O nome oficial de Bichinho em Minas Gerais não é Bichinho, e a história por trás surpreende

No interior de Minas, perto de Tiradentes, existe um povoado famoso pelo artesanato cujo nome popular esconde uma homenagem a um inconfidente e várias lendas

Escrito por:
Igor Souza

Publicado em:
05/08/2026

Quem procura Bichinho no mapa oficial pode se confundir: o nome que aparece nos documentos é Vitoriano Veloso. O apelido pelo qual o povoado ficou conhecido em toda Minas guarda uma história que envolve um inconfidente, uma santa com um lagarto aos pés e até uma lenda de viajantes. Hoje famoso pelo artesanato, esse pequeno distrito perto de Tiradentes tem no próprio nome um dos seus assuntos mais curiosos.

O nome oficial é Vitoriano Veloso, não Bichinho

A confusão começa nos mapas e placas. Oficialmente, o povoado se chama Vitoriano Veloso e é um distrito do município de Prados, no interior de Minas Gerais. Bichinho, o nome pelo qual quase todo mundo conhece o lugar, é um apelido antigo, que acabou se tornando muito mais popular do que a denominação oficial.

Essa dupla identidade é tão forte que os dois nomes convivem no dia a dia. Nas conversas, nos comércios e no turismo, o lugar é Bichinho. Nos registros oficiais, é Vitoriano Veloso, uma homenagem que carrega uma história ligada diretamente à Inconfidência Mineira.

Por que o povoado é chamado de Bichinho?

Aqui está a parte que costuma surpreender. Não existe uma única explicação para o apelido, e sim várias versões que disputam a origem do nome. Estudos e tradições locais reúnem, pelo menos, três hipóteses para explicar por que o povoado virou Bichinho:

  • O apelido do próprio Vitoriano Veloso, que seria chamado de "Bichinho".

  • Uma imagem de Nossa Senhora da Penha com um lagarto aos pés, conhecida como Nossa Senhora do Bichinho.

  • Uma lenda sobre viajantes que chegavam de Tiradentes com bicho-de-pé.

A hipótese ligada à santa costuma ser apontada como a mais provável em pesquisas sobre o tema. Seja qual for a verdadeira, o fato de existirem tantas versões só aumenta o interesse pela história e ajuda a explicar por que o nome desperta tanta curiosidade.

Letreiro turístico amarelo com coração vermelho em frente a lojinhas rústicas no vilarejo de Bichinh
Letreiro turístico amarelo com coração vermelho em frente a lojinhas rústicas no vilarejo de Bichinh

Casario simples com portas coloridas, telhados coloniais e vegetação no vilarejo de Chapada - Foto: Igor Souza

Quem foi Vitoriano Veloso?

O nome oficial do povoado é uma homenagem a uma figura real e pouco lembrada da Inconfidência Mineira. Vitoriano Gonçalves Veloso foi um homem negro, escravo alforriado e alfaiate, que nasceu e viveu na região. Apesar de raramente aparecer nos livros escolares, ele esteve ligado ao movimento que marcou o fim do século XVIII em Minas.

Alguns detalhes ajudam a entender por que ele foi escolhido para dar nome ao povoado:

  • Era um escravo alforriado que trabalhava como alfaiate.

  • Nasceu e viveu na própria região do povoado.

  • Foi vizinho e compadre de D. Hipólita, ligada à Inconfidência.

  • Está entre os nomes ligados ao movimento inconfidente.

Onde fica e como surgiu o povoado?

Bichinho fica a cerca de 9 quilômetros do centro de Prados, na região das cidades históricas próximas a Tiradentes e São João del-Rei. Como muitos lugares dessa parte de Minas, o povoado surgiu no século XVIII, durante a busca por ouro, e guarda construções daquele período até hoje.

Um dos marcos dessa origem é a Igreja de Nossa Senhora da Penha, cujas obras foram feitas entre 1732 e 1771. Vinculado a Prados desde 1938, o distrito manteve boa parte do traçado antigo, o que ajuda a explicar o clima de vilarejo preservado que atrai os visitantes.

Estátua de cavalo e busto de Vitoriano Veloso em rua de pedras no vilarejo de Bichinho, MG
Estátua de cavalo e busto de Vitoriano Veloso em rua de pedras no vilarejo de Bichinho, MG

Estátua de cavalo e busto de Vitoriano Veloso em rua de pedras no vilarejo de Bichinho, MG - Foto: Igor Souza

Hoje Bichinho é conhecido pelo artesanato

Se no passado o assunto era o ouro, hoje o que move o povoado é o artesanato. Bichinho virou um dos principais polos de arte e trabalho manual da região, com ateliês, lojas de móveis e peças produzidas por artesãos locais. Entre o que atrai os visitantes, alguns pontos se destacam:

  • A Oficina de Agosto, criada em 1991 e hoje conhecida até fora do país.

  • As lojas de móveis e peças feitas com madeira e material reaproveitado.

  • Os ateliês e obras de arte espalhados pelas ruas do povoado.

A Oficina de Agosto é um bom exemplo dessa vocação. Criada por dois irmãos, começou como uma iniciativa itinerante e ganhou fama ao reunir peças feitas com materiais reciclados, como madeira, ferro e material de demolição. Foi esse tipo de trabalho que ajudou a transformar Bichinho em destino.

+ Leia também: Turistas trocam o agito das cidades grandes pelo sossego desse destino

Vale a pena conhecer Bichinho?

Para quem já vai passar por Tiradentes, a resposta é quase óbvia. Bichinho fica pertinho e combina bem com um roteiro pelas cidades históricas da região, funcionando como uma parada dedicada às compras de artesanato e ao clima tranquilo de vilarejo. Em poucas horas, dá para conhecer boa parte do povoado.

Para aproveitar melhor a visita, vale ter em mente dois pontos:

  • A força do lugar está no artesanato, então reserve tempo para os ateliês.

  • A ligação com Tiradentes facilita juntar os dois destinos no mesmo passeio.

Casa simples com telhado colonial, porta azul e cadeiras na área externa em Chapada, Ouro Preto - Foto: Igor Souza

Igor Souza

Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.

Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare
Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare

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