Serro guarda dois recordes de Minas: a primeira cidade tombada do Brasil e o primeiro queijo reconhecido como patrimônio nacional

Uma cidade mineira reúne dois títulos raros: foi a primeira do país a ter o centro tombado e deu origem ao primeiro queijo virado patrimônio nacional

Escrito por:
Igor Souza

Publicado em:
05/08/2026

Poucos lugares no país guardam dois títulos de peso ao mesmo tempo, e o Serro é um deles. A cidade, na região de Diamantina, foi a primeira do Brasil a ter o conjunto arquitetônico tombado, ainda em 1938. É também a terra de um queijo que abriu caminho para o reconhecimento dessa tradição como patrimônio nacional. São dois recordes numa só rua de pedra.

Por que o Serro foi a primeira cidade tombada do país?

O tombamento aconteceu em 8 de abril de 1938, quando o IPHAN inscreveu o conjunto arquitetônico e urbanístico do Serro no Livro de Belas Artes. Foi o primeiro município brasileiro a receber esse reconhecimento, antes mesmo de Ouro Preto e Diamantina, o que dá à cidade um lugar próprio na história da preservação no país.

Esse peso histórico não veio do acaso. O Serro nasceu como povoado de mineração no início do século XVIII e chegou a se chamar Vila do Príncipe. Alguns marcos ajudam a entender essa trajetória:

  • A descoberta de ouro na região, por volta de 1702;

  • A elevação a vila, em 1714, com o nome de Vila do Príncipe;

  • O tombamento do centro pelo IPHAN, em 1938.

Casarões coloniais, palmeiras e igreja no centro histórico do Serro MG sob céu azul
Casarões coloniais, palmeiras e igreja no centro histórico do Serro MG sob céu azul

Casarões coloniais, palmeiras e igreja no centro histórico do Serro MG sob céu azul - Foto: Igor Souza

O que ver no centro histórico do Serro?

Caminhar pelo Serro é atravessar séculos de arquitetura colonial. Igrejas barrocas, casarões antigos e ruas de pedra formam um centro que se manteve preservado e explica, na prática, por que a cidade foi a primeira a ser tombada.

Vale reservar tempo para conhecer os prédios mais representativos, cada um com sua história e detalhes de época. Entre eles, chamam atenção:

  • A Igreja de Santa Rita, do século XVIII, no ponto mais alto e com vista para a cidade;

  • A Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, uma das maiores construções barrocas de Minas;

  • A Igreja de Nossa Senhora do Carmo, com altares e imagens do barroco mineiro;

  • O Museu Regional Casa dos Ottoni, que reúne objetos e documentos da cidade.

O queijo do Serro abriu caminho para o patrimônio nacional

A fama do Serro não para na arquitetura. O modo de fazer o queijo da região foi registrado em 2002 pelo IEPHA, órgão estadual, como um dos primeiros bens imateriais reconhecidos no país. Em 2008, o IPHAN levou esse reconhecimento ao nível nacional.

O reconhecimento premia um jeito de produzir que passa de geração em geração e segue quase igual há muito tempo. O queijo do Serro é feito com poucos ingredientes e etapas bem definidas:

  • Leite cru e integral, coalho, sal e o pingo, fermento natural da região;

  • Massa prensada à mão, no ritmo antigo da fazenda;

  • Cura com lavagem e virada da peça a cada poucos dias.

Vista panorâmica do centro histórico do Serro MG com igreja, casarões coloniais e montanhas ao fundo
Vista panorâmica do centro histórico do Serro MG com igreja, casarões coloniais e montanhas ao fundo

Vista panorâmica do centro histórico do Serro MG com igreja, casarões coloniais e montanhas ao fundo - Foto: Igor Souza

O que a viagem ao Serro oferece além das igrejas e do queijo?

Quem chega ao Serro costuma combinar a visita com outros destinos da mesma região. A cidade fica perto de Diamantina e faz parte do caminho da Estrada Real, o que abre espaço para um roteiro mais longo pelo interior de Minas.

Além do casario e das fazendas de queijo, a região mistura história e paisagem de serra. É um tipo de viagem que pede calma, com paradas para conversar com produtores e entender de perto como a tradição se mantém viva no dia a dia.

+ Leia também: Turistas trocam o agito das cidades grandes pelo sossego desse destino

Vale a pena incluir o Serro num roteiro por Minas?

Se a ideia é conhecer o lado histórico do estado sem a correria dos destinos mais movimentados, o Serro cumpre bem esse papel. É uma cidade que junta patrimônio reconhecido, boa comida e um ritmo tranquilo, tudo no mesmo lugar.

Para organizar o passeio e aproveitar o que a cidade tem de melhor, vale ter em mente dois pontos:

  • Reservar um dia inteiro para o centro histórico e uma visita a fazenda de queijo;

  • Emendar o Serro com Diamantina, já que ficam na mesma região.

Vista do Serro MG com igrejas, casas coloniais, ruas de pedra e montanhas ao fundo
Vista do Serro MG com igrejas, casas coloniais, ruas de pedra e montanhas ao fundo

Casa simples com telhado colonial, porta azul e cadeiras na área externa em Chapada, Ouro Preto - Foto: Igor Souza

Igor Souza

Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.

Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare
Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare

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