Trilhas, represas e paz absoluta: o segredo bem guardado dos ciclistas e aventureiros no interior de Minas

Aos pés de uma imensa serra, um distrito mineiro reúne cachoeiras com múltiplos poços, trilhas para ciclistas e uma represa histórica de 1908

Escrito por:
Igor Souza

Publicado em:
02/07/2026

Acuruí não aparece nos roteiros mais badalados, não tem fila de entrada e raramente vai aparecer no feed de quem só frequenta destinos famosos. Mas quem conhece, ciclistas, praticantes de caminhada e quem quer sumir do mundo por um fim de semana, já sabe que esse distrito de Itabirito, a 80 quilômetros de Belo Horizonte, guarda um nível de silêncio e natureza que muita gente anda procurando sem saber onde encontrar.

O que faz de Acuruí um destino para aventureiros?

O distrito está aos pés da Serra da Gandarela, vizinho ao Parque Nacional da Serra do Gandarela, unidade de conservação que abrange oito municípios e possui mais de 31 mil hectares. Essa proximidade explica a concentração de atrativos naturais num raio tão pequeno.

A região acumula trilhas para caminhada, rotas para ciclismo de montanha e dezenas de cachoeiras com acesso variado, de curtas e familiares até percursos mais exigentes. Não falta opção para diferentes perfis de visitante.

Por que os ciclistas escolhem Acuruí?

O distrito já virou palco de competições de ciclismo de montanha. O Desafio Avante Entre Serras, que já passou por três edições consecutivas em Acuruí, oferece percursos de 35 e 50 quilômetros por trilhas e estradas da região, reunindo ciclistas profissionais e amadores.

Para quem pedala fora das competições, as rotas entre Acuruí, Rio Acima e Itabirito são mapeadas em plataformas especializadas com trajetos que beiram o Rio das Velhas. Estradão de terra, paisagem aberta e pouca movimentação de carros: difícil encontrar isso tão perto da capital.

Quais cachoeiras valem a visita?

A maioria dos atrativos fica em propriedades particulares com entrada paga para manutenção das trilhas. As principais estão reunidas no Complexo Catana da Serra, com percursos sinalizados. Conheça as mais visitadas:

  • Cachoeira do Cascalho: a mais famosa do distrito, trilha curta, ideal para famílias;

  • Cachoeira das Carrancas: múltiplos poços e quedas, trilha de nível moderado;

  • Cachoeira do Cruzado: queda de aproximadamente 20 metros, poço com profundidade entre 1 e 3 metros;

  • Cachoeira das Borboletas: queda de cerca de 20 metros com poço de águas esverdeadas.

O Portal das Cachoeiras funciona das 6h às 18h e reúne também o Mirante do Espinhaço e ruínas ligadas à Guerra dos Emboabas. A melhor época para visitar é entre maio e setembro, quando as águas ficam mais cristalinas.

Rua de Acuruí, distrito de Itabirito, com cactos à beira da via e igreja histórica ao fundo em Minas
Rua de Acuruí, distrito de Itabirito, com cactos à beira da via e igreja histórica ao fundo em Minas

Rua de Acuruí, distrito de Itabirito, com cactos à beira da via e igreja histórica ao fundo em Minas Gerais. - Foto: Igor Souza

Cachoeira de Carrancas em Acuruí, Minas Gerais, com queda d’água entre paredões de pedra
Cachoeira de Carrancas em Acuruí, Minas Gerais, com queda d’água entre paredões de pedra

Cachoeira de Carrancas em Acuruí, Minas Gerais, com queda d’água entre paredões de pedra - Foto: Igor Souza

O que saber antes de sair para Acuruí?

Baixar o mapa offline antes de sair de casa não é opcional: o sinal de celular some em boa parte do trajeto. O acesso a partir de Belo Horizonte é pela BR-356, sentido Itabirito, com trecho final por estrada de terra e percurso total de cerca de uma hora e meia.

Alguns pontos práticos que fazem diferença no passeio:

  • Melhor época para banho: maio a setembro, período de seca;

  • Entradas: a maioria das cachoeiras cobra entre R$ 20 e R$ 30 por pessoa (confira os valores antes de ir, porque pode ter alterado);

  • Comércio: funciona com mais movimento nos fins de semana;

  • Calçado: tênis de trilha é recomendado na maioria dos percursos.

A Represa Rio das Pedras merece parada no roteiro

Às margens da represa, no centro de Acuruí, existe um ponto que quase não aparece nas listas de turismo. A Represa Rio das Pedras foi construída em 1908 e, durante décadas, sua usina hidrelétrica forneceu energia para Belo Horizonte.

O nome Acuruí tem origem tupi e significa "rio das pedras", referência ao Rio das Pedras que corta o distrito. O vilarejo surgiu no século XVIII e é o único distrito de Itabirito que integra a Estrada Real. Vale uma caminhada pelo centro para conhecer a Igreja Nossa Senhora do Rosário e a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, ambas do século XVIII.

+ Leia também: O cenário que você precisa visitar pelo menos uma vez na vida

Acuruí vale mais do que um dia de visita

Para fechar o dia, a gastronomia segue o padrão do fogão a lenha: feijão tropeiro, frango caipira e angu nos restaurantes locais. A Acuruí Cervejaria produz chopp artesanal no próprio distrito.

O distrito tem cerca de 500 habitantes, integra a Rota Turística Jaguara e fica a 25 quilômetros do centro de Itabirito.

Quem chega pela primeira vez em Acuruí geralmente volta. Não pela falta de opções, mas pelo contrário: há sempre uma cachoeira nova para explorar, uma trilha para pedalar ou simplesmente a represa para contemplar sem pressa. Esse é o tipo de lugar que não se esgota numa única visita.

Igor Souza

Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.

Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare
Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare

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