Viagem no tempo: entre na maior mina de ouro do mundo e desvende os segredos da 1ª capital de Minas

Uma cidade histórica guarda túneis de ouro, igrejas antigas, música sacra rara e um passado decisivo para entender Minas Gerais

Escrito por:
Igor Souza

Publicado em:
16/06/2026

Mariana não é apenas uma vizinha famosa de Ouro Preto. A cidade carrega títulos que explicam seu peso na história mineira: foi primeira vila, primeiro bispado e primeira capital de Minas Gerais, segundo a página oficial do turismo do estado. A poucos quilômetros do centro, a Mina da Passagem reforça essa viagem no tempo ao permitir a entrada em galerias subterrâneas ligadas à exploração do ouro.

Por que a Mina da Passagem impressiona tanto?

A Mina da Passagem, localizada no distrito de Passagem de Mariana, é apresentada por sua própria administração como a maior mina de ouro aberta à visitação do mundo. A descida acontece em um carrinho sobre trilhos, chamado de trole, em um percurso de cerca de 315 metros que chega a aproximadamente 120 metros de profundidade.

Lá embaixo, o visitante encontra galerias, marcas da mineração e um lago formado após a interrupção do bombeamento das águas subterrâneas. Para entender por que esse passeio se tornou uma das experiências mais fortes de Mariana, alguns pontos ajudam a organizar a visita:

  • descida por trilhos em direção às galerias;

  • percurso subterrâneo de cerca de 315 metros;

  • profundidade aproximada de 120 metros;

  • lago de águas claras no interior da mina;

  • contato direto com a história da exploração aurífera.

O que Mariana revela sobre o começo de Minas Gerais?

Mariana tem uma importância que vai além da beleza de suas ruas antigas. O portal Minas 300 Anos informa que a cidade foi chamada inicialmente de Ribeirão do Carmo e recebeu o nome de Mariana em 1745, em homenagem a D. Maria Ana de Áustria, esposa do rei D. João V.

Esse dado ajuda a mostrar que o destino não deve ser visto apenas como cenário histórico. Mariana participou diretamente da formação política, religiosa e econômica de Minas, sendo reconhecida como uma das principais cidades do Circuito do Ouro e integrante da Estrada Real.

A cidade guarda mais do que igrejas bonitas?

Sim. O centro histórico de Mariana reúne um conjunto arquitetônico ligado ao período colonial, mas sua força não está apenas nas fachadas. A página oficial de turismo de Minas Gerais destaca que a cidade foi a primeira e única do período colonial mineiro com traçado urbano projetado, o que reforça sua importância no planejamento das primeiras cidades da região.

Na prática, caminhar por Mariana é perceber como religião, poder público, mineração e vida urbana se organizaram em um mesmo território. Entre os pontos mais procurados, alguns ajudam a formar uma leitura mais completa da cidade:

  • Praça Minas Gerais;

  • Igreja de São Francisco de Assis;

  • Igreja de Nossa Senhora do Carmo;

  • Casa de Câmara e Cadeia;

  • Catedral Basílica da Sé;

  • ruas e largos do centro histórico.

Igrejas históricas na Praça Minas Gerais em Mariana, com pelourinho ao centro e céu azul ao fundo
Igrejas históricas na Praça Minas Gerais em Mariana, com pelourinho ao centro e céu azul ao fundo

Igrejas históricas na Praça Minas Gerais em Mariana, com pelourinho ao centro e céu azul ao fundo - Foto: Igor Souza

Interior da Igreja Matriz de Mariana, em Minas Gerais, com altares dourados, púlpitos e detalhes
Interior da Igreja Matriz de Mariana, em Minas Gerais, com altares dourados, púlpitos e detalhes

Interior da Igreja Matriz de Mariana, em Minas Gerais, com altares dourados, púlpitos e detalhes barrocos - Foto: Igor Souza

A Catedral da Sé guarda uma raridade musical

A Catedral Basílica da Sé é um dos espaços mais importantes de Mariana, não apenas pela arquitetura e pela vida religiosa. Ela abriga o órgão Arp Schnitger, instalado em 1753, cuja história está ligada à intensa atividade musical da Sé e ao acervo de partituras do Museu da Música de Mariana.

Esse instrumento torna a visita ainda mais especial porque aproxima o turista de uma dimensão menos óbvia do patrimônio mineiro: a música sacra. Para quem deseja ir além das igrejas como construção, vale prestar atenção a elementos que ajudam a contar essa história:

  • órgão Arp Schnitger da Sé;

  • tradição musical ligada à catedral;

  • acervo do Museu da Música;

  • importância religiosa de Mariana;

  • ligação com compositores do período colonial.

Como montar um roteiro sem correr pela cidade?

O ideal é combinar a Mina da Passagem com o centro histórico, sem tentar transformar tudo em uma visita apressada. A experiência subterrânea mostra a força econômica do ouro, enquanto o centro revela como essa riqueza ajudou a moldar igrejas, praças, instituições e a própria identidade da primeira capital de Minas.

Para aproveitar melhor, vale separar tempo para circular a pé e observar a cidade com calma. Mariana funciona bem quando o visitante entende que cada parada tem uma camada diferente de história:

  • começar pela Mina da Passagem;

  • seguir para a Praça Minas Gerais;

  • visitar a Catedral Basílica da Sé;

  • observar o conjunto das igrejas históricas;

  • incluir o Museu da Música no roteiro, quando possível;

  • deixar tempo livre para caminhar pelo centro.

+ Leia também: O cenário que você precisa visitar pelo menos uma vez na vida

Vale visitar Mariana para entender Minas?

Vale muito, especialmente para quem quer compreender Minas Gerais para além dos cartões-postais mais repetidos. Mariana reúne mineração, fé, música, urbanismo e memória política em um mesmo destino, com uma densidade histórica difícil de encontrar em roteiros rápidos.

A viagem fica ainda mais interessante quando a Mina da Passagem entra como porta de entrada para esse passado. Descer às galerias e depois caminhar pela primeira capital de Minas cria uma conexão direta entre o ouro retirado da terra e a cidade que cresceu a partir dele.

Igor Souza

Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.

Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare
Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare

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