Santo Antônio do Salto é o distrito mais novo de Ouro Preto, mas esconde cânions e cachoeiras de tirar o fôlego
Um pedaço de terra virou distrito há pouco mais de trinta anos e ainda esconde cânions e cachoeiras que quase ninguém visita
Escrito por:
Leonardo Coelho
Publicado em:
29/08/2026
Enquanto Ouro Preto acumula mais de três séculos de história, um pedaço do seu território tem pouco mais de trinta anos como distrito oficial. Santo Antônio do Salto foi reconhecido apenas em 1992, e por estar isolado em meio a serras e matas fechadas, segue praticamente escondido dos roteiros mais movimentados da cidade. Entre cânions estreitos e cachoeiras de queda longa, essas belezas naturais compensam qualquer dificuldade de acesso.
Por que Santo Antônio do Salto é considerado o distrito mais novo de Ouro Preto?
O distrito foi criado pela Lei municipal nº 78, de 30 de novembro de 1992, o que faz dele o mais recente entre os distritos de Ouro Preto. Fica a cerca de 35 quilômetros do distrito-sede, numa região a 800 metros de altitude.
Apesar de recente na divisão administrativa, o lugar já tinha vida própria havia gerações. Alguns números ajudam a entender a escala dessa comunidade:
916 habitantes e 272 domicílios, segundo o Censo 2022 do IBGE;
Área de 57,84 quilômetros quadrados, conforme a Fundação João Pinheiro.
O nome do distrito vem de uma travessia antiga do rio
Segundo a tradição oral, o nome faz referência ao último ponto onde era possível atravessar o rio a caminho da Fazenda das Bandeiras, seguindo depois para Piranga ou Catas Altas. Essa travessia, o chamado salto, deu nome ao lugar ainda nos primeiros tempos de ocupação.
Há ainda outra explicação, ligada à altura da principal queda d'água da região, a Cachoeira do Rapel, que despenca por mais de 200 metros. As duas versões não se excluem e, juntas, ajudam a explicar a força do nome escolhido para o distrito.


Igreja em Santo Antônio do Salto, distrito de Ouro Preto MG, com morros verdes ao fundo - Foto: Igor Souza
Como surgiu o povoado que deu origem ao distrito?
A ocupação da região provavelmente remonta ao final do século XVIII, quando o ouro já rareava nas jazidas principais de Ouro Preto e novos garimpeiros buscavam lavras em áreas mais afastadas. A Fazenda do Salto, que minerava e também cultivava a terra, deu origem ao primeiro núcleo populacional do lugar.
A mineração se concentrava na margem esquerda do rio, por causa de uma falha geológica na parte mais baixa da Serra do Itacolomi. Diferentemente de Ouro Preto, o distrito não tem uma fundação oficial documentada, com nomes e datas precisas.
Quais cânions e cachoeiras marcam a paisagem do distrito?
A paisagem de Santo Antônio do Salto reúne cânions estreitos, corredeiras e cachoeiras de quedas longas, cercados por mata que ainda preserva boa parte de suas características originais. Entre os pontos turísticos mais procurados por quem visita o distrito estão:
O Cânion do Funil, cortado por uma passarela sobre o rio;
A Cachoeira do Rapel, com queda de aproximadamente 200 metros;
A Cachoeira do Caboclo, procurada para ecoturismo e banho;
A Cachoeira do Baú, sem trilha demarcada, com acesso pelo leito do rio.
O acesso costuma ser feito pela rodovia MG-129 até o distrito, seguido de estradas de terra com trechos irregulares, o que reforça o clima de isolamento que ainda marca a região.


Capela de Nossa Senhora dos Remédios, em Santo Antônio do Leite, Ouro Preto MG, cercada por mata - Foto: Igor Souza
Como era o acesso ao distrito antes da eletricidade chegar?
Até o início do século XX, o principal caminho de entrada era pela Serra das Lavras Novas, a 1.300 metros de altitude, um trajeto tortuoso e perigoso mesmo para quem conhecia bem a região.
Por volta de 1930, a construção de um canal hidrográfico para abastecer usinas elétricas trouxe uma nova passagem para o distrito. Foi assim que o Salto se tornou uma das primeiras localidades da região a receber energia elétrica, e hoje o acesso ainda pode ser feito por duas rotas principais:
Pela vila de Lavras Novas, cerca de 7 quilômetros em estrada estreita e íngreme;
Pelo vilarejo da Chapada, cerca de 15 quilômetros, num trajeto mais tranquilo;
Pela rodovia MG-129, com trecho asfaltado até o distrito.
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A economia local ainda mistura tradição agrícola e turismo
Isolada por décadas, a comunidade de Santo Antônio do Salto se dedicou historicamente à agricultura e à pecuária, atividades que ainda sustentam boa parte das famílias locais. Hoje, essa rotina se divide entre diferentes frentes de trabalho:
Agricultura, com destaque para a produção de banana;
Pecuária;
Artesanato local;
Venda de pratos típicos;
Garimpagem complementar de ouro e topázio nas margens do rio.
Todo mês de agosto, o Festival de Cultura e Culinária Típica reúne moradores e visitantes em torno de receitas passadas entre gerações, como a cuca de banana, o bolo de fubá com rapadura e o frango com ora-pro-nobis.


Cânion do Funil, em Santo Antônio do Salto, Ouro Preto MG, com passarela entre rochas e vegetação - Foto: Igor Souza
Leonardo Coelho
Leonardo Coelho é um viajante e entusiasta de experiências culturais que revelam a alma do mundo, mantendo sempre vivo o orgulho de suas raízes mineiras. Busca enxergar a física e a química nas nuances da natureza, transformando o movimento da vida em descobertas. Apaixonado pela estrada, encontra seu propósito ao transmitir cada detalhe, sabor e fenômeno que presencia, conectando pessoas através da arte de explorar e sentir o real.


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