Projetado por um paisagista francês, o Parque Municipal de BH nasceu com o sonho de ser o maior parque urbano da América Latina

Um paisagista estrangeiro sonhou em criar o maior parque urbano da América Latina, mas a cidade cresceu mais rápido do que o projeto original previa

Escrito por:
Igor Souza

Publicado em:
21/09/2026

Em pleno centro de Belo Horizonte, um projeto assinado por um paisagista francês tentou criar, ainda no século 19, o maior parque urbano da América Latina. O Parque Municipal foi inaugurado em 1897, no mesmo ano em que a cidade nasceu como capital de Minas Gerais, e carrega até hoje marcas desse plano ambicioso. A promessa de grandeza não se cumpriu por completo, mas o espaço segue como um dos pontos mais frequentados do centro da cidade, quase 130 anos depois da inauguração.

Quem foi o paisagista francês por trás do Parque Municipal de BH?

O projeto paisagístico ficou a cargo do francês Paul Villon, contratado para desenhar as áreas verdes da nova capital planejada pelo engenheiro Aarão Reis. A ideia fazia parte de um plano urbanístico mais amplo, que previa avenidas largas e espaços públicos alinhados aos modelos europeus da época. Villon aplicou ao parque soluções comuns aos jardins do período, entre elas:

  • Lagos artificiais com espelho d'água;

  • Trilhas sinuosas entre áreas arborizadas.

A escolha por um profissional estrangeiro reforçava o desejo de dar à nova capital um cartão de visitas moderno, alinhado ao que se via em cidades europeias na virada do século 19 para o 20.

Por que o parque nasceu com a ambição de ser o maior da América Latina?

Quando foi planejado, o Parque Municipal fazia parte de um projeto de cidade pensado para crescer rapidamente. Os idealizadores da nova capital queriam um espaço verde à altura da ambição de transformar Belo Horizonte em uma metrópole moderna, e o parque surgiu como símbolo desse projeto.

A extensão inicial reservada para a área verde era bem maior do que a que existe hoje. Com o passar das décadas, o crescimento da cidade e a valorização dos terrenos ao redor reduziram o espaço originalmente destinado ao parque, processo que se repetiu em outras capitais brasileiras planejadas na mesma época, também pensadas para crescer além do desenho inicial.

Lago com quiosque e vegetação no Parque Municipal Américo Renné Giannetti, em Belo Horizonte, MG
Lago com quiosque e vegetação no Parque Municipal Américo Renné Giannetti, em Belo Horizonte, MG

Lago com quiosque e vegetação no Parque Municipal Américo Renné Giannetti, em Belo Horizonte, MG - Foto: Igor Souza

Pedalinhos em formato de cisne no lago do Parque Municipal Américo Renné Giannetti, em BH
Pedalinhos em formato de cisne no lago do Parque Municipal Américo Renné Giannetti, em BH

Pedalinhos em formato de cisne no lago do Parque Municipal Américo Renné Giannetti, em BH - Foto: Igor Souza

O parque perdeu área ao longo da expansão urbana de BH

O Parque Municipal ocupa hoje uma fração do terreno originalmente imaginado para ele. Ao longo do século 20, avenidas, prédios e outros equipamentos públicos foram construídos nas bordas da área verde, reduzindo o espaço disponível para o que havia sido projetado como um grande espaço aberto para a cidade.

Mesmo reduzido, o parque continua sendo uma referência de área verde no centro de Belo Horizonte, cercado por construções que mostram como a cidade cresceu ao redor dele. Entre as mudanças registradas ao longo dos anos estão:

  • Redução da área total em relação ao projeto original;

  • Construção de avenidas e prédios nas proximidades;

  • Instalação de equipamentos culturais na região central;

  • Valorização imobiliária dos terrenos no entorno do parque.

O que fazer hoje dentro do Parque Municipal?

Apesar da redução de área, o Parque Municipal mantém atrativos que seguem atraindo moradores e turistas. Árvores antigas, um lago com pedalinhos e quiosques espalhados pelo terreno compõem o cenário de um dos poucos espaços verdes de grande porte na região central da cidade.

O parque também recebe eventos culturais ao longo do ano e fica perto de pontos como a Feira de Arte e Artesanato da Avenida Afonso Pena, realizada aos domingos. Entre as atividades mais procuradas por quem visita o local estão:

  • Passeio de pedalinho pelo lago artificial;

  • Caminhada à sombra das árvores centenárias;

  • Visita aos quiosques e áreas de descanso;

  • Participação em eventos culturais organizados no espaço;

  • Fotos na arquitetura remanescente do projeto original.

+ Leia também: O cenário que você precisa visitar pelo menos uma vez na vida

Por que o parque é tombado como patrimônio histórico?

O valor histórico do Parque Municipal levou ao tombamento do espaço, o que garante proteção legal contra descaracterizações do projeto original. Esse reconhecimento considera tanto o desenho paisagístico quanto o papel do parque na formação da identidade urbana de Belo Horizonte.

Ser tombado significa que qualquer intervenção no espaço passa por avaliação prévia, o que ajuda a preservar elementos como o traçado dos caminhos, o lago e parte da vegetação original. Essa proteção é um dos motivos pelos quais o parque ainda guarda características do projeto assinado pelo paisagista francês mais de um século atrás, mesmo depois de tantas mudanças na paisagem ao redor.

Igor Souza

Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.

Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare
Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare

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