Uma serra em Mateus Leme se chama Serra do Elefante e é protegida desde 2008

Uma formação que lembra um elefante deitado reúne trilhas, nascentes, memória da mineração e uma proteção ambiental criada há quase duas décadas

Escrito por:
Igor Souza

Publicado em:
05/08/2026

Vista da Serra do Elefante coberta por mata e antenas no topo em Mateus Leme MG
Vista da Serra do Elefante coberta por mata e antenas no topo em Mateus Leme MG

Vista da Serra do Elefante coberta por mata e antenas no topo em Mateus Leme MG - Foto: Igor Souza

Quem observa as montanhas de Mateus Leme a partir de determinados pontos encontra um desenho incomum no relevo: uma delas lembra um elefante deitado. A semelhança deu nome à Serra do Elefante, formação ligada à origem do município, ao turismo de natureza e a uma unidade de conservação criada em dezembro de 2008.

Por que ela recebeu o nome de Serra do Elefante?

O nome vem do formato percebido quando a serra é vista de longe. O conjunto de elevações lembra o corpo, a cabeça e a tromba de um elefante deitado, imagem que se tornou uma referência na paisagem de Mateus Leme.

A formação também é conhecida como Morro de Santo Antônio e já recebeu outros nomes ao longo do tempo. Essas denominações mostram sua presença na memória local e em diferentes fases da ocupação da região. Os nomes registrados incluem:

  • Serra do Elefante;

  • Morro de Santo Antônio;

  • Morro de Mateus Leme;

  • Serra de Santa Cruz.

O que mudou com a proteção criada em 2008?

Em dezembro de 2008, um decreto municipal criou o Monumento Natural Serra do Elefante. A medida reconheceu oficialmente o valor ambiental, paisagístico, histórico e arqueológico de uma porção da serra situada no território de Mateus Leme.

Documentos posteriores apontam uma área próxima de 800 hectares para a unidade, além de uma zona de amortecimento no entorno. Essa faixa é importante porque atividades vizinhas também podem afetar o solo, a água e a vegetação protegida. A criação buscou conservar:

  • o relevo da serra;

  • as áreas de vegetação;

  • os cursos d’água e as nascentes.

O que existe na Serra do Elefante?

A serra fica a cerca de 5 quilômetros da sede municipal e alcança 1.298 metros em seu ponto mais alto. O local reúne trilhas, mirantes, nascentes, cachoeiras e áreas que abrigam espécies da fauna e da flora.

No alto existe uma capela dedicada a Nossa Senhora Aparecida, construída na década de 1980. A área também recebe caminhadas, corridas, bicicletas e uma procissão anual realizada em outubro. Entre os elementos encontrados estão:

  • trilhas;

  • mirantes naturais;

  • nascentes;

  • cachoeiras;

  • a capela no alto.

A paisagem vai além do formato de um animal

A semelhança com um elefante chama atenção primeiro, mas não resume a importância da formação. A área está relacionada ao sul do Cráton do São Francisco e à porção noroeste do Quadrilátero Ferrífero, região conhecida por estruturas geológicas antigas.

Essa posição ajuda a entender a presença de minerais e a ocupação ligada à procura por ouro. A Serra do Elefante reúne, no mesmo território, relevo, recursos hídricos, vegetação e registros deixados por diferentes formas de exploração e circulação humana.

Como a serra se liga à história de Mateus Leme?

Registros sobre o povoamento local associam a área da serra à ocupação iniciada no século XVIII. A procura por metais preciosos levou à exploração de ouro de aluvião, retirado de cascalhos e sedimentos encontrados nos cursos d’água.

Estruturas arqueológicas ainda ajudam a contar esse passado. Galerias, muros de pedra, canais e cortes no terreno indicam técnicas empregadas na mineração em diferentes momentos. Entre os vestígios mencionados estão:

  • canais para conduzir água;

  • muros feitos de pedra;

  • galerias abertas no terreno;

  • áreas de lavagem de cascalho;

  • cortes ligados à mineração de morro;

  • caminhos usados na circulação.

A proteção continua sendo um desafio

Ter uma unidade de conservação não impede automaticamente os impactos. Em setembro de 2025, a Assembleia Legislativa de MG registrou denúncias de ocupação irregular, desmatamento, poluição de nascentes e erosão na unidade e em seu entorno.

O debate também envolveu alterações na zona de amortecimento e a necessidade de fortalecer a fiscalização e o plano de manejo. O caso mostra que a proteção depende de regras aplicadas, acompanhamento público e participação da comunidade, não apenas da existência do decreto.

+ Leia também: O cenário que você precisa visitar pelo menos uma vez na vida

Como conhecer a Serra do Elefante com responsabilidade?

O portal oficial de turismo recomenda procurar os setores municipais de Turismo ou Meio Ambiente antes da visita. O acesso pode sofrer mudanças por causa do clima, de obras, da conservação das trilhas ou de restrições temporárias.

Durante o percurso, é importante permanecer nas rotas permitidas e evitar atitudes que agravem a erosão ou prejudiquem as nascentes. Para reduzir impactos, alguns cuidados são necessários:

  • não deixar lixo;

  • não retirar plantas ou pedras;

  • evitar atalhos;

  • não marcar as rochas;

  • respeitar áreas fechadas;

  • confirmar as condições de acesso;

  • seguir as orientações locais.

Igor Souza

Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.

Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare
Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare

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