Varginha virou cidade do ET em 20 de janeiro de 1996 e hoje tem o caso registrado como patrimônio imaterial do município

Um terreno baldio, um inquérito militar e uma caixa d’água em forma de disco voador: o roteiro pela cidade que transformou um mistério em parte da sua história

Escrito por:
Igor Souza

Publicado em:
28/10/2026

Uma tarde de sábado, um terreno baldio e três jovens. Foi assim que começou, em 20 de janeiro de 1996, o caso do ET de Varginha, que levou uma cidade do sul de Minas para jornais do mundo inteiro. Décadas depois, a história deixou de ser só mistério e entrou oficialmente na memória do município.

O que as três jovens disseram ter visto em 1996?

O episódio aconteceu num terreno vazio do bairro Jardim Andere. Kátia Andrade Xavier, Valquíria Silva de Fátima e Liliane Santana contaram ter visto ali uma criatura pequena e estranha, diferente de qualquer animal que conheciam, e o relato se espalhou pela cidade rapidamente.

Nos dias seguintes, surgiram novos relatos, boatos sobre movimentação militar e histórias de seres capturados. Mas a descrição feita pelas jovens virou a base de tudo o que se conta até hoje sobre o caso, com quatro características principais:

  • Corpo pequeno, com pele marrom e aparência oleosa.

  • Olhos grandes e avermelhados.

  • Três saliências na cabeça, parecidas com chifres.

  • Um cheiro forte, que chamou atenção das testemunhas.

O caso ganhou o mundo em poucas semanas

A repercussão foi imediata. Em 4 de fevereiro de 1996, o Fantástico, da TV Globo, exibiu uma reportagem especial, e Varginha passou a receber jornalistas, curiosos e estudiosos de discos voadores do país e do exterior:

  • Um dos maiores jornais dos Estados Unidos apelidou a criatura de “extraterrestre fedorento”.

  • Capas de revistas nacionais transformaram o caso em assunto de conversa no Brasil inteiro.

  • Em 2022, o documentarista americano James Fox lançou um filme sobre o episódio.

O interesse atravessou gerações. Em janeiro de 2026, nos 30 anos do caso, a Globo estreou a série documental O Mistério de Varginha, e o Superior Tribunal Militar divulgou dados do inquérito aberto na época.

O que a investigação oficial concluiu?

Em março de 1997, a Escola de Sargentos das Armas, que funciona na vizinha Três Corações, abriu um Inquérito Policial Militar para apurar a suposta participação do Exército. A conclusão foi de que nenhum militar esteve envolvido em operação ligada à criatura, e de que as jovens podem ter confundido a cena.

A explicação oficial aponta que elas teriam visto um homem com transtornos mentais conhecido na cidade. Pesquisadores locais lembram, por outro lado, que a movimentação de hospitais e de militares naqueles dias foi documentada. Sem consenso definitivo, o caso segue dividindo opiniões entre quem acredita e quem duvida.

Ilustração de mesa com jornais antigos, pasta de documentos, lupa e disco voador de brinquedo
Ilustração de mesa com jornais antigos, pasta de documentos, lupa e disco voador de brinquedo

Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial para representar o material reunido sobre o caso

Ilustração de terreno baldio ao entardecer com brilho misterioso atrás de um muro
Ilustração de terreno baldio ao entardecer com brilho misterioso atrás de um muro

Reconstituição artística criada por inteligência artificial; cena imaginada, que não retrata o terreno real do caso - Foto: Igor Souza

O que o visitante encontra além da comida?

A programação musical dá outro peso ao Inverno Mágico de Milho Verde. Entre os nomes divulgados aparecem João Ramalho, Luana Camarah e outras atrações ligadas à proposta do evento, que acontece em duas noites de inverno.

Fora da agenda, o distrito também permite incluir passeios leves, desde que o visitante respeite o tempo e as condições locais. Para montar um roteiro sem exagero, vale combinar o evento com paradas simples:

  • Capela de Nossa Senhora do Rosário;

  • Cachoeira do Moinho;

  • Cachoeira do Carijó;

  • caminhada pelo centro do distrito;

  • visita ao Serro em outro momento da viagem.

Como planejar a viagem sem perder o ritmo do distrito?

O primeiro cuidado é entender que Milho Verde não funciona como uma cidade grande. A estrutura é menor, os deslocamentos pedem mais calma e, em período de evento, hospedagens e restaurantes podem receber mais procura.

Por isso, o ideal é reservar com antecedência e acompanhar os canais oficiais do Inverno Mágico. Horários, atrações e participantes podem ser atualizados até a data, então planejamento simples evita desencontros:

  • reservar hospedagem antes;

  • confirmar restaurantes participantes;

  • verificar horários das apresentações;

  • levar casaco para a noite;

  • usar calçado confortável para ruas irregulares.

+ Leia também: O cenário que você precisa visitar pelo menos uma vez na vida

O evento reforça a força do Serro no inverno

O Inverno Mágico de Milho Verde também ajuda a mostrar o Serro além do queijo e do centro histórico. O distrito entra na rota como um ponto de encontro entre gastronomia, natureza e cultura local, ampliando a presença da região no calendário de inverno.

Para quem gosta de viagem curta, comida mineira e vilarejos com identidade própria, o evento cria uma boa oportunidade. A melhor experiência está em ir com tempo, comer sem pressa e deixar o distrito conduzir o ritmo da viagem.

Igor Souza

Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.

Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare
Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare

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