O Pico do Itacolomi, com 1.772 metros, é o cartão-postal que serviu de referência para os viajantes chegarem a Ouro Preto
Uma pedra de 1.772 metros guiou os bandeirantes até o ouro no século 17 e hoje recompensa quem sobe com uma vista de 360 graus
Escrito por:
Igor Souza
Publicado em:
02/10/2026
Antes de existir Ouro Preto, já existia o Pico do Itacolomi. Foi olhando para essa pedra de 1.772 metros que os bandeirantes se orientaram, no fim do século 17, até encontrar o ouro que deu origem a Vila Rica. Hoje, o pico continua marcando o horizonte entre Ouro Preto e Mariana e é o ponto mais alto de um parque estadual aberto à visitação.
Por que o Pico do Itacolomi era chamado de Farol dos Bandeirantes?
Em 1698, o bandeirante Antônio Dias de Oliveira usou o pico como referência para localizar o vale do Tripuí. Ali surgiu o arraial que daria origem a Vila Rica, a atual Ouro Preto. Como guiou tantos viajantes em busca de ouro, a montanha ganhou o apelido de Farol dos Bandeirantes.
Numa época sem mapas precisos, uma formação rochosa visível de longe valia mais que qualquer desenho no papel. O Pico do Itacolomi se destacava na paisagem da Serra do Espinhaço e servia de marco para quem atravessava a região, a pé ou no lombo de animais, rumo às primeiras minas.
O que significa o nome Itacolomi?
O nome vem do tupi e está diretamente ligado ao formato do topo da montanha, que chama atenção de quem a observa das ruas de Ouro Preto. A palavra Itacolomi junta dois termos indígenas que, lidos juntos, significam algo como "pedra menino":
Itá, que quer dizer pedra;
Kunumĩ, que quer dizer menino.
A explicação está no próprio desenho do pico, formado por um bloco de pedra maior com outro menor ao lado. Para os povos indígenas que viviam na região, a formação lembrava um filho junto à montanha. Essa imagem atravessou os séculos e continua presente no nome do cartão-postal de Ouro Preto.
O pico fica dentro do Parque Estadual do Itacolomi
O Pico do Itacolomi fica no limite entre Ouro Preto e Mariana, dentro do Parque Estadual do Itacolomi. A área protegida mistura trechos de Mata Atlântica e de cerrado. Cerca de 60% dela é formada por campos de altitude, e o relevo varia de 700 a 1.772 metros.
O parque abriga uma orquídea que só existe ali, a Habenaria itacolumia, além de mais de 200 espécies de aves e animais como o lobo-guará e a onça-parda. Alguns números ajudam a entender o tamanho dessa unidade de conservação:
Foi criado em 1967;
Ocupa 7.543 hectares;
Está aberto à visitação desde 2004.


Casarões coloniais com telhados de barro e vista para o Pico do Itacolomi ao fundo em Ouro Preto, MG - Foto: Igor Souza


Pico do Itacolomi visto entre as montanhas e a vegetação de Ouro Preto, MG - Foto: Igor Souza
Como é a trilha até o Pico do Itacolomi?
A caminhada começa tranquila, mas fica mais íngreme perto do topo, com trechos de pedra e subidas fortes. O esforço é recompensado ainda no caminho, no Mirante Principal, que oferece uma vista de 360 graus da região de Ouro Preto e Mariana.
Como o percurso é exigente, a trilha não é indicada para quem não está acostumado a subidas longas. Antes de encarar o desafio, vale conhecer as principais características do trajeto e avaliar se ele combina com o seu preparo físico:
Dificuldade de média a alta;
Cerca de quatro horas entre ida e volta;
Trecho final mais pedregoso e com pouca sinalização.
O que mais ver no parque além do pico?
A Casa Bandeirista, construída em 1706, funcionava como posto de cobrança de impostos na época da mineração. Perto dela fica o Museu do Chá, que guarda as máquinas usadas para processar o chá preto da marca Edelweiss, produzido na antiga fazenda.
Para quem não quer ou não pode fazer a subida até o pico, o parque tem opções mais curtas. A Trilha da Lagoa, com cerca de 470 metros, é indicada para famílias com crianças e permite conhecer um pouco da vegetação e dos animais sem grande esforço físico.
+ Leia também: O cenário que você precisa visitar pelo menos uma vez na vida
Chegar cedo faz diferença na visita
O Parque Estadual do Itacolomi fica a cerca de 110 quilômetros de Belo Horizonte. O caminho mais usado segue pela BR-040 até Ouro Preto e, depois, pela BR-356 em direção a Mariana. A entrada é paga, e há guias disponíveis para acompanhar os visitantes nas trilhas.
Como a trilha até o pico ocupa boa parte do dia, o planejamento começa antes mesmo de sair de casa. A época do ano e o horário de chegada mudam bastante a experiência, e alguns cuidados simples ajudam a aproveitar melhor o passeio:
Visitar entre maio e setembro, período com menos chuva;
Chegar logo na abertura, porque o parque tem horário-limite para começar as trilhas longas;
Levar água, lanche e agasalho;
Usar calçado firme para os trechos de pedra.
Igor Souza
Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.


Posts que você pode gostar
Todos os Direitos Reservados © 2024
Contato e parcerias: olharesporminasoficial@gmail.com
