com câmara própria e, mais tarde, se tornou a primeira cidade e o primeiro bispado da região.

Esse conjunto de títulos explica por que Mariana costuma ser chamada de cidade matriz de Minas. Antes de organizar a visita, vale conhecer alguns marcos dessa trajetória:

  • Primeira vila da capitania, em 1711;

  • Primeira cidade e primeiro bispado, em 1745;

  • Sede da capitania desde 1709;

  • Tombada como Monumento Nacional em 1945.

As igrejas gêmeas dividem quase 300 anos de história

A Basílica da Sé, dedicada a Nossa Senhora da Assunção, começou a ser construída ainda no início do século XVIII e reúne alguns dos elementos mais valiosos do barroco mineiro. Do outro lado da praça está a Igreja de Nossa Senhora do Carmo, erguida décadas depois, já na segunda metade do mesmo século.

A proximidade entre as duas construções não é acidental: reflete o desenho urbano planejado da cidade, pensado para organizar igrejas, praças e prédios civis em torno de eixos visuais. O resultado é um cenário raro, em que as duas torres dividem o mesmo horizonte há quase três séculos.

O que torna a Catedral da Sé tão especial?

Dentro da Basílica da Sé está um dos tesouros musicais mais importantes do Brasil colonial, o órgão de tubos construído por Arp Schnitger na Alemanha, no início do século XVIII, e doado por Dom João V. É considerado o único exemplar do fabricante que ainda existe fora da Europa.

Além do órgão, a igreja guarda um painel de altar-mor atribuído ao pintor italiano Lucas Jordane e detalhes internos ligados a Aleijadinho, o que a coloca entre os templos mais ricos do período colonial mineiro. O instrumento ainda é tocado em cerimônias e apresentações abertas ao público.

Igrejas históricas barrocas e pelourinho colonial na Praça Minas Gerais, em Mariana
Igrejas históricas barrocas e pelourinho colonial na Praça Minas Gerais, em Mariana

Igrejas históricas barrocas e pelourinho colonial na Praça Minas Gerais, em Mariana - Foto: Igor Souza

Igreja de São Francisco de Assis vista pela janela de um casarão histórico em Mariana
Igreja de São Francisco de Assis vista pela janela de um casarão histórico em Mariana

Igreja de São Francisco de Assis vista pela janela de um casarão histórico em Mariana - Foto: Igor Souza

Por que a Igreja do Carmo completa esse conjunto único?

Construída a partir de 1784, a Igreja de Nossa Senhora do Carmo se diferencia das demais igrejas da cidade pela fachada com florões e torres cilíndricas, características que marcam sua identidade dentro do conjunto histórico. Sua proximidade com a Sé reforça a sensação de simetria que domina o centro de Mariana.

A igreja passou por um episódio marcante em 1999, quando um incêndio destruiu os elementos de madeira da nave principal. Mesmo assim, a estrutura permanece como parte fundamental do conjunto arquitetônico que define a paisagem da praça.

O entorno das igrejas guarda mais tesouros históricos

Ao redor das Igrejas Gêmeas, o centro histórico de Mariana concentra outros marcos que ajudam a entender a organização da antiga capital colonial. A Rua Direita, considerada uma das mais bonitas de Minas Gerais, liga diferentes pontos do núcleo histórico e é margeada por casarões dos séculos XVIII e XIX.

Vale reservar um tempo para caminhar com calma por essa região e observar os detalhes de cada construção:

  • Praça Cláudio Manoel, antiga Praça da Sé;

  • Casa de Câmara e Cadeia, de 1762;

  • Pelourinho restaurado, símbolo do poder civil colonial;

  • Casarões da Rua Direita, com sacadas em pedra-sabão.

+ Leia também: O cenário que você precisa visitar pelo menos uma vez na vida

Vale explorar Mariana além do centro histórico?

Sim, principalmente para quem tem mais de um dia disponível. A cidade abriga a Mina da Passagem, considerada a maior mina de ouro aberta à visitação do mundo, com descida em vagonete até galerias subterrâneas que revelam um lago natural.

Mariana também é formada por nove distritos, cada um com atrativos próprios de natureza e história. Para quem quer ampliar o roteiro, alguns pontos merecem estar no radar:

  • Mina da Passagem, com trilha subterrânea guiada;

  • Distrito de Furquim, com paisagens rurais;

  • Distrito de Camargos, próximo a trilhas naturais;

  • Cachoeira do Brumado, opção de banho na região.

Igor Souza

Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.

Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare
Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare

Posts que você pode gostar

Todos os Direitos Reservados © 2024

Contato e parcerias: olharesporminasoficial@gmail.com