Uma lenda urbana de Sete Lagoas diz que um braço do mar passa por baixo de uma serra até a Lagoa Paulino
Um cavaleiro afogado, botos que ninguém confirma e uma gruta com colunas de 15 metros. Veja o que é lenda e o que a geologia explica, a 70 km de BH
Escrito por:
Igor Souza
Publicado em:
07/10/2026
Sete Lagoas fica a mais de 700 metros de altitude e a centenas de quilômetros do litoral, mas há quem jure que o mar chega até o centro da cidade. A história, contada de geração em geração, diz que um braço do oceano corre por baixo de uma serra e sai na Lagoa Paulino, o principal cartão-postal do município.
O que diz a lenda do braço do mar?
Segundo a lenda, a água da Lagoa Paulino não viria apenas da chuva ou das nascentes da região. Um canal subterrâneo ligaria a lagoa ao mar, passando por baixo de uma das serras que cercam a cidade. Ninguém sabe quando a história surgiu nem quem a contou primeiro, mas ela continua viva nas conversas da cidade.
A história ganhou força com outros relatos que circulam há décadas entre os moradores. Há quem fale em botos, pirarucus e poraquês vivendo na lagoa, animais associados à Amazônia e ao mar, que alimentam a ideia de uma ligação escondida com águas distantes.
De onde vem o nome Lagoa Paulino?
O nome também tem origem em uma lenda. Paulino seria um cavaleiro que teria se afogado na lagoa junto com o próprio cavalo. Não há registros sobre quem ele foi, mas a história se fixou na memória da cidade e acabou batizando a lagoa mais conhecida de Sete Lagoas.
Hoje, a Lagoa Paulino fica no centro da cidade, cercada por uma orla urbanizada. Alguns números ajudam a entender o tamanho e a importância do lugar para os moradores e para quem visita o município:
Área de 112.425 metros quadrados;
Orla arborizada com cerca de 2 quilômetros de perímetro;
Proteção como patrimônio cultural pela Lei Municipal nº 4.113, de 11 de agosto de 1989.
A explicação está no calcário
Por trás da lenda existe uma realidade geológica que ajuda a entender por que a ideia de água correndo por baixo da terra faz sentido para muita gente. Sete Lagoas fica em uma região de rochas calcárias, e dois elementos mostram isso com clareza:
A Formação Sete Lagoas, camada de rochas calcárias estudada pela geologia, leva o nome da cidade;
A Gruta Rei do Mato, com 998 metros de extensão, foi esculpida pela ação da água no calcário.
Em regiões assim, a água da chuva se infiltra, dissolve a rocha e circula por fendas e cavernas, e é comum que lagoas se formem em depressões do terreno ligadas a esse sistema subterrâneo. Ou seja, a água da Lagoa Paulino pode até vir de baixo da terra, mas não do mar.


Lagoa Paulino com fontes, bancos e paisagem urbana em Sete Lagoas, MG - Foto: Igor Souza


Lagoa Paulino cercada por palmeiras e área urbana no centro de Sete Lagoas, MG - Foto: Igor Souza
Quantas lagoas existem em Sete Lagoas?
O nome da cidade fala em sete, mas o número real é bem maior. Hoje, o município tem 17 lagoas em todo o território, 10 delas no perímetro urbano. Muitas fazem parte da paisagem da cidade e da rotina de quem mora ali.
As lagoas que deram nome ao município foram protegidas pela mesma lei municipal de 1989, que reconheceu a importância cultural de cada uma delas para a história local. Estas são as sete lagoas originais:
Boa Vista;
Catarina;
Chácara;
Cercadinho;
José Félix;
Matadouro;
Paulino.
A cidade nasceu de um acampamento bandeirante
A ocupação da região começou em 1667, quando bandeirantes acamparam perto das lagoas durante uma expedição em busca de ouro. O povoado cresceu ao longo dos séculos seguintes e só conquistou a emancipação política em 24 de novembro de 1867, pela Lei Provincial nº 1.395.
Antes disso, a localidade teve uma passagem ilustre. Entre 1780 e 1781, Tiradentes comandou a guarnição militar de Sete Lagoas, poucos anos antes de se tornar a principal figura da Inconfidência Mineira, movimento que marcaria a história de Minas e do país.
+ Leia também: O cenário que você precisa visitar pelo menos uma vez na vida
O que mais ver em Sete Lagoas além das lagoas?
A cidade fica a cerca de 70 quilômetros de Belo Horizonte, a aproximadamente uma hora de viagem, e combina natureza e história em um roteiro que cabe em um fim de semana. Três atrações merecem espaço na programação:
A Gruta Rei do Mato, onde estão as Colunas Gêmeas, formações de 15 metros de altura e só 30 centímetros de espessura;
A Serra de Santa Helena, ponto mais alto do município, com 1.076 metros e rampa de voo livre;
A orla da Lagoa Paulino, com bares, restaurantes e feira de artesanato nas noites de sexta e sábado.
No fim do dia, a orla da Lagoa Paulino é o lugar certo para sentar à beira d'água e ouvir dos moradores as histórias sobre o braço do mar, os botos e o cavaleiro que deu nome à lagoa. Cada um conta de um jeito, e é justamente isso que mantém a lenda viva.
Igor Souza
Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.


Posts que você pode gostar
Todos os Direitos Reservados © 2024
Contato e parcerias: olharesporminasoficial@gmail.com
