Pertinho de Ouro Preto, um cânion virou um dos destinos mais fotografados de Minas
Um paredão de rocha esculpido por vento e chuva ganhou uma passarela suspensa e virou point de fotos no interior mineiro. Veja como visitar com segurança
Escrito por:
Igor Souza
Publicado em:
02/08/2026
Um cânion recortado em quartzito, com uma passarela suspensa sobre a fenda de rocha, vem se firmando como um dos cenários mais compartilhados de Minas Gerais nos últimos meses. Fica no distrito de Santo Antônio do Salto, a poucos quilômetros do centro histórico de Ouro Preto, e reúne os elementos que costumam render boas fotos: linhas de rocha, um trecho suspenso e uma paisagem pouco comum para quem está acostumado com cachoeiras e trilhas na mata.
Onde fica o cânion que virou point de fotografia perto de Ouro Preto?
O Cânion do Funil está localizado no distrito de Santo Antônio do Salto, que pertence ao município de Ouro Preto e fica na região da Serra do Espinhaço. O trajeto até lá já é considerado parte da experiência, já que passa por paisagens de serra pouco urbanizadas. No percurso pela passarela, a vista se divide entre dois elementos bem diferentes:
De um lado, o cânion recortado na rocha;
Do outro, o canal de água que abastece uma das usinas da região.
Essa combinação incomum, entre paisagem natural e estrutura de geração de energia, é um dos motivos que tornam o passeio tão fotografado.
A geologia é o que garante o visual que rende tantas fotos
O cânion é formado por blocos de quartzito, rocha bastante resistente à erosão, que ao longo de muito tempo foi esculpida pelo vento e pela chuva. Esse processo criou as seguintes características na paisagem:
Fendas estreitas e profundas na rocha;
Blocos de pedra com formas irregulares;
Campos rupestres no entorno do cânion;
Ausência quase completa de vegetação densa em alguns trechos.
O resultado é um cenário com cores minerais e texturas que fogem do padrão verde das paisagens mais comuns em Minas Gerais, o que explica boa parte do apelo visual registrado nas fotos que circulam nas redes.
Por que a passarela é o grande atrativo das imagens?
A estrutura suspensa foi instalada por iniciativa privada para permitir que os visitantes atravessem o cânion com segurança, sem depender de descidas arriscadas até o fundo da fenda. O trajeto pela passarela soma cerca de 1,5 quilômetro.
É justamente essa passagem elevada, com o vazio da rocha embaixo dos pés, que rendeu ao lugar boa parte da fama recente. A sensação de estar suspenso sobre o cânion é o principal motivo pelo qual o local virou destino de fotógrafos e criadores de conteúdo.


Passarela ao lado do canal no Cânion do Funil, cercada por montanhas em Ouro Preto, MG - Foto: Igor Souza


Passarela sob paredão rochoso no Cânion do Funil, cercada por mata em Ouro Preto, MG - Foto: Igor Souza
Como chegar e o que saber antes da visita?
O acesso ao cânion é feito por estradas de terra e trechos de trilha, o que exige atenção redobrada em dias de chuva. Não existe estrutura comercial no local, então a recomendação é se planejar com antecedência. Antes de sair de casa, vale considerar estes pontos:
Veículo com tração reforçada, principalmente no período chuvoso;
Entrada gratuita, mas passeios guiados têm custo à parte;
Ausência de restaurantes ou lanchonetes no local;
Proibição de banho, já que o cânion é voltado à contemplação;
Roupas e calçados adequados para caminhada em terreno irregular.
Reunir esses cuidados antes de sair evita imprevistos no meio do caminho, já que o suporte disponível na região ainda é praticamente inexistente.
A trilha é difícil?
A dificuldade varia bastante conforme o percurso escolhido, já que existem opções mais leves e trajetos mais longos voltados para quem busca uma caminhada mais exigente. A escolha costuma depender do preparo físico e da disponibilidade de tempo do visitante.
Em dias de chuva, o terreno fica mais escorregadio e a caminhada exige ainda mais cuidado. Por isso, contratar um guia especializado é uma recomendação recorrente entre quem já visitou o cânion, tanto pela segurança quanto para não se perder no acesso.
+ Leia também: O cenário que você precisa visitar pelo menos uma vez na vida
O distrito ao redor também guarda uma vida simples que vale conhecer
Antes de qualquer fama recente, Santo Antônio do Salto já levava sua rotina de um jeito bem particular:
Ruas de terra e casas simples integradas à paisagem;
Ausência de placas turísticas ou estrutura voltada ao visitante;
Cuidados básicos de preservação, como não deixar lixo e não danificar as formações rochosas.
Essa simplicidade faz parte do que atrai quem procura o cânion hoje. Conhecer o distrito é também uma forma de valorizar uma comunidade que segue vivendo de um jeito distante da agitação que a fama nas redes sociais costuma trazer.
Igor Souza
Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.


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