Ouro Branco guarda na Matriz de Santo Antônio um dos conjuntos de altares barrocos mais preservados de Minas Gerais
Pinturas atribuídas a Mestre Ataíde, fachada inteira em pedra e mais de três anos de restauração. Veja o que observar na visita a esta igreja do século 18
Escrito por:
Igor Souza
Publicado em:
02/10/2026
Quem entra na Matriz de Santo Antônio, no centro de Ouro Branco, precisa de alguns segundos para absorver tanto ouro. Os altares foram dourados ainda na década de 1740 e continuam preservados quase três séculos depois. A igreja passou por uma restauração recente e voltou a receber visitantes.
Quando a Matriz de Santo Antônio foi construída?
A igreja já existia antes de 1717, ano do primeiro casamento registrado ali. Poucos anos depois, em 1724, Ouro Branco foi elevado a freguesia. Isso reforçou a importância do templo na vida do arraial, que tinha surgido com a descoberta de ouro na região, no fim do século 17.
A obra, porém, levou décadas para ser concluída. A fachada foi construída em etapas, em 1771 e 1777, sob o comando do mestre pedreiro Domingos Coelho. A data de 1779, gravada no frontispício, marca a conclusão do conjunto, que hoje é um dos símbolos da cidade.
Por que os altares da Matriz de Santo Antônio chamam tanta atenção?
O douramento dos altares foi feito em etapas ao longo do século 18, e os registros permitem acompanhar a cronologia desse trabalho, que em alguns casos dependia de autorização das autoridades da época. Os principais marcos desse processo são estes:
Em 1745, o mestre pintor Antônio de Caldas revestiu de ouro o altar de São Miguel e Almas;
No mesmo ano, o altar de Nossa Senhora do Rosário também foi dourado;
Em 1755, depois de uma autorização dada no ano anterior, começou o douramento do altar-mor.
A talha dourada se estende pela nave, pelo arco-cruzeiro e pelo coro e forma um dos conjuntos mais bonitos do barroco mineiro. Os altares laterais chamam atenção pelo trabalho detalhado na madeira e pelos coroamentos em forma de meia esfera. Já o altar-mor reúne volutas e relevos cobertos de ouro.


Igreja Matriz de Santo Antônio com fachada barroca, sinos e detalhes em pedra em Ouro Branco, MG - Foto: Igor Souza


Interior da Igreja Matriz de Santo Antônio com altar dourado e decoração barroca em Ouro Branco, MG - Foto: Igor Souza
As pinturas do interior são atribuídas a Mestre Ataíde
Além da talha, a Matriz de Santo Antônio guarda pinturas atribuídas a Mestre Ataíde, um dos nomes mais importantes da arte colonial mineira. As obras representam Santo Antônio, a Virgem e o Menino Jesus. Nas paredes laterais aparecem cenas das Bodas de Caná e da Santa Ceia.
Vale olhar para cima durante a visita, porque os forros também fazem parte da decoração e merecem tanto cuidado quanto os altares. Dois detalhes chamam atenção especial:
No coro, uma pintura em perspectiva que dá sensação de profundidade;
Na área do cruzeiro, uma esfera armilar cercada de estrelas, acompanhada da coroa real.
O que a fachada de pedra revela sobre a igreja?
A fachada da Matriz de Santo Antônio é toda de pedra, incluindo colunas, cornijas, portada e sacadas. O material dá ao prédio uma aparência mais sólida, que se destaca no centro da cidade e contrasta com a leveza da talha dourada do interior.
Quem observa o frontispício com calma percebe vários elementos típicos da arquitetura religiosa do fim do século 18, trabalhados com cuidado pelos artesãos que ergueram o templo:
Óculo em forma de trevo, no alto da fachada;
Portada esculpida, com verga curva;
Volutas nas laterais da entrada;
Duas torres sineiras com cúpulas no topo.
Como a igreja foi restaurada?
A Matriz de Santo Antônio é tombada pelo patrimônio histórico nacional desde novembro de 1949. Também é protegida por decretos municipais, que incluem o acervo de imagens e peças sacras. O prédio precisou de uma intervenção maior e ficou fechado a partir de maio de 2021.
A reabertura aconteceu em 15 de outubro de 2024, depois de mais de três anos de obras. O trabalho incluiu o oratório, o arco-cruzeiro, o telhado e os pisos interno e externo. Também foram instalados sistemas modernos de segurança para proteger o acervo guardado na igreja.
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A visita pode incluir outros pontos de Ouro Branco
Ouro Branco fica a cerca de 100 quilômetros de Belo Horizonte, no caminho da Estrada Real. O nome da cidade vem do ouro de cor clara encontrado na região no fim do século 17, diferente do metal mais escuro que deu nome à vizinha Ouro Preto.
Depois de conhecer a Matriz de Santo Antônio, vale reservar tempo para outros endereços que ajudam a contar a história da cidade e mostram o lado natural da região:
A Serra do Ouro Branco, tombada pelo patrimônio estadual e considerada o marco inicial da Serra do Espinhaço;
A Casa de Tiradentes, na Fazenda Carreiras, onde aconteceram reuniões da Inconfidência Mineira;
A Capela de Nossa Senhora Mãe dos Homens, construída por volta de 1865.
Igor Souza
Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.


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