Tudo começou numa reunião de amigos em 1986. Hoje, o festival de Jequitibá reúne mais de 25 grupos de folia e congado
Começou com amigos reunidos numa sala e virou festa que leva milhares às ruas para ver folia, congado e boi. Conheça a cidade mineira que faz isso há 40 anos
Escrito por:
Igor Souza
Publicado em:
13/10/2026
Em 1986, Geraldo Inocêncio de Souza abriu as portas de casa, em Jequitibá, e chamou integrantes dos grupos folclóricos da cidade para um encontro. Ninguém imaginava que aquela reunião daria origem ao Festival de Folclore de Jequitibá, hoje um dos principais eventos de cultura popular de Minas Gerais.
Como uma reunião em casa virou festival?
A conversa entre amigos deu tão certo que, no ano seguinte, o encontro ganhou formato de festival. A partir de 1988, o evento se firmou de vez no calendário de Jequitibá, cidade que passou a ser chamada de capital mineira do folclore pela quantidade de manifestações culturais que reúne.
Desde então, o festival só deixou de acontecer em 2020, por causa da pandemia. Em 2021, a programação foi para a internet com recursos da Lei Aldir Blanc e passou de 100 mil visualizações no YouTube. A trajetória pode ser resumida em quatro momentos:
1986: primeiro encontro na casa de Geraldo Inocêncio;
1987: o encontro vira festival;
1988: o evento se firma na cidade;
2021: edição virtual, depois da pausa forçada.
Por que Jequitibá concentra tantas tradições?
A explicação passa pela estrada. No tempo das tropas, quem descia do sertão do Norte de Minas cruzava a cidade margeando o rio das Velhas e deixava pelo caminho cantos, danças e costumes que acabaram incorporados à vida dos moradores.
Hoje, Jequitibá tem cerca de 5,8 mil habitantes e fica na região central do estado, a 30 km de Sete Lagoas pela MG-238 e a uns 100 km de Belo Horizonte. A distância curta ajuda a explicar o público, estimado em cerca de 30 mil pessoas nas edições recentes.
Quem são os protagonistas do festival?
Os grupos de Folia de Reis e de congado da própria cidade são o coração do evento. No domingo, o cortejo dos grupos folclóricos leva mais de 25 grupos culturais para as ruas e termina com uma missa em homenagem aos folcloristas, um dos momentos mais aguardados.
Além dos grupos locais, o festival recebe convidados de outras cidades mineiras e até de outros estados, como já aconteceu com grupos do Pará e do Rio Grande do Norte. Entre as manifestações que costumam aparecer na programação, vale prestar atenção em:
Folia de Reis, com cantoria e bandeira à frente;
Guardas de Congo, com tambores e cortejo;
Auto do Boi da Manta, já encenado pelo Grupo Carroça Teatral.


Lagoa com orla arborizada, palmeiras e caminho para caminhada na cidade de Jequitibá, MG - Foto: @praondevou


Rua de pedras com casarões históricos e fachadas coloniais cercadas por árvores em Jequitibá, MG - Foto: @praondevou
A programação vai além das apresentações
O festival é gratuito e ocupa a cidade por vários dias, normalmente em setembro. Há shows de música regional, rodas de conversa, palestras e um concurso de culinária típica na orla da Lagoa Pedro Saturnino, com pratos feitos a partir de ingredientes da região.
Nas edições recentes, nomes como Chico Lobo, Maurício Tizumba e a Orquestra Mineira de Viola Caipira passaram pelo palco, com repertório ligado à música de raiz. Para quem gosta de aprender fazendo, as oficinas gratuitas já incluíram:
Confecção de estandartes e oratórios;
Contação de histórias e educação patrimonial.
O artesanato local também tem espaço no festival
A Associação dos Artesãos de Jequitibá, criada em 2008, aproveita o festival para mostrar seu trabalho. As peças em bordado, cerâmica, madeira e tear trazem como tema o Boi da Manta, a Folia de Reis, a Dança da Fita e paisagens da cidade, como a própria lagoa.
Na parte da comida, a mesa segue a tradição mineira, com quitandas, doces, licores, conservas e feijão-andu. Em 2025, os preços iam de trufas caseiras a partir de R$ 3 a colchas bordadas por volta de R$ 300, o que permite levar uma lembrança sem gastar muito.
+ Leia também: O cenário que você precisa visitar pelo menos uma vez na vida
Como se programar para a próxima edição?
Em 2025, a 35ª edição aconteceu entre 11 e 14 de setembro, no espaço de eventos às margens da Lagoa Pedro Saturnino, no centro. As datas mudam a cada ano, e a programação completa costuma ser divulgada no perfil oficial do festival, @folclorejequitiba.
Como a cidade é pequena e recebe muita gente nesses dias, vale planejar a viagem com antecedência, principalmente para quem pretende dormir por lá. Algumas atitudes deixam a visita mais tranquila e respeitosa com quem mantém essas tradições vivas:
Reservar hospedagem em Jequitibá ou em Sete Lagoas;
Chegar cedo no domingo para ver o cortejo;
Levar dinheiro para o artesanato e a culinária;
Respeitar os rituais dos grupos de folia e congado.
Igor Souza
Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.


Posts que você pode gostar
Todos os Direitos Reservados © 2024
Contato e parcerias: olharesporminasoficial@gmail.com
