Piedade do Paraopeba: A apenas 40 km da capital, caminhe por ruazinhas de um arraial de 1674

Mais antigo que Ouro Preto, Mariana e Sabará, esse pequeno arraial guarda uma igreja com imagem trazida de Portugal em uma liteira no século XVIII

Escrito por:
Igor Souza

Publicado em:
24/08/2026

Igreja histórica de Piedade do Paraopeba cercada por palmeiras e área verde, distrito de Brumadinho
Igreja histórica de Piedade do Paraopeba cercada por palmeiras e área verde, distrito de Brumadinho

Igreja histórica de Piedade do Paraopeba cercada por palmeiras e área verde, distrito de Brumadinho, MG - Foto: Igor Souza

Pertinho de Belo Horizonte, no sopé da Serra da Moeda, existe um pequeno arraial cuja história começou antes mesmo das cidades históricas mais famosas de Minas Gerais. Piedade do Paraopeba, distrito de Brumadinho, tem origem ligada à passagem dos bandeirantes pela região por volta de 1674, o que o torna mais antigo que Ouro Preto, Mariana e Sabará, e ainda preserva ruas tranquilas, casario colonial e uma forte tradição religiosa.

O que faz desse arraial um dos mais antigos de Minas?

A ocupação da região remonta à grande expedição comandada pelo bandeirante Fernão Dias Paes Leme, que partiu de São Paulo em 1674 em busca de metais preciosos. Foi nesse contexto que surgiram, no Vale do Rio Paraopeba, alguns dos primeiros núcleos de povoamento do território que viria a formar Minas Gerais, anteriores ao auge da corrida pelo ouro.

O próprio nome do lugar carrega marcas dessa antiguidade e das raízes indígenas da região. Vale conhecer alguns elementos que ajudam a entender a importância histórica do arraial:

  • A palavra Paraopeba tem origem tupi e significa algo como "rio do peixe chato";

  • O povoado funcionava como ponto de abastecimento e pouso de viajantes;

  • Dali saíam alimentos como feijão, milho e mandioca para os exploradores;

  • A região servia de caminho para quem seguia rumo a Ouro Preto e Mariana.

Por que a igreja matriz é tão importante para o lugar?

O principal símbolo do arraial é a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Piedade, cuja capela primitiva já existia na primeira metade do século XVIII. Os terrenos e a edificação foram doados por um morador local em 1729, e a devoção à padroeira se tornou o centro da vida comunitária ao longo dos séculos seguintes.

Um detalhe curioso reforça o valor histórico do templo: a imagem que ocupa o altar-mor foi entalhada em madeira e adquirida diretamente em Portugal em 1731. Ela chegou ao antigo arraial transportada em uma liteira, ocupando seu lugar de honra na pequena capela que mais tarde se transformaria em uma das imponentes edificações religiosas da arquitetura colonial mineira.

Que outras marcas do passado o arraial preserva?

Além da matriz, o distrito guarda outra construção religiosa de grande significado: a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, erguida pela população negra escravizada e por libertos da região. Esse conjunto reforça o papel central da fé na formação e na identidade da comunidade ao longo dos séculos.

As tradições culturais seguem vivas até hoje, mantidas de geração em geração pelos moradores. Entre as manifestações que ainda movimentam o calendário local, destacam-se:

  • As festas religiosas dedicadas à padroeira;

  • O congado, expressão da cultura afro-brasileira;

  • As apresentações da histórica Banda São Sebastião.

Como o turismo se desenvolveu nessa região tão preservada?

Mesmo tão próximo da capital, o distrito manteve grande parte de sua paisagem natural intacta, encravado em um dos trechos remanescentes de Mata Atlântica da região. Essa combinação entre história e natureza preservada transformou o lugar em um destino voltado ao turismo rural e de base comunitária, com forte participação dos próprios moradores.

A vila tornou-se também um centro de romaria para devotos da padroeira, atraindo visitantes interessados tanto na religiosidade quanto na tranquilidade do interior. Para quem decide passar o dia explorando a região, há diferentes atrativos espalhados pelo entorno:

  • Casarões coloniais preservados no centro histórico

  • Alambiques que produzem cachaça artesanal;

  • Mirantes com vista para a Serra da Moeda;

  • Pousadas com estrutura para descanso;

  • Restaurantes com culinária típica mineira.

+ Leia também: O cenário que você precisa visitar pelo menos uma vez na vida

Vale a pena reservar um dia para conhecer esse arraial?

Sim, especialmente para quem busca uma experiência genuína de interior sem precisar se afastar muito da capital. O acesso é feito principalmente pela BR-040, com trajeto de cerca de uma hora a partir de Belo Horizonte, o que torna o passeio viável até para um simples bate e volta de fim de semana.

Caminhar pelas ruas estreitas desse arraial é, de certa forma, percorrer um dos capítulos mais antigos da história de Minas Gerais, anterior ao próprio ciclo do ouro que tornou famosas as grandes cidades coloniais. Entre igrejas centenárias, tradições religiosas vivas e a paisagem da Serra da Moeda ao fundo, esse pequeno distrito entrega exatamente o tipo de viagem no tempo que muita gente procura sem saber que ela está tão perto.

Igor Souza

Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.

Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare
Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare

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