Tem um vilarejo perto de Tiradentes onde uma tarde inteira parece pouco: é Bichinho
Um povoado de artesãos perto de uma cidade histórica mineira guarda igreja, museu de carros e restaurante de fogão a lenha. Veja o que fazer em um dia
Escrito por:
Igor Souza
Publicado em:
01/08/2026
Um povoado que nasceu do ouro e hoje vive da criatividade de seus moradores fica a poucos minutos de Tiradentes, mas raramente cabe numa visita rápida. Bichinho reúne ateliês, uma igreja histórica, um museu de carros antigos e um restaurante já indicado em guia de viagem, tudo em ruas que se percorrem a pé. Quem acha que vai só espiar costuma sair de lá horas depois.
De onde vem o nome Bichinho?
O nome oficial do distrito é Vitoriano Veloso, uma homenagem a um dos participantes da Inconfidência Mineira que viveu ali trabalhando como alfaiate depois de ser alforriado. Na prática, quase ninguém usa esse nome no dia a dia:
Nome oficial: Vitoriano Veloso;
Nome popular, usado por moradores e visitantes: Bichinho.
O povoado surgiu nos primeiros anos do século XVIII, com a descoberta de ouro na região, e hoje faz parte do Circuito Turístico Trilha dos Inconfidentes e da Estrada Real, junto com Tiradentes e Prados.
Como chegar a Bichinho saindo de Tiradentes?
O trajeto entre Tiradentes e Bichinho soma cerca de 7 a 8 quilômetros, em estrada de calçamento, e costuma levar por volta de 25 minutos por causa do piso irregular. Saindo de Prados, distante 12 quilômetros, o acesso é feito por estrada de terra.
Existe linha de ônibus ligando as cidades, mas os horários são limitados e nem sempre seguidos à risca. Por isso, a recomendação mais comum entre quem já visitou o distrito envolve outras opções:
Carro particular, opção mais confortável para o piso irregular;
Táxi contratado em Tiradentes ou Prados;
Bicicleta, para quem não se importa com a subida;
Cavalo, ainda usado por parte dos moradores locais.
O artesanato é o que sustenta a fama do vilarejo
Bichinho se tornou o principal centro de produção de artesanato da região de Tiradentes, e boa parte do que é vendido nas lojas da cidade vizinha é fabricado justamente nas oficinas do distrito. Os moradores trabalham com uma variedade grande de materiais, entre eles:
Madeira de demolição;
Papel marchê;
Latas reaproveitadas;
Cipós;
Tecidos de algodão.
Grande parte desse movimento tem origem na Oficina de Agosto, criada pelo artista plástico Antônio Carlos Bech, o Toti, que formou gerações de artesãos locais. Peças produzidas ali hoje decoram pousadas e residências em diferentes estados do país, além de terem encomendas para exportação.


Praça de Bichinho com fonte, casarões coloridos e letreiro turístico em Prados, MG - Foto: Igor Souza


Igreja Matriz de Bichinho com cruzeiro e casarões históricos em Prados, MG - Foto: Igor Souza
O que mais tem para ver além das lojas de artesanato?
Três atrações concentram boa parte do roteiro de quem passa o dia em Bichinho:
Igreja de Nossa Senhora da Penha, erguida por mãos escravizadas;
Museu do Automóvel da Estrada Real, no Sítio Pau D'angu;
Casa Torta, construída em 2016 por um casal de artistas.
A igreja combina uma fachada em pedra-sabão com um interior de talha dourada, típico do barroco mineiro, e as pinturas do forro são atribuídas a um discípulo do mestre Ataíde. O museu reúne dezenas de carros de um colecionador que começou a restaurá-los em 1976, e a Casa Torta funciona como um espaço de jogos voltado principalmente para crianças.
Onde comer bem no meio do passeio?
O Tempero da Ângela é apontado como o restaurante mais conhecido do distrito, com sistema self-service e preço fixo. A comida mineira é preparada no fogão a lenha, o que reforça o clima caseiro que também aparece na decoração do salão.
O cardápio já foi destacado em guia de viagem impresso, e o valor cobrado inclui sobremesa e café. Para quem passa o dia inteiro em Bichinho, o horário de almoço costuma ser o momento de pausa entre as visitas às lojas e à igreja.
+ Leia também: O cenário que você precisa visitar pelo menos uma vez na vida
A Serra de São José emoldura toda a experiência
Ao longo do caminho entre Tiradentes e o distrito, a Serra de São José aparece como pano de fundo constante, tanto nas ruas quanto nas fachadas das casas antigas. É esse cenário que dá a Bichinho um clima de roça, mais pacato do que o das cidades vizinhas.
Essa combinação de sossego e serra ao fundo explica por que o distrito também atrai quem busca apenas descanso, sem necessariamente entrar em uma única loja durante a visita.
Igor Souza
Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.


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