Serro faz em 10 de outubro a última Bolerata de 2026, com músicos tocando das sacadas dos casarões
Uma banda centenária com 43 músicos, uma praça colonial e queijo artesanal nas mesas. Veja como aproveitar a noite de bolero e serenata no Alto Jequitinhonha
Escrito por:
Igor Souza
Publicado em:
07/10/2026
Na Praça Dr. João Pinheiro, no centro histórico do Serro, o palco não fica na frente do público, mas em volta dele. Os músicos sobem as escadas dos casarões coloniais, ocupam janelas e sacadas e tocam para quem está lá embaixo. No sábado, 10 de outubro, a cidade recebe a última Bolerata de 2026 e encerra mais uma temporada do evento.
O que é a Bolerata do Serro?
O nome junta duas palavras que resumem bem o espírito da noite: bolero e serenata. Durante a apresentação, a banda deixa a rua e se espalha pelas sacadas dos sobrados que cercam a praça, enquanto o público se acomoda no centro, rodeado pela música e pelo casario preservado.
O bolero dá nome ao evento, mas o repertório vai bem além dele e passa por diferentes estilos ao longo da noite. O público pode esperar uma mistura que agrada a todas as idades:
Boleros, o carro-chefe da apresentação;
Fanfarras e peças clássicas;
Música popular brasileira, dobrados e a tradicional seresta mineira.
Quando acontece a última Bolerata de 2026?
A Bolerata acontece uma vez por mês, na época mais seca do ano, quando a chance de chuva à noite é menor e o céu costuma estar mais aberto. A edição de sábado, 10 de outubro, fecha o calendário de 2026, e duas informações ajudam a planejar a ida:
A temporada vai de abril a outubro;
A entrada é gratuita e aberta ao público.
Quem prefere assistir sentado pode reservar mesa na praça. A produção do evento é do Instituto Serrana, com apoio da Secretaria Municipal de Cultura, Turismo e Patrimônio. Como é a última noite do ano e a praça costuma lotar, vale chegar cedo e confirmar o horário de início com a organização.
A Banda Santíssimo Sacramento comanda a noite
Quem ocupa as sacadas é a Banda de Música Santíssimo Sacramento, grupo centenário do Serro com cerca de 43 músicos. A banda deixa a praça, sobe as escadas dos casarões e toca das janelas e sacadas, formando um grande círculo de som ao redor do público.
A proposta inverte a lógica de um espetáculo tradicional. Em vez de um palco à frente da plateia, são os músicos que cercam o público, que fica no centro da praça. O resultado é uma apresentação em que cada canto do largo recebe a música de um ponto diferente, e ninguém fica de costas para a banda.


Sacadas de casarão histórico decoradas para a Bolerata em Serro, MG - Foto: Igor Souza


Rua histórica iluminada e preparada para a Bolerata no centro de Serro, MG - Foto: Igor Souza
Como surgiu a Bolerata?
A tradição de tocar nas sacadas da Praça Dr. João Pinheiro é antiga, mas a Bolerata só entrou no calendário oficial da cidade no início dos anos 2000. O modelo se inspira na Vesperata de Diamantina e ajudou a fortalecer o circuito cultural da região do Alto Jequitinhonha.
Com o passar dos anos, o evento ganhou novas atrações e deixou de ser apenas uma apresentação de banda. A programação passou a incluir outras manifestações culturais que ampliam a noite na praça:
Apresentações de músicos da região, desde 2017;
Lançamentos de livros;
Números de teatro e dança com artistas locais.
O queijo do Serro também faz parte da festa
Enquanto a banda toca, a praça vira ponto de encontro dos produtos da terra. O queijo do Serro, reconhecido como patrimônio cultural imaterial, divide as mesas com cachaça e doces da região, e muita gente aproveita a noite para provar e levar um pouco da produção local para casa.
A dança é livre, e o público costuma aproveitar o repertório romântico para arriscar alguns passos de bolero no meio da praça. Ao fundo, a Igreja de Santa Rita completa o cenário e ajuda a explicar por que a Bolerata se tornou um dos programas mais conhecidos do Serro.
+ Leia também: O cenário que você precisa visitar pelo menos uma vez na vida
O que mais fazer no Serro?
O Serro fica a cerca de 226 quilômetros de Belo Horizonte e vale pelo menos um fim de semana. Além do centro histórico, com casario colonial bem preservado, o município tem distritos que ajudam a montar um roteiro mais longo pela região:
Milho Verde;
São Gonçalo do Rio das Pedras;
Vila de Mato Grosso;
Capivari.
O calendário cultural também vai além da Bolerata. A cidade mantém tradições como a Folia de Reis e a Festa de Nossa Senhora do Rosário, que mostram a força das manifestações religiosas e musicais nessa parte de Minas Gerais.
Igor Souza
Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.


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