Parte do Quadrilátero Ferrífero, Morro do Pilar guarda uma das maiores reservas minerais do mundo

Uma cidade de poucos milhares de habitantes esconde no subsolo uma riqueza mineral capaz de abastecer o mundo por décadas

Escrito por:
Igor Souza

Publicado em:
11/08/2026

Igreja Matriz de Morro do Pilar com torre central e palmeiras sob céu nublado, em Morro do Pilar, MG
Igreja Matriz de Morro do Pilar com torre central e palmeiras sob céu nublado, em Morro do Pilar, MG

Igreja Matriz de Morro do Pilar com torre central e palmeiras sob céu nublado, em Morro do Pilar, MG - Foto: Igor Souza

Uma cidade de cerca de 3 mil habitantes concentra, no subsolo, uma das maiores reservas de minério de ferro já certificadas no mundo. Morro do Pilar está situado na Serra do Espinhaço, no prolongamento setentrional do Quadrilátero Ferrífero, região que também guarda o registro da primeira fábrica de ferro construída no Brasil. Entre ruínas históricas e um projeto de mineração bilionário, o município reúne dois momentos distintos da relação de Minas Gerais com o minério.

Onde fica Morro do Pilar dentro do contexto geológico de Minas Gerais?

O município está localizado na Serra do Espinhaço Meridional, cerca de 150 quilômetros a nordeste de Belo Horizonte. A região se conecta geologicamente ao Quadrilátero Ferrífero, formação que reúne algumas das maiores concentrações de minério de ferro do planeta, estendendo-se para o norte até a altura de Olhos d'Água, onde incorpora o depósito encontrado em Morro do Pilar.

As rochas predominantes na área são os itabiritos, formação ferrífera bandada que caracteriza boa parte do Quadrilátero Ferrífero e de sua extensão setentrional. Essa continuidade geológica explica por que a região concentra tantos projetos de mineração. Alguns elementos situam Morro do Pilar dentro desse cenário mais amplo:

  • a localização na Serra do Espinhaço Meridional;

  • a distância de aproximadamente 150 km de Belo Horizonte;

  • a presença de itabiritos, rochas típicas das formações ferríferas da região;

  • a conexão geológica direta com o Quadrilátero Ferrífero.

Qual é o tamanho da reserva mineral encontrada na região?

Estudos realizados na área identificaram uma reserva de minério de ferro estimada em 2,69 bilhões de toneladas, associada à ocorrência de itabiritos. Desse total, mais de 1,6 bilhão de toneladas já foram classificadas como recursos certificados, com teor de ferro de 68,5% e baixo nível de contaminantes.

Esses números vêm de um extenso programa de sondagem, com perfurações que ultrapassaram 100 mil metros em mais de 300 furos. Com base nesse levantamento, o projeto de mineração planejado para a área prevê os seguintes parâmetros:

  • produção estimada de 25 milhões de toneladas por ano de pellet feed de alta qualidade;

  • vida útil da mina projetada em mais de 20 anos;

  • teor médio de ferro de 68,5%, com baixos níveis de contaminantes;

  • mais de 300 furos de sondagem ao longo de mais de 100 mil metros perfurados.

Morro do Pilar já foi berço da siderurgia nacional

Antes de se tornar protagonista de um projeto moderno de mineração, Morro do Pilar já havia sido palco de um marco histórico da indústria brasileira. Em 1809, Manoel Ferreira da Câmara Bittencourt e Sá, então intendente dos diamantes da Comarca do Serro Frio, idealizou a construção da primeira fábrica de ferro do país, autorizada pelo então príncipe regente Dom João VI.

A fábrica funcionou entre 1815 e 1830, período em que a região se consolidou como um dos primeiros polos siderúrgicos do Brasil. Anos depois, as ruínas foram restauradas pela mineradora Anglo American, hoje reunidas em um monumento aberto ao público. Alguns marcos resumem essa trajetória:

  • 1809: idealização da fábrica por Manoel Ferreira da Câmara;

  • autorização concedida por Dom João VI;

  • funcionamento da fábrica entre 1815 e 1830;

  • restauração das ruínas pela Anglo American, reunidas no Monumento ao Intendente Câmara.

Como começou a ocupação da região?

A origem do povoado remonta a 1701, quando o bandeirante paulista Gaspar Soares encontrou ouro no alto de um morro e ali ergueu uma capela dedicada a Nossa Senhora do Pilar. O templo deu origem à igreja que hoje domina a paisagem urbana da cidade.

A mineração de ouro, responsável pelo surgimento do arraial, praticamente se esgotou no início do século XIX, período que coincide com a criação da fábrica de ferro na região. Hoje, com cerca de 3 mil habitantes, a economia do município segue baseada na mineração, ainda que voltada a um mineral diferente daquele que motivou sua fundação.

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O que fazer além de conhecer a história mineradora?

A Igreja de Nossa Senhora do Pilar é o principal marco arquitetônico da cidade, erguida no mesmo ponto em que a capela original foi construída no início do século XVIII. A cerca de três quilômetros do centro, a Capela de Nossa Senhora de Lourdes, também conhecida como Igreja do Canga, preserva características do mesmo período colonial.

O território do município avança sobre parte do Parque Nacional da Serra do Cipó, o que garante acesso a trilhas, cachoeiras e paisagens serranas. As festividades dedicadas a Nossa Senhora do Pilar e a Nossa Senhora do Rosário completam o calendário local, com missas, procissões e apresentações de grupos culturais.

Igor Souza

Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.

Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare
Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare

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