Quanto custa um domingo em Mariana saindo de BH
Concerto de órgão do século 18, mina de ouro que só aceita dinheiro vivo e transporte municipal de graça. A conta de um domingo na primeira capital de Minas, item por item
Escrito por:
Igor Souza
Publicado em:
01/08/2026


Igrejas de São Francisco de Assis e Nossa Senhora do Carmo na Praça Minas Gerais, em Mariana, MG - Foto: Igor Souza
Um domingo na primeira capital de Minas pode custar menos de cem reais ou passar de trezentos — e a diferença quase toda está em duas decisões. Mariana fica a 112 quilômetros de Belo Horizonte, pouco mais de duas horas de carro pela BR-040 e depois pela BR-356. Abaixo, a conta aberta, com os valores de referência de cada parada e os dois detalhes que fazem gente boa passar aperto na bilheteria.
O que dá para fazer sem gastar nada?
Bastante coisa, e essa é a boa notícia. O centro histórico é plano, tombado e se percorre inteiro a pé, sem bilheteria em nenhum ponto. A Praça Minas Gerais concentra o conjunto barroco mais fotografado da cidade, com as igrejas gêmeas de São Francisco de Assis e do Carmo e o pelourinho no meio.
Some-se a isso um detalhe que quase ninguém sabe e que economiza dinheiro de verdade: o transporte público municipal de Mariana opera com tarifa zero. Ou seja, quem chega de ônibus não paga nada para circular. De graça, ainda:
Praça Minas Gerais e o conjunto das igrejas gêmeas;
Pelourinho;
Rua Direita e o casario colonial;
Mirantes do centro;
Ônibus municipal.
O concerto de órgão é a parada de domingo
Este é o motivo de ir num domingo, e não num sábado. A Catedral da Sé guarda um órgão alemão Arp Schnitger da primeira década do século 18, que chegou a Mariana em 1753 como presente do rei Dom João V ao primeiro bispo de Minas. É um dos poucos do mundo ainda em funcionamento.
Os concertos acontecem às sextas, às 11h30, e aos domingos, às 12h15. Duram 45 minutos. Valores de referência (sugerimos que vocês confiram os valores, pois pode haver alterações):
R$ 30 a inteira;
R$ 15 a meia;
R$ 40 para quem quiser contribuir com o projeto.
Duas regras rígidas: não se entra depois do início, mesmo com ingresso na mão, e menores de 5 anos não são admitidos.
Quanto custa ver arte sacra de verdade?
O Museu Arquidiocesano de Arte Sacra reúne um dos acervos coloniais mais importantes do país, com peças dos séculos 18 e 19 — inclusive obras atribuídas a Aleijadinho e a Mestre Ataíde. Fica num edifício de 1770.
O ingresso, na faixa de R$ 15, dá acesso ao museu e ao Centro Cultural Arquidiocesano. Estudantes, professores e maiores de 60 anos pagam meia. Moradores de Mariana e dos distritos entram de graça o ano inteiro.
A Mina da Passagem tem uma pegadinha séria
Esta é a informação que mais salva o passeio de quem nunca foi: a bilheteria da mina aceita exclusivamente dinheiro em espécie. Não aceita cartão de crédito, débito nem PIX. E os caixas eletrônicos mais próximos ficam no centro de Mariana, a 5 minutos, ou em Ouro Preto, a 15 — o que num domingo pode virar problema.
O ingresso é único, individual e vendido só na bilheteria local, com meia-entrada nas categorias previstas em lei e gratuidade para crianças de até 5 anos. Antes de sair de casa:
Consulte o valor atualizado, porque ele muda sem aviso;
Saque o total em dinheiro ainda em BH;
Considere que o pagamento vale por pessoa, sem pacote.
E o trem para Ouro Preto, ainda existe?
Aqui vai o aviso que derruba muito roteiro copiado de blog antigo. O passeio de trem entre Mariana e Ouro Preto, operado pela Vale num trecho de 18 quilômetros, está fora de operação desde 2020 e não tinha data de retorno nos últimos relatos. Quem planeja o domingo contando com ele se frustra na estação.
Quando funcionava, a viagem levava cerca de 45 minutos e custava entre R$ 50 e R$ 70, conforme o vagão. Vale confirmar a situação antes de viajar — mas o plano B é simples: os 12 quilômetros até Ouro Preto se resolvem de carro ou ônibus.
Fechando a conta do domingo
Somando o que é fixo e o que é escolha, a matemática fica assim. O centro histórico não custa nada. O concerto de órgão sai por R$ 30. O museu, por R$ 15. A mina é o item que mais pesa e o único que exige dinheiro vivo.
Um domingo econômico, portanto, resolve-se com combustível, almoço e cerca de R$ 45 de ingressos. Um domingo completo, com a mina incluída, sobe bastante. A conta a fazer antes de sair:
Combustível de ida e volta, para 224 km;
Almoço no centro;
Concerto: R$ 30;
Museu: R$ 15;
Mina da Passagem: em dinheiro, valor a confirmar.
+ Leia também: O cenário que você precisa visitar pelo menos uma vez na vida
Vale a pena mesmo com o trem parado?
Vale, e talvez até mais. Sem o trem, o domingo se concentra em Mariana, o que é bom: a cidade costuma ser tratada como apêndice de Ouro Preto e sai perdendo. Ali estão a primeira capital de Minas, um órgão do século 18 tocado toda semana e um centro que se atravessa em vinte minutos.
O roteiro que funciona é simples: chegar cedo, caminhar pelo centro, entrar no museu, assistir ao concerto ao meio-dia e decidir depois do almoço se a mina entra ou não. Com dinheiro no bolso — literalmente.
Igor Souza
Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.


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