Tombada em 2 de junho de 1977, a Praça da Liberdade guarda prédios do fim do século XIX em Belo Horizonte

Um conjunto de prédios que atravessa mais de um século de arquitetura está protegido no coração de uma capital planejada do sudeste do Brasil

Escrito por:
Igor Souza

Publicado em:
21/08/2026

O ponto mais alto do desenho original de Belo Horizonte não foi reservado para um monumento isolado, mas para uma praça inteira. A Praça da Liberdade nasceu junto com a capital mineira, entre 1895 e 1897, como esplanada do Palácio da Liberdade, e reúne hoje prédios que atravessam mais de um século de arquitetura. Em 2 de junho de 1977, o conjunto foi tombado pelo IEPHA, protegendo não só as fachadas do fim do século 19, mas também jardins, lagos e alamedas que fazem parte da mesma história.

Por que a Praça da Liberdade foi construída no ponto mais alto de Belo Horizonte?

A praça foi planejada para funcionar como esplanada do Palácio da Liberdade, erguido sobre um morro aplainado especialmente para abrigar a sede do governo mineiro. Essa posição de destaque fez da praça um dos pontos centrais do projeto urbanístico da nova capital.

O desenho paisagístico inicial já previa vários elementos que existem até hoje:

  • jardins, alamedas e lagos definidos ainda no projeto original;

  • um caminho central ladeado por palmeiras imperiais;

  • canteiros geométricos de flores, projetados em 1920 por Reynaldo Dierberger.

A praça nasceu junto com a própria capital mineira

A construção da Praça da Liberdade começou entre 1895 e 1897, no mesmo período em que Belo Horizonte era erguida como nova capital de Minas Gerais. O espaço serviu de palco para as celebrações de inauguração da cidade, em 12 de dezembro de 1897, quando ainda tinha um paisagismo mais orgânico, assinado por Paul Villon.

Hoje a praça fica no encontro de quatro avenidas importantes da região da Savassi: Bias Fortes, Brasil, Cristóvão Colombo e João Pinheiro. Essa localização central ajuda a explicar por que o entorno se tornou um dos conjuntos arquitetônicos mais visitados de Belo Horizonte.

Que estilos arquitetônicos convivem ao redor da praça?

O conjunto reúne estilos de diferentes décadas do século 20, o que torna a praça uma espécie de linha do tempo da arquitetura mineira. Os primeiros prédios, erguidos entre 1895 e 1897, seguem uma linha eclética com elementos neoclássicos, enquanto construções da década de 1940, como o Palácio Arquiepiscopal Cristo Rei, trazem traços do art decó.

Nas décadas de 1950 e 1960, o modernismo chegou à praça com projetos de Oscar Niemeyer, autor do Edifício Niemeyer e da Biblioteca Pública Luiz de Bessa, além do Edifício Mape, assinado por Sylvio de Vasconcellos. Já nos anos 1980, um prédio conhecido como Rainha da Sucata somou um traço pós-moderno ao conjunto, e hoje abriga a Casa Funarte.

Jardins da Praça da Liberdade com prédios históricos e modernos ao redor em Belo Horizonte, MG
Jardins da Praça da Liberdade com prédios históricos e modernos ao redor em Belo Horizonte, MG

Jardins da Praça da Liberdade com prédios históricos e modernos ao redor em Belo Horizonte, MG - Foto: Igor Souza

Vista da Praça da Liberdade com jardins, espelho d’água e prédios ao fundo em Belo Horizonte, MG
Vista da Praça da Liberdade com jardins, espelho d’água e prédios ao fundo em Belo Horizonte, MG

Vista da Praça da Liberdade com jardins, espelho d’água e prédios ao fundo em Belo Horizonte, MG - Foto: Igor Souza

Quais prédios históricos fazem parte do conjunto tombado?

A área protegida pelo tombamento vai além da praça em si e inclui diversos prédios públicos e religiosos que ajudam a contar a história política e administrativa de Minas Gerais. Muitos deles seguem em uso até hoje, abrigando órgãos do governo estadual ou espaços culturais abertos ao público.

Entre os prédios que fazem parte desse conjunto estão:

  • o Palácio da Liberdade e o Palácio dos Despachos;

  • as sedes das secretarias estaduais de Fazenda, Obras Públicas, Educação e Segurança;

  • o Palácio Arquiepiscopal Cristo Rei;

  • a Biblioteca Pública Luiz de Bessa, projetada por Oscar Niemeyer.

O tombamento de 1977 protege muito mais do que as fachadas dos prédios

O tombamento da Praça da Liberdade aconteceu em 2 de junho de 1977, por meio do Decreto nº 18.531, sob responsabilidade do IEPHA, o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais. A medida reconheceu o valor histórico e paisagístico de todo o conjunto, não apenas dos edifícios isolados.

A proteção abrange jardins, lagos, alamedas, fontes, monumentos e as fachadas dos prédios do entorno, e está registrada em quatro livros de tombo diferentes: arqueológico, artístico, histórico e paisagístico. Essa amplitude ajuda a explicar por que a praça manteve boa parte de suas características originais.

+ Leia também: O cenário que você precisa visitar pelo menos uma vez na vida

O que é possível visitar hoje na Praça da Liberdade?

Grande parte dos prédios tombados hoje integra o Circuito Cultural Praça da Liberdade, um dos maiores complexos do gênero no país, com dez espaços culturais abertos à visitação. A proposta reúne museus, memoriais e bibliotecas em um mesmo trajeto a pé.

Entre os espaços que compõem esse circuito estão:

  • o Centro Cultural Banco do Brasil e o Museu das Minas e do Metal;

  • o Memorial Minas Gerais e a Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa.

Igor Souza

Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.

Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare
Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare

Posts que você pode gostar

Todos os Direitos Reservados © 2024

Contato e parcerias: olharesporminasoficial@gmail.com