Ouro Preto reúne 13 igrejas barrocas em um único centro histórico tombado como Patrimônio Mundial pela UNESCO

Uma cidade inteira virou patrimônio mundial por causa de um conjunto raro de igrejas barrocas erguidas durante o ciclo do ouro no Brasil colonial

Escrito por:
Igor Souza

Publicado em:
27/09/2026

Um conjunto de treze igrejas barrocas divide o mesmo traçado de ruas de pedra em uma cidade que já foi capital de Minas Gerais. Ouro Preto guarda esse acervo dentro de um centro histórico reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Mundial, o primeiro do país a receber esse título. O resultado é um roteiro em que arte sacra, arquitetura colonial e história dividem os mesmos quarteirões.

Ouro Preto foi a primeira cidade brasileira reconhecida pela UNESCO

O centro histórico entrou para a lista de Patrimônio Mundial da UNESCO em 1980, tornando-se o primeiro conjunto urbano do Brasil com esse reconhecimento. A decisão levou em conta a concentração de igrejas, casarões e espaços públicos erguidos durante o ciclo do ouro. Esse reconhecimento reforçou a necessidade de preservar ruas, fachadas e obras de arte antigas.

Antes de virar patrimônio da humanidade, a cidade já havia sido capital de Minas Gerais, posto perdido para Belo Horizonte em 1897. Mesmo sem esse papel político, a cidade manteve intacto o conjunto arquitetônico colonial. Esse patrimônio vai muito além das igrejas e reúne também:

  • Casarões e sobrados que mantêm a fachada original do período colonial;

  • Ruas de pedra que seguem o traçado irregular do relevo da cidade;

  • Praças e largos que ainda concentram parte da vida pública local.

Igreja histórica de fachada branca e detalhes amarelos cercada por montanhas e casario de Ouro Preto
Igreja histórica de fachada branca e detalhes amarelos cercada por montanhas e casario de Ouro Preto

Igreja histórica de fachada branca e detalhes amarelos cercada por montanhas e casario de Ouro Preto, MG - Foto: Igor Souza

Por que as igrejas de Ouro Preto viraram símbolo do barroco brasileiro?

Grande parte das igrejas está ligada ao trabalho do escultor Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, autor de entalhes, fachadas e imagens sacras da arquitetura religiosa colonial. Seu estilo, de curvas e detalhes minuciosos, é uma das referências do barroco produzido em Minas Gerais. Ao lado dele, outros nomes ajudaram a consolidar esse conjunto, entre eles:

  • O pintor Mestre Ataíde, autor de forros e pinturas internas de diversas igrejas;

  • Entalhadores e ourives responsáveis pela decoração interna revestida em ouro;

  • Oficinas locais que reproduziam o estilo barroco em capelas menores da região.

A combinação entre escultura, talha e pintura costuma ser apontada como o principal valor artístico do acervo religioso da cidade. Essas obras foram produzidas ao longo de várias décadas, o que explica a variação de estilo entre uma igreja e outra. Essa diversidade concentrada em pouco espaço é o que torna a cidade referência no estudo do barroco brasileiro.

Quais igrejas mais se destacam no roteiro do centro histórico?

Entre as treze igrejas do centro tombado, algumas concentram grande parte da visitação por reunirem obras de destaque. A Igreja de São Francisco de Assis abre a lista, com forro pintado por Mestre Ataíde e fachada do Aleijadinho. Já a Matriz de Nossa Senhora do Pilar chama atenção pela decoração revestida em ouro.

Outras igrejas completam o roteiro com histórias próprias, como a Matriz de Nossa Senhora da Conceição de Antônio Dias, onde está sepultado o Aleijadinho, e a Igreja de Santa Efigênia dos Pretos, erguida pela comunidade negra da cidade. Cada construção guarda particularidades de estilo, o que justifica reservar mais de um dia para o roteiro.

Igreja de São Francisco de Assis com flores em primeiro plano no centro histórico de Ouro Preto, MG
Igreja de São Francisco de Assis com flores em primeiro plano no centro histórico de Ouro Preto, MG

Igreja de São Francisco de Assis com flores em primeiro plano no centro histórico de Ouro Preto, MG - Foto: Igor Souza

Como funciona a visita às igrejas tombadas?

Por serem prédios tombados, as igrejas têm horários de visitação restritos, que variam conforme a paróquia. Por isso, muitos visitantes preferem confirmar informações atualizadas antes de sair para o roteiro. Alguns cuidados práticos fazem diferença nessa etapa do planejamento:

  • Confirmar os horários de abertura ao público, já que missas e eventos podem suspender a visita;

  • Levar calçado confortável, pois o piso de pedra do centro histórico exige atenção redobrada;

  • Respeitar a proibição de fotos com flash em algumas igrejas, comum em espaços com pinturas antigas.

Esses cuidados ajudam a preservar tanto o patrimônio artístico quanto o uso religioso que as igrejas mantêm até hoje. A cidade orienta o fluxo de visitantes em datas de maior movimento, como feriados e festividades religiosas. Mesmo fora desses períodos, vale checar a programação de cada igreja antes de incluí-la no roteiro.

+ Leia também: Turistas trocam o agito das cidades grandes pelo sossego desse destino

O que mais compõe o patrimônio histórico de Ouro Preto?

Além das igrejas, o centro histórico reúne outros marcos do período em que a cidade foi centro político e econômico de Minas Gerais. Prédios administrativos, museus e espaços culturais mostram que a importância histórica do lugar vai além da arquitetura religiosa. Esses espaços ajudam a contar a história da mineração que moldou a cidade.

Entre esses pontos, alguns aparecem com frequência em roteiros pela cidade, tanto pelo valor histórico quanto pela facilidade de visitação durante o dia. Fora do circuito das igrejas, dois locais concentram o interesse de quem busca entender a história da cidade. Vale reservar um tempo à parte do roteiro para conhecer:

  • A Escola de Minas, primeira instituição de ensino de engenharia de minas do Brasil;

  • O Teatro Municipal, um dos teatros mais antigos em funcionamento nas Américas.

Igreja histórica cercada pelo casario colonial e pelas montanhas verdes de Ouro Preto, MG
Igreja histórica cercada pelo casario colonial e pelas montanhas verdes de Ouro Preto, MG

Igreja histórica cercada pelo casario colonial e pelas montanhas verdes de Ouro Preto, MG - Foto: Igor Souza

Igor Souza

Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.

Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare
Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare

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