O Santuário de Congonhas foi inspirado em 2 igrejas portuguesas: o Bom Jesus de Matosinhos e o Bom Jesus de Braga

Uma promessa feita por um português gravemente doente deu origem a um dos maiores conjuntos de arte barroca já erguidos no Brasil. Entenda a ligação

Escrito por:
Igor Souza

Publicado em:
11/08/2026

Uma doença grave, uma promessa e duas igrejas do norte de Portugal estão na origem de um dos conjuntos barrocos mais importantes do Brasil. O Santuário do Bom Jesus de Congonhas, em Minas Gerais, nasceu inspirado nos santuários de Bom Jesus de Matosinhos e Bom Jesus do Monte, em Braga. A construção reúne a igreja, doze profetas esculpidos por Aleijadinho e seis capelas dedicadas aos Passos da Paixão, reconhecida pela Unesco como Patrimônio Cultural da Humanidade em 1985.

Qual é a origem da devoção que deu origem ao Santuário de Congonhas?

Segundo a lenda que deu origem à devoção, uma imagem de Jesus crucificado teria chegado às praias de Matosinhos, no norte de Portugal, ainda no ano 124. A tradição atribui a escultura a Nicodemos, personagem bíblico que teria presenciado a crucificação e lançado a imagem ao mar para escapar da perseguição religiosa da época.

A imagem foi abrigada em um mosteiro local e passou a atrair fiéis, em um culto considerado milagroso. Alguns marcos ajudam a entender como essa devoção cresceu ao longo dos séculos:

  • 1559: construção da igreja dedicada à imagem em Matosinhos;

  • difusão da devoção como a mais importante do norte de Portugal;

  • chegada da devoção ao Brasil com os colonizadores portugueses;

  • fundação de 23 cidades brasileiras sob a invocação do Bom Jesus.

Fachada do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos com esculturas dos profetas, em Congonhas, MG
Fachada do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos com esculturas dos profetas, em Congonhas, MG

Fachada do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos com esculturas dos profetas, em Congonhas, MG - Foto: Igor Souza

Quem foi Feliciano Mendes e por que ele fez uma promessa?

Feliciano Mendes era um português que enfrentava uma doença considerada incurável quando fez uma promessa ao Bom Jesus de Matosinhos: caso fosse curado, fundaria em terras mineiras uma irmandade semelhante à existente no norte de Portugal. A recuperação, segundo o relato que acompanha a história do santuário, teria motivado o cumprimento do voto.

A partir dessa promessa, Feliciano Mendes se dedicou à criação da irmandade em Congonhas, dando início ao processo que resultaria, décadas depois, na construção do conjunto religioso que hoje atrai visitantes de diferentes países.

O Santuário de Bom Jesus do Monte, em Braga, também influenciou a construção em Minas

A ocupação do local em Braga remonta ao início do século XIV, quando uma cruz foi erguida no alto do monte do Espinho. Já em 1373 há registro de uma ermida dedicada à Santa Cruz no mesmo ponto, seguida por outras construções em 1494 e 1522. O santuário como existe hoje começou a ser edificado no século XVIII, sob o patrocínio do arcebispo de Braga, Dom Rodrigo de Moura Teles.

Em 1629, um grupo de devotos criou a Irmandade do Bom Jesus do Monte, responsável por erguer uma capela e casas de apoio aos peregrinos. O conjunto ficou conhecido, entre outros elementos, por uma escadaria monumental de 573 degraus, dividida em três partes:

  • a Via Sacra do Bom Jesus;

  • a Escadaria dos Cinco Sentidos;

  • a Escadaria das Virtudes.

Vista lateral do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos sob céu azul, em Congonhas, MG
Vista lateral do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos sob céu azul, em Congonhas, MG

Vista lateral do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos sob céu azul, em Congonhas, MG - Foto: Igor Souza

Como ficou o conjunto arquitetônico erguido em Congonhas?

As obras do santuário mineiro começaram na segunda metade do século XVIII, seguindo o modelo dos santuários portugueses que inspiraram Feliciano Mendes. O conjunto foi crescendo ao longo de décadas, incorporando elementos que se tornariam marcos da arte barroca produzida no Brasil colonial.

O resultado final reúne três elementos principais que compõem o santuário até hoje:

  • a Igreja do Bom Jesus de Congonhas;

  • os doze profetas esculpidos em pedra-sabão por Aleijadinho entre 1800 e 1805;

  • as seis capelas com esculturas em cedro, também de Aleijadinho, pintadas por Mestre Ataíde.

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Qual é o reconhecimento internacional do santuário hoje?

O conjunto foi inscrito no Livro de Belas Artes pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 1939, um dos primeiros reconhecimentos oficiais concedidos ao santuário. A distinção reforçou o valor histórico e artístico da obra dentro do patrimônio brasileiro.

Em dezembro de 1985, o Santuário de Bom Jesus de Matosinhos foi declarado Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco, título que o coloca ao lado de outras obras consideradas essenciais para a história da arte barroca mundial.

Esculturas dos profetas diante da fachada do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas, MG
Esculturas dos profetas diante da fachada do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas, MG

Esculturas dos profetas diante da fachada do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas, MG - Foto: Igor Souza

Igor Souza

Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.

Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare
Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare

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