Pinturas rupestres de 7 mil anos e 20 cachoeiras: conheça Barão de Cocais (MG)
Nessa cidade a 90 km de Belo Horizonte, pinturas pré-históricas, igrejas do século XVIII e dezenas de cachoeiras dividem o mesmo roteiro. Poucos sabem disso
Escrito por:
Igor Souza
Publicado em:
13/07/2026
Barão de Cocais está a cerca de 90 quilômetros de Belo Horizonte e acumula três camadas de história em menos de um final de semana: registros pré-históricos que antecedem qualquer civilização europeia no Brasil, igrejas barrocas com obras atribuídas ao Aleijadinho e ao Mestre Ataíde, e cerca de 27 cachoeiras espalhadas pela Serra do Espinhaço. A cidade integra a Estrada Real e o Circuito do Ouro, mas ainda escapa dos roteiros mais movimentados do turismo em Minas Gerais.
O que são as pinturas rupestres da Pedra Pintada?
O Sítio Arqueológico da Pedra Pintada, localizado no distrito de Cocais, guarda 122 pinturas rupestres feitas com pigmentos minerais à base de ferro e divididas em três painéis. Os registros datam de 6 mil a 10 mil anos, tornando o local um dos mais antigos da presença humana em Minas Gerais. O primeiro estudioso a identificar o valor cultural das pinturas foi o paleontólogo dinamarquês Peter Wilhelm Lund, no século XIX.
As gravuras registram animais, lanças e pontas de flecha. O que aparece nos paredões inclui:
Mamíferos, aves e peixes desenhados com pigmentos em vermelho, ocre, amarelo, negro, branco e alaranjado;
Lanças e pontas de flechas que indicam práticas de caça do período;
Figuras executadas com as mãos ou com pincéis, distribuídas em três grandes painéis de rocha.
O sítio está em área particular, aberto à visitação mediante pagamento de uma pequena taxa, próximo à Serra da Conceição, a 3,5 km do centro de Cocais.
As igrejas barrocas de Barão de Cocais são patrimônio tombado pelo IPHAN
O Santuário de São João Batista, cuja construção teve início em 1764, é considerado o primeiro projeto arquitetônico do Aleijadinho. A planta original veio de Lisboa em 1762, mas não foi aprovada, e a encomenda das modificações ao artista resultou numa fachada com torres posicionadas diagonalmente em relação ao corpo da igreja, solução incomum para o período. O forro em madeira do interior é atribuído ao Mestre Ataíde e representa o batismo de Jesus. Os altares são folheados a ouro.
A cidade reúne um conjunto de edificações religiosas tombadas que atravessaram séculos:
Santuário de São João Batista (construção iniciada em 1764): primeiro projeto arquitetônico do Aleijadinho, tombado pelo IPHAN, com pintura do teto atribuída ao Mestre Ataíde;
Igreja de Nossa Senhora Mãe Augusta do Socorro (1737): a mais antiga do município, com decoração original em estilo rococó, considerada a representação mais antiga desse estilo em Minas Gerais;
Igreja de Sant'Ana (segunda metade do século XVIII, distrito de Cocais): tombada pelo IPHAN em 1939, com talha dourada em três altares e imagem de Nossa Senhora trazida de Portugal.


Cachoeira de Cocais em Minas Gerais com quedas d’água, paredões rochosos e poço natural - Foto: Igor Souza


Igreja Matriz de Cocais em Minas Gerais com fachada colonial, torres amarelas e detalhes históricos - Foto: Igor Souza
Barão de Cocais tem mais cachoeiras do que a maioria imagina
A cidade conta com cerca de 27 quedas d'água. A Cachoeira da Cambota fica a 6 km do centro, no córrego São Miguel, e forma vários saltos ao longo do seu curso, com piscinas naturais e duchas, numa área circundada por mata de galeria com orquídeas e samambaias. A Cachoeira Água Fria tem queda de aproximadamente 30 metros e é uma das de acesso mais fácil.
No distrito de Cocais, a Cachoeira da Pedra Pintada tem queda livre de 30 metros e pode ser acessada por trilha a partir do próprio sítio arqueológico. É possível combinar as duas atrações num mesmo passeio a pé.
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O distrito de Cocais é uma parada à parte no roteiro
A Vila Colonial de Cocais, a 14 km da sede do município pela MG-436, tem ruas de paralelepípedos, casarões com mais de 200 anos e um ritmo de vilarejo colonial que pouca coisa altera. É lá que estão o sítio arqueológico, a Igreja de Sant'Ana e a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, construída em 1855 com elementos do barroco e do neoclássico e tombada pelo IPHAN.
A Serra do Garimpo, por sua vez, oferece vistas panorâmicas de onde é possível avistar seis cidades vizinhas e serve de cenário para a prática de esportes de aventura. A competição de highline realizada na região já registrou uma linha de 750 metros, que estabeleceu um recorde sul-americano no local.
Igor Souza
Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.


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