Por que esse destino virou o destino favorito para quem quer ficar "off-line" de verdade
Montanhas, lagoa, cachoeiras e pouca pressa explicam por que esse vilarejo virou escolha de quem quer se afastar do barulho
Escrito por:
Igor Souza
Publicado em:
23/06/2026


Lagoa da Lapinha da Serra com montanhas refletidas na água em Minas Gerais - Foto: @praondevou
Lapinha da Serra não entrega aquela viagem cheia de compromissos marcados. O povoado, no município de Santana do Riacho, fica a cerca de 140 km de Belo Horizonte e tem uma rotina guiada por trilha, lagoa, conversa, comida simples e silêncio. É por isso que tanta gente vai até lá para se desligar da pressa.
Por que Lapinha da Serra combina com desconexão?
O primeiro motivo é o próprio tamanho do lugar. O turismo oficial de Minas descreve Lapinha da Serra como uma localidade pequena, com cerca de 300 habitantes, onde agricultura de subsistência, turismo e cultura local ainda fazem parte da rotina.
Não é uma viagem feita para “render” o tempo todo. O que marca a experiência é justamente a ausência de excesso. Em vez de grandes centros comerciais e agenda cheia, o visitante encontra uma lógica mais simples:
caminhar sem pressa;
escolher uma cachoeira por dia;
passar tempo perto da represa.
A represa organiza o ritmo do povoado
A Represa da Lapinha da Serra é uma das referências mais fortes do destino. Seu nome original é Represa da Usina Coronel Américo Teixeira, e a construção começou na década de 1950. Hoje, é um dos lugares mais procurados por quem visita o povoado.
Ela fica perto da área central e permite aquele tipo de passeio que não depende de muita explicação. Dá para caminhar até a margem, observar o movimento da água e deixar o dia passar com menos pressa. A paisagem faz parte do roteiro, mas o ritmo é o principal.
O que fazer sem transformar a viagem em maratona?
A melhor escolha em Lapinha da Serra é não tentar preencher todos os horários. A região tem cachoeiras, picos, grutas, lagoas, rios e trilhas, mas o excesso de pontos no mesmo dia tira justamente o que o destino tem de mais valioso.
Para uma primeira viagem, o ideal é montar uma programação enxuta e verificar acessos antes de sair. Alguns atrativos aparecem entre os mais citados pelo turismo oficial:
Cachoeira do Bicame;
Cachoeira do Lajeado;
Cachoeira do Rapel;
Cachoeira do Paraíso.
As trilhas pedem preparo, não improviso
Lapinha da Serra também é ponto de partida para caminhadas conhecidas, como a Travessia Lapinha x Tabuleiro. O percurso liga o povoado à região de Tabuleiro, em Conceição do Mato Dentro, e pode variar de um a três dias, dependendo do preparo físico.
Quem não tem experiência deve evitar decisões de última hora. Em áreas mais longas ou afastadas, o ideal é buscar orientação local, conferir clima, levar água e respeitar o próprio limite. O roteiro fica melhor quando a natureza é tratada com responsabilidade:
confirme a distância antes de sair;
use calçado adequado;
considere contratar condutor ambiental;
avise alguém sobre o trajeto;
volte com luz do dia.
Por que o sinal fraco virou parte da experiência?
Em muitos destinos, a falta de conexão vira reclamação. Em Lapinha da Serra, ela ajuda a explicar a fama. Mesmo quando há internet em hospedagens ou comércios, a viagem convida a reduzir o uso do celular e prestar atenção ao lugar.
Esse “ficar fora” não precisa ser radical. Pode ser apenas passar algumas horas sem responder mensagens, caminhar até a represa, almoçar com calma ou dormir mais cedo. A desconexão aqui acontece mais pelo ambiente do que por uma regra imposta.
A cultura local também segura o visitante no presente
Lapinha não é só paisagem. O turismo oficial cita festejos religiosos, festas juninas e o Batuque da Lapinha, manifestação tradicional realizada pelos moradores, com dança, palmas, tambor, pandeiro e viola. Essa presença cultural ajuda o visitante a perceber que existe vida local além dos atrativos naturais.
Quando a viagem coincide com alguma celebração, vale acompanhar com respeito. Não é espetáculo montado apenas para turista. É parte da identidade do povoado, e isso muda a forma de olhar para as ruas, as casas e as pessoas.
+ Leia também: O cenário que você precisa visitar pelo menos uma vez na vida
Vale ir para descansar ou para fazer trilha?
Lapinha da Serra serve para os dois perfis, mas não ao mesmo tempo se a viagem for curta. Quem quer descanso deve escolher pousada, represa, centro e uma cachoeira de acesso mais simples. Quem quer trilha precisa reservar mais tempo e se preparar melhor.
O destino virou favorito para se desconectar porque não força entretenimento o tempo inteiro. Ele oferece espaço, água, serra, caminhada e silêncio. Para muita gente, isso já é raro o bastante para justificar a estrada.
Igor Souza
Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.


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