O paraíso das águas no caminho para Ouro Preto: conheça o vilarejo que guarda lindas cachoeira
Um vilarejo mineiro com mais de 50 cachoeiras, azeite de produção própria e cerveja artesanal, tudo a menos de duas horas da capital
Escrito por:
Igor Souza
Publicado em:
15/07/2026


Cachoeira do Cascalho em Acuruí, Minas Gerais, com quedas d’água sobre rochas escuras e poço - Foto: Igor Souza
A cerca de 80 quilômetros de Belo Horizonte, existe um distrito de pouco mais de 500 habitantes onde a água é o principal motivo de visita. Acuruí, ligado a Itabirito, reúne dezenas de cachoeiras espalhadas por trilhas e fazendas particulares. O lugar cresceu junto com o ciclo do ouro e hoje vive um momento diferente, o do turismo rural bem organizado. A seguir, veja o que essa parte de Minas Gerais tem para oferecer.
Onde fica esse vilarejo cercado de cachoeiras?
Acuruí é distrito de Itabirito e o único do município que integra o trajeto da Estrada Real. Surgiu na margem direita do Rio das Velhas, ainda no século XVIII, quando bandeirantes e tropeiros cruzavam a região em busca de ouro.
Para quem pensa em organizar a viagem, alguns números ajudam a entender o tamanho do lugar:
Cerca de 80 quilômetros de distância de Belo Horizonte;
Viagem de aproximadamente 1h30 por estrada;
Pouco mais de 500 habitantes;
Nome de origem tupi-guarani, que significa "rio de pedras".
Quais cachoeiras merecem a visita?
A maior concentração de quedas d'água fica dentro do complexo do restaurante Catana da Serra, que reúne sete cachoeiras dentro da propriedade. A trilha mais longa leva até a Cachoeira do Cruzado, com queda de mais de 20 metros e poço para banho.
Outros pontos também aparecem com frequência nos roteiros de quem visita a região:
Cachoeira do Cascalho, considerada a mais estruturada do distrito;
Cachoeira das Carrancas, dentro do mesmo complexo;
Complexo Chicadona, com três quedas de tamanhos diferentes.
A Rota Jaguara organizou o turismo da região
O crescimento do número de visitantes levou moradores a criar a Rota Turística Jaguara, iniciativa que reúne pousadas, restaurantes e pequenos comércios do distrito. A organização ajudou a estruturar hospedagem, sinalização e atendimento sem tirar o clima simples do lugar.
A ideia partiu da própria comunidade, que viu no turismo uma forma de manter o distrito vivo sem depender só da atividade mineradora da região. Hoje, donos de bares e pousadas recebem visitantes quase todos os fins de semana.
O que fazer além de mergulhar nas águas?
Acuruí também é conhecida pela produção de azeite de oliva, feito a partir de um olival cultivado no próprio distrito. Além do azeite, a região produz azeitona, doce de leite, iogurte e queijo, vendidos em pequenos comércios locais.
Uma cervejaria artesanal fundada no vilarejo também virou parada certa. Começou produzindo 500 litros por mês e hoje chega a seis mil, funcionando às sextas, sábados e domingos para quem quer conhecer o processo e provar o resultado.
Como funciona o acesso às cachoeiras?
A maioria das quedas d'água fica em propriedades particulares e cobra uma taxa de entrada para manutenção da estrutura e das trilhas. Os valores variam de acordo com o complexo escolhido, mas costumam ficar entre 20 e 35 reais por pessoa.
Antes de sair de casa, alguns cuidados evitam contratempos durante o passeio:
Vá durante o período de seca, entre maio e setembro;
Leve dinheiro em espécie para pagar a entrada;
Baixe o mapa da região antes de viajar, pela falta de sinal;
Use calçado próprio para trilha e leve roupa de banho;
Confirme o funcionamento do complexo escolhido com antecedência.
+ Leia também: O cenário que você precisa visitar pelo menos uma vez na vida
Chegar até lá exige um pouco de planejamento
O acesso principal a partir de Belo Horizonte é pela BR-356, a Rodovia dos Inconfidentes, sentido Itabirito. Depois de chegar à cidade, basta seguir a sinalização até o distrito, em um trajeto que termina em estrada de terra.
O trecho final costuma estar em boas condições, mas pede atenção redobrada em dias de chuva. Vale sair cedo, já que o passeio pelas cachoeiras costuma tomar boa parte do dia.
Igor Souza
Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.


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