Onde garimpeiros chegaram em 1709, hoje fica Acuruí, cercada por cachoeiras e igrejas do século XVIII

Registros de 1709, duas igrejas do tempo do ouro e cachoeiras de até 70 metros a pouco mais de uma hora de BH. Veja o que conhecer nesse distrito mineiro

Escrito por:
Igor Souza

Publicado em:
11/10/2026

Os primeiros registros de ocupação em Acuruí são de 1709, quando o ouro atraía gente de toda parte para o interior de Minas. Mais de três séculos depois, esse distrito de Itabirito, com pouco mais de 500 moradores, guarda duas igrejas do século XVIII, casarões antigos e um conjunto de cachoeiras que faz muita gente sair de Belo Horizonte só para passar o dia na água fria.

Como o antigo Arraial Rio de Pedras virou Acuruí?

O povoado nasceu na margem direita do Rio das Velhas, em pleno Ciclo do Ouro. Garimpeiros chegaram em busca de riqueza nos cursos d'água, e os tropeiros que usavam os caminhos da Estrada Real ajudaram o lugar a crescer, com fazendas, pontos de comércio e pousos para quem estava de passagem.

Por muito tempo, o lugar foi chamado de Arraial Rio de Pedras. Em 1842, passou a se chamar Acuruí, nome de origem tupi que, segundo a tradição local, quer dizer justamente "rio de pedras". A mudança está registrada em uma inscrição na Igreja de Nossa Senhora da Conceição, que até hoje marca o centro do distrito.

Rua arborizada em Acuruí, MG, com cactos, casarões e igreja histórica ao fundo
Rua arborizada em Acuruí, MG, com cactos, casarões e igreja histórica ao fundo

Rua arborizada em Acuruí, MG, com cactos, casarões e igreja histórica ao fundo - Foto: Igor Souza

As igrejas do século XVIII mostram como a sociedade colonial se dividia

O núcleo histórico de Acuruí é protegido pela Prefeitura de Itabirito desde 2006, e as duas igrejas são o ponto central dessa história. Cada uma foi erguida por uma irmandade diferente, o que mostra como a sociedade da época separava brancos e negros até na hora de rezar. A proteção vale para todo o conjunto, e não apenas para os templos.

A matriz já existia em 1718, quase foi destruída por um incêndio em 1822 e passou por reconstrução nos anos seguintes. Já a do Rosário foi construída para atender a população escravizada. Uma caminhada curta pelo centro ajuda a entender esse passado, visível em pontos bem próximos uns dos outros:

  • Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, erguida pela irmandade dos homens brancos;

  • Igreja de Nossa Senhora do Rosário, construída pela irmandade dos homens negros na primeira metade do século XVIII;

  • Casarões e muros de pedra que resistem desde o período colonial.

Casario antigo com janelas verdes, telhado colonial e área verde no vilarejo de Chapada, em Ouro Preto - Foto: Igor Souza

Quais cachoeiras de Acuruí valem a viagem?

As cachoeiras em Acuruí ficam ao pé da Serra do Gandarela e se dividem em complexos, a maioria dentro de propriedades particulares com cobrança de entrada. Por isso, vale conferir valores, horários e formas de pagamento antes de sair de casa, já que as regras mudam de uma temporada para outra.

Algumas quedas ficam perto da portaria, outras exigem caminhada por trilha de terra e pedra, e a água costuma ser bem gelada. O ideal é reservar o dia inteiro, já que dá para visitar mais de uma queda no mesmo complexo. Entre as mais procuradas por quem visita o distrito estão:

  • Cachoeira do Cascalho, com três quedas de cerca de 10 metros, perto da entrada do complexo;

  • Cachoeira do Cruzado, com mais de 20 metros, ao fim de uma trilha de cerca de 2 quilômetros;

  • Cachoeira das Carrancas, a cerca de 1 quilômetro do Cruzado, com queda pequena e poço para banho;

  • Cachoeiras da Esmeralda e do Abacaxi, no mesmo complexo do Cruzado;

  • Complexo Chica Dona, com três quedas, a maior delas com cerca de 70 metros.

+ Leia também: Turistas trocam o agito das cidades grandes pelo sossego desse destino

Como chegar a Acuruí saindo de Belo Horizonte?

Para quem procura cachoeiras perto de BH, o acesso é simples: o distrito fica a cerca de 80 quilômetros da capital, pouco mais de uma hora de carro. O caminho mais usado é a BR-356, a Rodovia dos Inconfidentes, no sentido de Ouro Preto, até o trevo de Capanema. Dali são cerca de 8 quilômetros de asfalto e mais uns 3 quilômetros até o centro, com trecho final de terra.

Outro marco da região é a represa de Rio de Pedras, formada por uma barragem de cerca de 40 metros construída em 1908 no Rio das Velhas, que por anos gerou energia para Belo Horizonte. O lago formado pela barragem hoje faz parte da paisagem do distrito. Para aproveitar bem o passeio, alguns cuidados fazem diferença:

  • Conferir antes os valores e as formas de pagamento das entradas;

  • Usar calçado próprio para trilha, já que há pedras e trechos escorregadios;

  • Evitar trilhas e poços em dias de chuva forte;

  • Chegar cedo nos fins de semana e feriados, quando o movimento aumenta.

Cachoeira do Cascalho, em Acuruí, MG, com quedas d’água sobre rochas e poço escuro
Cachoeira do Cascalho, em Acuruí, MG, com quedas d’água sobre rochas e poço escuro

Cachoeira do Cascalho, em Acuruí, MG, com quedas d’água sobre rochas e poço escuro - Foto: Igor Souza

Igor Souza

Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.

Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare
Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare

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