O voto que desempatou a escolha de Belo Horizonte como capital deu nome a um distrito do Serro
Um único voto, dado há mais de 130 anos, definiu onde ficaria a capital de Minas Gerais e ainda hoje batiza um distrito rural do estado
Escrito por:
Leonardo Coelho
Publicado em:
23/09/2026
Um único voto, dado dentro da Assembleia Constituinte Mineira de 1891, definiu que Minas Gerais teria uma capital planejada chamada Belo Horizonte. Esse voto de desempate partiu do médico e deputado Augusto Clementino da Silva, natural do Serro, cidade histórica do Vale do Jequitinhonha. Décadas depois, um distrito rural pertencente ao próprio Serro passou a carregar o nome desse deputado, mantendo viva essa conexão até hoje. Poucas cidades mineiras guardam uma ligação tão direta com a própria fundação da capital.
Augusto Clementino foi o médico e deputado que decidiu o destino da nova capital mineira
Augusto Clementino da Silva nasceu no Serro e construiu carreira como médico, fazendeiro e intendente da própria cidade natal. Em 1897, foi eleito deputado federal por Minas Gerais, exercendo mandato até 1899. Além da atuação política, integrou o Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, dedicando parte da vida ao estudo da história do estado. Essa combinação entre prática médica e interesse histórico moldou boa parte de sua atuação pública ao longo da vida.
Antes desse mandato, porém, Augusto Clementino já havia protagonizado um dos momentos mais decisivos da política mineira. Ele liderou a defesa pela transferência da capital para Belo Horizonte durante a Constituinte Mineira de 1891. Faleceu em sua cidade natal, o Serro, em 19 de setembro de 1952, deixando um legado que atravessa mais de um século de história.


Praça arborizada em frente à Igreja Matriz da Vila Deputado Augusto Clementino, MG - Foto: Igor Souza
Como funcionou o voto que definiu Belo Horizonte como capital?
A disputa pela nova capital de Minas Gerais dividia opiniões dentro da Constituinte Mineira de 1891, com Belo Horizonte concorrendo diretamente com a região de Várzea do Marçal, em São João Del Rei. Cinco parlamentares nascidos no Serro participaram diretamente dessa votação decisiva, entre deputados e um senador. Alguns nomes ajudam a entender como essa comitiva serrana influenciou o resultado final:
Augusto Clementino da Silva, autor do voto de desempate;
Sabino Barroso Jr., deputado serrano presente à votação;
João Luiz de Almeida e Souza, também deputado pelo Serro;
João Nepomuceno Kubitschek, senador natural da mesma região.
Diante do impasse, coube a Augusto Clementino o voto que definiu a aprovação da emenda favorável a Belo Horizonte. Essa decisão consolidou o apoio de cidades históricas como Ouro Preto, Sabará, Barbacena, Diamantina e o próprio Serro à construção da nova capital. Sem esse voto específico, a história administrativa de Minas Gerais poderia ter seguido um caminho completamente diferente.


Igreja Matriz da Vila Deputado Augusto Clementino, MG, com cruzeiro de madeira e palmeiras em frente - Foto: Igor Souza
Por que o distrito de Mato Grosso passou a se chamar Deputado Augusto Clementino?
Antes de receber o nome atual, a localidade era conhecida como Vila de Mato Grosso, distrito pertencente ao município do Serro. A elevação à categoria de distrito aconteceu por meio de um acordo entre as prefeituras de Alvorada e Serro. O nome antigo, Mato Grosso, ainda é usado por moradores mais antigos até os dias de hoje.
A mudança de nome oficial aconteceu a partir de 1966, em homenagem direta ao médico e deputado que decidiu o destino da capital mineira décadas antes. Essa homenagem uniu, dentro de um mesmo território, a história política do estado e a identidade de uma pequena comunidade rural. Dois momentos marcam essa transição de nome ao longo do tempo:
A antiga Vila de Mato Grosso, nome usado até 1966;
O Distrito Deputado Augusto Clementino, nome oficial adotado depois.
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O que caracteriza esse distrito do Serro hoje?
O Distrito Deputado Augusto Clementino fica a cerca de 15 quilômetros do centro do Serro, pela rodovia MG-010, que também liga a cidade a Conceição do Mato Dentro e a Belo Horizonte. O local guarda lembranças da presença de bandeirantes e religiosos, que ocuparam a Serra do Espinhaço em busca de riquezas e da propagação da fé católica. Alguns elementos ajudam a descrever a identidade atual desse território:
A Capela de São Sebastião, no núcleo central do distrito;
O núcleo da Capelinha, dedicado a Nossa Senhora das Dores;
As tradições de artesanato e carpintaria mantidas pela comunidade.
As festas religiosas também marcam o calendário local, com celebrações dedicadas ao padroeiro em abril e a Nossa Senhora do Rosário em setembro. Apesar da estrutura turística ainda modesta, o distrito segue mantido como ponto de interesse pela Prefeitura Municipal do Serro. Hoje, a agricultura completa esse cenário, reforçando o caráter rural que define boa parte da vida na região. Quem visita a região também encontra pequenas propriedades rurais que preservam técnicas antigas de cultivo, reforçando o caráter simples e acolhedor do distrito.


Fachada da Igreja Matriz da Vila Deputado Augusto Clementino, MG, com porta azul e torre central - Foto: Igor Souza
Leonardo Coelho
Leonardo Coelho é um viajante e entusiasta de experiências culturais que revelam a alma do mundo, mantendo sempre vivo o orgulho de suas raízes mineiras. Busca enxergar a física e a química nas nuances da natureza, transformando o movimento da vida em descobertas. Apaixonado pela estrada, encontra seu propósito ao transmitir cada detalhe, sabor e fenômeno que presencia, conectando pessoas através da arte de explorar e sentir o real.


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