Roteiro de 1 dia em Bonfim, Minas Gerais: santuário de 1735, Cristo no alto do morro e cachoeira

Uma igreja rococó erguida no século 18, um Cristo que domina a paisagem e água calma no fim da tarde. Tudo a 90 km da capital mineira, sem precisar dormir fora

Escrito por:
Igor Souza

Publicado em:
21/08/2026

Monumento de Cristo, cruz e pequena capela em área elevada de Bonfim, MG, sob céu azul
Monumento de Cristo, cruz e pequena capela em área elevada de Bonfim, MG, sob céu azul

Monumento de Cristo, cruz e pequena capela em área elevada de Bonfim, MG, sob céu azul - Foto: Igor Souza

Uma igreja erguida em 1735 e um Cristo de braços abertos olhando a cidade de cima: é assim que Bonfim se apresenta a quem chega. O município fica a 90 quilômetros de Belo Horizonte, tem centro histórico compacto e não pede pernoite. Cabe num domingo, com tempo de percorrer o conjunto colonial, almoçar, tomar banho de cachoeira e voltar antes de escurecer. Abaixo, o passo a passo de um dia por lá.

Manhã: por que começar pelo santuário?

O Santuário Senhor do Bonfim foi erguido em 1735, em estilo rococó, e guarda acervo dos séculos 18 e 19. É o coração histórico e religioso do município, e a razão de a cidade ter esse nome. Quem entra encontra um conjunto colonial preservado, não reforma recente disfarçada de antiguidade.

O santuário não está sozinho: integra um conjunto que se percorre a pé, sem pressa. Fazem parte dele:

  • A Capela do Rosário;

  • A Capela Senhor dos Passos;

  • As cinco Capelas dos Passos da Paixão de Cristo.

Se a viagem for em agosto, o cenário muda por completo: acontece o Jubileu do Senhor do Bonfim, que atrai multidão de fiéis e enche as ruas.

O Cristo é a foto que todo mundo leva de lá

O Cristo Redentor de Bonfim está entre os pontos mais procurados da cidade e é presença marcante na paisagem. Fica no alto, o que resolve duas coisas de uma vez: o registro fotográfico e a visão geral do lugar antes de percorrer o resto.

Vale subir cedo, antes de o sol esquentar. De lá se entende a escala do município — centro pequeno, cercado de morro, com telhado colonial concentrado em poucas ruas. Depois disso, o restante do roteiro faz mais sentido.

Meio da manhã: o que mais existe no centro histórico?

Bonfim tem casario colonial de janelas coloridas, calçamento de pedra e construções que sobreviveram sem virar cenário montado. A Igreja Matriz de Santo Antônio é outra parada natural, e todo o percurso se resolve caminhando.

Há ainda o Mirante do Morro da Forca, listado pelo portal estadual de turismo entre os atrativos do município. Uma manhã dá conta de:

  • Santuário Senhor do Bonfim;

  • Capela do Rosário;

  • Igreja Matriz de Santo Antônio;

  • Mirante do Morro da Forca;

  • Cristo Redentor.

Onde a cidade almoça?

Aqui vai o aviso honesto: o portal oficial de turismo de Minas Gerais não registra opções de alimentação em Bonfim. Isso não significa que não haja comida boa — significa que não existe lista pronta para consultar antes de sair de casa.

Na prática, o almoço se resolve perguntando na praça ou no próprio santuário. É assim que funciona em cidade desse porte, e o resultado costuma superar qualquer indicação de internet. Um casarão histórico do centro abriga restaurante, e há casas de comida mineira que só aparecem para quem pergunta.

Tarde: a cachoeira fecha o dia

A Cachoeira de Macaúbas é o atrativo natural mais citado do município, com água calma e área para lazer ao ar livre. É o tipo de queda que funciona para família, não para quem procura trilha pesada ou aventura.

Antes de ir, resolva duas coisas:

  • Confirmar as condições de acesso, porque parte do caminho é estrada de terra;

  • Levar comida e água, já que não há comércio estruturado no local.

Se sobrar tempo, o interior do município rende

Bonfim tem povoados e comunidades rurais que valem o desvio. O Guedes fica a 6 quilômetros do centro e reúne chácaras e riachos. O distrito de Santo Antônio de Vargem Alegre tem igreja própria, também listada entre os atrativos oficiais.

Há ainda a Fazenda Palestina, construída no século 18 e considerada um dos patrimônios históricos mais relevantes da região. É o tipo de coisa que a maioria dos visitantes nem sabe que está ali.

+ Leia também: O cenário que você precisa visitar pelo menos uma vez na vida

Como chegar e quando ir?

O acesso é pela BR-381, no sentido São Paulo. Logo depois de descer a Serra de Igarapé, entra-se para o município de Rio Manso pela Rodovia Lúcio Urbano, seguindo a sinalização até Bonfim. São cerca de 90 quilômetros a partir da capital.

A data faz diferença. Agosto traz o Jubileu, com cidade cheia e clima de romaria. No carnaval, acontece o Carnaval a Cavalo, tradição local de desfile montado que atravessa gerações. Fora dessas duas épocas:

  • Cidade vazia e passeio tranquilo;

  • Cachoeira mais cheia no verão, entre novembro e março;

  • Ida e volta no mesmo dia, sem necessidade de hospedagem.

Igor Souza

Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.

Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare
Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare

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