Um minerador fugitivo ofereceu à rainha um cacho de bananas de ouro maciço; assim nasceu o nome de Perdões, em Minas

Um cacho de bananas feito em ouro maciço teria livrado um minerador da punição e batizado uma cidade inteira no interior de Minas Gerais

Escrito por:
Leonardo Coelho

Publicado em:
11/09/2026

Um cacho de bananas, todo feito em ouro maciço, teria sido a peça-chave para livrar um minerador português de uma condenação no século XVIII. Segundo a tradição local, foi esse gesto que deu origem ao nome da cidade mineira de Perdões, onde a história de Romão Fagundes do Amaral ainda é contada há gerações. Entre documentos históricos e lendas transmitidas de boca em boca, a origem dessa cidade guarda curiosidades que poucos municípios de Minas Gerais podem contar.

Um alferes português deu início à história de Perdões no século XVIII

O primeiro documento histórico que menciona o território de Perdões data de 1770 e registra a presença do alferes português Romão Fagundes do Amaral na região. Ele trabalhava com a extração de ouro em um povoado então conhecido como Retiro dos Pimenta. Uma carta de sesmaria concedida a ele, datada de 26 de novembro daquele ano, ainda está arquivada no Arquivo Público Mineiro. Esse tipo de registro documental é raro para povoados tão pequenos daquela época, o que reforça a importância histórica da fonte.

Esse povoado inicial estava diretamente ligado ao arraial do Senhor Bom Jesus dos Perdões, nome que já antecipava parte da história que viria a se consolidar depois. Não é possível determinar com exatidão o início da ocupação daquele território, mas a presença de Romão Fagundes marca o primeiro registro documental confiável sobre a região. A partir dali, a atividade mineradora passaria a definir o rumo de toda a comunidade.

Casarões históricos em Perdões, MG, ao redor de praça arborizada com bancos e calçamento de pedra
Casarões históricos em Perdões, MG, ao redor de praça arborizada com bancos e calçamento de pedra

Casarões históricos em Perdões, MG, ao redor de praça arborizada com bancos e calçamento de pedra - Foto: Igor Souza

Por que um cacho de bananas de ouro foi enviado à Corte Portuguesa?

Segundo a tradição local, Romão Fagundes teria sonegado impostos sobre parte do ouro extraído na região, o que representava um problema sério diante da Coroa Portuguesa. Para tentar reverter essa situação, ele mandou confeccionar um cacho de bananas em ouro maciço, peça que seria enviada como oferenda à Corte. Dois relatos diferentes circulam sobre quem exatamente recebeu esse presente:

  • Uma versão aponta D. Maria I como destinatária do presente;

  • Outra versão indica que a peça teria sido enviada a D. João VI.

Independentemente de qual monarca tenha recebido a peça, o objetivo do gesto era claro: conseguir clemência diante de uma possível punição por sonegação. A generosidade aparente da oferenda funcionava, na prática, como uma tentativa calculada de reverter uma situação delicada perante a Coroa. Esse episódio, real ou parcialmente lendário, se tornou um dos capítulos mais lembrados da história local.

Igreja Matriz de Perdões, MG, com fachada branca e vermelha, duas torres e arquitetura histórica
Igreja Matriz de Perdões, MG, com fachada branca e vermelha, duas torres e arquitetura histórica

Igreja Matriz de Perdões, MG, com fachada branca e vermelha, duas torres e arquitetura histórica - Foto: Igor Souza

Como esse gesto deu origem ao nome da cidade?

A tradição conta que a estratégia de Romão Fagundes funcionou: ele teria sido perdoado pela Coroa Portuguesa diante da oferenda enviada. Esse desfecho favorável ficou tão marcado na memória popular que passou a ser associado diretamente à identidade do lugar. Diferente de outras cidades mineiras, batizadas em homenagem a santos ou fazendeiros, Perdões carrega no nome um episódio inteiro.

Foi assim que o nome Perdões passou a identificar tanto o arraial quanto, mais tarde, o município que se formaria naquele território. A palavra resume, de forma direta, o desfecho de toda a história envolvendo Romão Fagundes e seu gesto diante da Corte. Alguns elementos ajudam a resumir essa trajetória entre fato e tradição oral:

  • O nome original, ligado ao arraial do Senhor Bom Jesus dos Perdões;

  • A associação direta entre o perdão obtido e o nome do município;

  • A permanência dessa história em registros e relatos locais até hoje.

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Que marcos históricos ainda lembram essa origem em Perdões?

Além da lenda do cacho de ouro, Perdões guarda construções e espaços que remetem diretamente a esse período fundador. O próprio Romão Fagundes teria participado da construção da igreja Matriz Nosso Senhor Bom Jesus dos Perdões, erguida em 1790. Alguns marcos ajudam a compor esse roteiro histórico dentro da cidade:

  • A Igreja Matriz Nosso Senhor Bom Jesus dos Perdões, erguida em 1790;

  • O cruzeiro de mármore branco instalado em 1983;

  • O Museu Municipal, funcionando no antigo prédio do fórum e da cadeia;

  • O apelido "Cidade da Amizade", usado até hoje para se referir ao município.

Esses pontos, somados aos documentos guardados no Arquivo Público Mineiro, ajudam a manter viva a memória sobre a fundação de Perdões. A combinação entre fatos documentados e tradição oral transforma a cidade em um exemplo interessante de como lendas e história oficial podem caminhar juntas. Ainda hoje, moradores contam a história do cacho de ouro com o mesmo entusiasmo de gerações passadas.

Capela de Nossa Senhora do Rosário em Perdões, MG, com fachada branca, porta vermelha e praça
Capela de Nossa Senhora do Rosário em Perdões, MG, com fachada branca, porta vermelha e praça

Capela de Nossa Senhora do Rosário em Perdões, MG, com fachada branca, porta vermelha e praça - Foto: Igor Souza

Leonardo Coelho

Leonardo Coelho é um viajante e entusiasta de experiências culturais que revelam a alma do mundo, mantendo sempre vivo o orgulho de suas raízes mineiras. Busca enxergar a física e a química nas nuances da natureza, transformando o movimento da vida em descobertas. Apaixonado pela estrada, encontra seu propósito ao transmitir cada detalhe, sabor e fenômeno que presencia, conectando pessoas através da arte de explorar e sentir o real.

Foto do autor Leonardo Coelho sorrindo, com terno e parede branca ao fundo
Foto do autor Leonardo Coelho sorrindo, com terno e parede branca ao fundo

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