Saiu de um quadro, conheça Catas Altas que encanta pelo jeito simples de interior
Uma praça colonial com casas coloridas, a Serra do Caraça ao fundo e vinho de jabuticaba há mais de um século. Essa cidade mineira foi cenário de minissérie da Globo e você provavelmente não conhece
Escrito por:
Igor Souza
Publicado em:
27/07/2026
A cidade foi fundada por volta de 1703, quando o ouro nos pontos mais altos dos morros da Serra do Caraça atraiu os primeiros garimpeiros. O nome diz exatamente isso: as "catas" eram as escavações de mineração nas partes elevadas do terreno. Hoje Catas Altas tem pouco mais de 5 mil habitantes, fica a 120 quilômetros de Belo Horizonte e foi cenário da minissérie "Se eu fechar os olhos agora", da Rede Globo. A cidade foi escolhida pelas gravações justamente pelo que preservou: casarões coloniais coloridos e a Serra do Caraça como pano de fundo permanente.
A praça que concentra três séculos de história num único ângulo
A Praça Monsenhor Mendes reúne num só olhar a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, os casarões coloniais e a Serra do Caraça ao fundo, com o Pico Catas Altas a 1.810 metros de altitude. O Casarão do Dr. Moreira funciona como espaço de exposições e artesanato. O prédio da Prefeitura, do século XVIII, pertenceu originalmente a Domingos Vieira da Silva, dono das minas de ouro mais produtivas da região.
O centro histórico na praça e no entorno inclui:
Igreja Matriz (1729 a 1780), com interior barroco do chão ao teto e pontos inacabados que revelam as etapas da obra;
Casarão do Dr. Moreira, com exposições e eventos culturais;
Casarão da Prefeitura, edifício do século XVIII restaurado e ainda em uso.
A Igreja Matriz tem uma particularidade que surpreende: metade da nave segue o padrão barroco e a outra tem estrutura diferente, resultado da época em que o espaço funcionava também como câmara municipal. A visitação é gratuita e funciona de sexta a domingo.


Casario histórico de Catas Altas com a Serra do Caraça ao fundo - Foto: Igor Souza


Casario colonial e veículo antigo em rua de pedra de Catas Altas, Minas Gerais - Foto: Igor Souza
O vinho que surgiu quando o ouro acabou
Quando as minas foram se esgotando, um padre transferido para o arraial ensinou a plantar uvas e produzir vinho. Em 1884, publicou um manuscrito com instruções de fabricação. Em 1889, surgiu o vinho de jabuticaba. Um jornal do Rio de Janeiro registrou naquele ano que havia "um vinho de jabuticaba, de Catas Altas, de um gosto singular."
Hoje a cidade tem a APROVART, associação que reúne os produtores. Os rótulos são encontrados nas adegas do centro e na Feira Sabores do Morro, realizada no segundo domingo de cada mês no distrito de Morro D'Água Quente. O que sai das adegas locais vai além do vinho de uva:
Vinhos de uva das Adegas Aluar e Discípulo, com produção desde o século XIX;
Fermentados de jabuticaba de produtores como Cantina Real, Dona Gercina, Imperial, Borba e Pé de Serra;
Geleias e licores de jabuticaba produzidos pelas mesmas famílias.
As cachoeiras que poucas pessoas associam ao nome da cidade
Catas Altas tem mais natureza do que o centro histórico deixa imaginar. A Cachoeira da Santa fica próxima à Praça da Matriz e tem queda de aproximadamente oito metros, com condições boas para banho.
A Cachoeira do Quebra Ossos, no Córrego do Mosquito, tem um poço de até 40 metros de comprimento, sendo uma das melhores para nadar com calma na região. Para quem quer trilhas mais longas, o Santuário do Caraça tem percursos variados e ingresso entre R$ 35 e R$ 45 dependendo do dia da semana.
+ Leia também: O cenário que você precisa visitar pelo menos uma vez na vida
Quando ir e o que esperar da cidade no dia a dia
Catas Altas funciona num ritmo que poucas cidades conseguem manter hoje. Os restaurantes servem almoço a partir das 11h e encerram por volta das 14h. Na mesa: frango com quiabo, feijão tropeiro e leitão à pururuca com ingredientes da região. O doce de jiló é outra iguaria local que merece atenção.
O calendário da cidade traz dois eventos que valem a viagem específica:
Festa do Vinho (maio): maior evento da cidade, com degustação dos rótulos locais, shows musicais e escolha da rainha do vinho;
Serra do Caraça Bier Fest (21 de abril): festival de cerveja artesanal com as principais cervejarias de Minas Gerais, gastronomia regional e artesanato.
Igor Souza
Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.


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