Ouro Preto lotou? Relaxe na pacata cidade vizinha de serra monumental e ar puro
A poucos quilômetros de uma das cidades mais visitadas do país, um paredão de quartzito de 20 quilômetros guarda barroco, trilhas e silêncio raro
Escrito por:
Igor Souza
Publicado em:
09/07/2026
Quando o centro histórico de Ouro Preto fica tomado por turistas em feriados e fins de semana, vale lembrar que a poucos quilômetros dali existe uma cidade igualmente histórica, mas muito mais tranquila. Ouro Branco, a cerca de 33 quilômetros da vizinha famosa, combina barroco preservado, uma serra monumental que funciona como cartão-postal e o tipo de sossego que já não se encontra nos destinos coloniais mais movimentados de Minas Gerais.
O que torna a serra local tão imponente?
A Serra de Ouro Branco é considerada o marco inicial sul da Cadeia do Espinhaço, formando um paredão abrupto de cerca de vinte quilômetros de extensão que domina toda a paisagem da cidade. Transformada em parque estadual, a área protege um dos ecossistemas mais ricos do mundo e abriga nascentes que abastecem a cidade inteira.
Suas altitudes variam bastante, criando mirantes naturais de onde é possível avistar várias cidades vizinhas de uma só vez. Entre os atrativos que recompensam quem sobe a serra, vale destacar alguns pontos:
O Mirante do ET, a 1.568 metros, com vista para Ouro Branco, Congonhas e Conselheiro Lafaiete;
O Lago Soledade, formado pelas nascentes da serra;
As trilhas que cortam os campos rupestres;
As ruínas do período colonial preservadas dentro do parque;
As cachoeiras espalhadas pelos arredores da elevação.
De onde veio o nome dessa cidade?
A origem do nome está diretamente ligada à cor do ouro encontrado na região no final do século XVII. Bandeirantes que subiram os rios em busca do metal por volta de 1694 perceberam que o ouro extraído ali tinha tonalidade mais clara que o das demais áreas, fenômeno associado à presença do mineral paládio, criando um contraste direto com o "ouro preto" extraído na vizinha Vila Rica.
A própria serra que emoldura a cidade carregava antigamente um nome bem mais sombrio. Conhecida nos mapas coloniais como Serra do Deus-te-livre, ela recebeu esse apelido justamente pela dificuldade da travessia, marcada por precipícios e assaltos frequentes aos viajantes que cruzavam aquele trecho perigoso da Estrada Real.


Igreja histórica em Ouro Branco com fachada colonial branca e amarela e serra ao fundo - Foto: Igor Souza


Casario histórico de Ouro Branco com fachada colonial branca, portas de madeira e telhado antigo - Foto: Igor Souza
Quais tesouros históricos a cidade guarda?
O principal cartão-postal arquitetônico é a Igreja Matriz de Santo Antônio, construída ao longo do século XVIII, com forro atribuído ao Mestre Ataíde, um dos maiores nomes do barroco mineiro. Tombada pelo patrimônio nacional ainda em 1949, a igreja passou por uma longa restauração e foi reaberta recentemente, voltando a receber visitantes e celebrações religiosas.
Outro ponto importante para quem se interessa pela história do Brasil é a chamada Casa de Tiradentes. Além dela, o centro histórico reúne outras construções setecentistas que merecem atenção de quem caminha pela parte antiga:
A Capela de Nossa Senhora Mãe dos Homens;
A antiga Casa Paroquial, também conhecida como Casarão de Pedra;
A Fazenda Carreiras, antigo pouso de viajantes da Estrada Real.
Vale a pena conhecer o distrito vizinho?
Sim, e o distrito de Itatiaia é uma das paradas mais agradáveis da região. Antigo arraial ligado a Ouro Preto, hoje pertence a Ouro Branco e guarda uma igreja dedicada a Santo Antônio com registros que remontam a 1714, considerada uma das mais antigas de Minas Gerais e tombada pelo patrimônio nacional.
O vilarejo preserva um ritmo de interior raro nos dias atuais, com ruas onde cavalos ainda dividem espaço com carros e cozinhas que exalam o cheiro da comida mineira feita em fogão a lenha. Quem visita o distrito costuma combinar diferentes experiências em uma única tarde tranquila:
Almoçar comida caseira feita no fogão a lenha;
Apreciar o pôr do sol com o paredão de quartzito ao fundo;
Conhecer o casario antigo e a igreja histórica.
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Por que essa cidade é uma alternativa tão equilibrada?
Diferente de muitas cidades históricas que vivem exclusivamente do turismo, a economia local é bastante diversificada, impulsionada pela siderurgia e pela presença de uma universidade federal. Esse perfil garante boa infraestrutura de serviços, comércio desenvolvido e segurança, sem comprometer a tranquilidade típica do interior mineiro.
Esse equilíbrio entre desenvolvimento e preservação é justamente o que torna o destino tão interessante para quem busca fugir das multidões. A pouco mais de uma hora de Belo Horizonte e bem próximo de Ouro Preto, a cidade entrega barroco, mirantes acima de 1.500 metros e o silêncio raro de um lugar histórico que ainda não foi tomado pelo turismo de massa, transformando o antigo paredão temido pelos viajantes no maior convite da região.
Igor Souza
Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.


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