Quer viajar pelo interior de Minas sem gastar muito? O destino rural perfeito para um bate e volta relaxante
Berço de uma raça de cavalo famosa em todo o Brasil, esse município guarda cachoeiras, ruínas coloniais e uma história de fé que atravessou décadas
Escrito por:
Igor Souza
Publicado em:
16/07/2026


Casa histórica em Entre Rios de Minas com fachada branca e amarela, janelas azuis e rua de pedras - Foto: Igor Souza
Para quem busca uma pausa rápida e barata fora da rotina, existe um município no Alto Paraopeba que reúne cachoeiras, fazendas históricas e uma calma típica de interior, sem exigir grandes deslocamentos nem orçamento robusto. Entre Rios de Minas tem origem ligada às expedições de Fernão Dias no final do século XVII e hoje funciona como um convite direto para quem quer desacelerar por um dia.
Como surgiu esse município tão ligado às bandeiras paulistas?
A história do lugar remonta às expedições que partiram em busca de riquezas minerais pelo chamado Sertão dos Cataguás, nome usado para a região antes da criação da capitania de Minas Gerais. O fundador oficial foi Pedro Domingues, sertanista remanescente da bandeira de Fernão Dias, que instalou um forte conhecido como Casa de Pedra do Gambá em um sítio cujas ruínas ainda existem até hoje.
A localização desse antigo forte fica na Serra do Gambá, próxima a um povoado chamado São José das Mercês, a cerca de treze quilômetros do centro da cidade atual. Essas ruínas, somadas a fazendas coloniais espalhadas pela região, formam um dos principais atrativos culturais para quem se interessa pela história da ocupação do interior mineiro.
Por que esse lugar também é conhecido por causa de uma raça de cavalo?
O município ficou conhecido nacionalmente como o berço do Cavalo Campolina, raça desenvolvida e selecionada na região e hoje reconhecida em todo o Brasil entre criadores e amantes de equitação. Essa tradição rural se reflete até nos nomes de construções históricas locais, como o antigo hospital que leva o nome da família responsável pela criação da raça.
A vocação agropecuária segue forte até hoje, sustentada por diferentes frentes de produção que ajudam a explicar a economia local:
Pecuária leiteira, atividade tradicional da região;
Produção de milho;
Cachaça artesanal, bastante conhecida fora do município.
Essa combinação entre tradição rural e produção local é parte do que torna o município um destino interessante para quem busca contato direto com o estilo de vida do interior mineiro.
Existe alguma história de fé que marcou a cidade?
Sim, e ela ainda atrai curiosidade de visitantes até hoje. A partir dos anos 1930, uma jovem simples chamada Manoelina Maria de Jesus passou a receber pessoas de diferentes regiões do país em busca de curas e bênçãos, depois de relatos de que havia sido curada de tuberculose ainda na adolescência.
A repercussão de suas atividades acabou levando a família a se mudar para outra cidade em 1931, onde Manoelina viveu até falecer em 1960. Mesmo décadas depois, sua história permanece associada ao município, sendo lembrada por moradores e visitantes interessados nessa parte da tradição religiosa local.
Quais cachoeiras valem a pena conhecer em um bate e volta?
A região reúne diversas quedas d'água a curtas distâncias do centro, o que facilita bastante a logística de quem tem apenas um dia disponível para o passeio. A maioria delas oferece poços naturais, ideais para quem busca refrescar durante os meses mais quentes do ano.
Entre as opções mais procuradas pelos visitantes, vale destacar algumas com distâncias e características diferentes:
Cachoeira dos Coqueiros, a cerca de 12 quilômetros do centro;
Cachoeira do Gordo, a aproximadamente 18 quilômetros, próxima a Lagoa Dourada;
Cachoeira da Mata, a 16 quilômetros, com alguma estrutura de apoio ao visitante.
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O que mais compõe o roteiro histórico e cultural do município?
Além das cachoeiras, o centro da cidade reserva atrativos arquitetônicos que valem a visita antes ou depois do contato com a natureza. A Igreja Matriz de Nossa Senhora das Brotas, construída em 1928 com influências neogóticas, é um dos principais pontos de referência arquitetônica do município.
Para quem decide reservar um dia inteiro de passeio, alguns pontos ajudam a montar um roteiro completo pela cidade:
Igreja Matriz de Nossa Senhora das Brotas;
Prédio histórico do antigo Hospital Cassiano Campolina;
Ruínas da Casa de Pedra do Gambá;
Praças e ruas centrais com casarões conservados.
Com cachoeiras próximas, história documentada desde o período das bandeiras e uma estrutura simples de turismo rural, esse é o tipo de destino que cabe tanto no bolso quanto na agenda de quem só tem um dia livre para fugir da rotina.
Igor Souza
Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.


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