O destino que entrega a experiência mineira mais autêntica de 2026 sem que você precise rodar centenas de quilômetros

A pouco mais de meia hora de Belo Horizonte, um prato criado por escravizados no século XIX virou patrimônio cultural e ainda tem festa própria

Escrito por:
Igor Souza

Publicado em:
14/07/2026

Quem busca a experiência mineira completa, com história, cachoeiras e gastronomia de raiz, costuma imaginar que precisa percorrer longas distâncias pelo interior do estado. Mas a cerca de cinquenta quilômetros de Belo Horizonte, na metade do caminho entre a capital e Ouro Preto, existe um município que reúne tudo isso sem exigir horas de estrada: Itabirito, ponto estratégico da Estrada Real que tem ganhado cada vez mais atenção de quem busca autenticidade perto de casa.

O que torna a gastronomia local tão representativa da identidade mineira?

O prato mais emblemático da cidade nasceu de uma criação dos escravizados no século XIX: o pastel de angu, originalmente recheado apenas com banana, hoje reinventado em diversas versões. A receita ganhou tanto reconhecimento ao longo do tempo que foi declarada patrimônio cultural do município, transformando-se em símbolo gastronômico que vai muito além de um simples lanche regional.

A diversidade de recheios disponíveis hoje mostra como a tradição evoluiu sem perder sua essência popular, sendo possível encontrar opções para gostos variados:

  • Carne;

  • Queijo;

  • Presunto;

  • Frango;

  • Bacalhau.

Durante o ano, a cidade ainda celebra esse prato com uma festa dedicada exclusivamente a ele, reunindo moradores e visitantes em torno de uma iguaria que carrega séculos de história em cada porção.

Estação ferroviária de Itabirito com flores no primeiro plano, telhado vermelho e praça arborizada
Estação ferroviária de Itabirito com flores no primeiro plano, telhado vermelho e praça arborizada

Estação ferroviária de Itabirito com flores no primeiro plano, telhado vermelho e praça arborizada ao redor - Foto: Igor Souza

Como a herança ferroviária ainda molda o turismo da cidade?

No centro de Itabirito está o Complexo Turístico da Praça da Estação, instalado na antiga estação ferroviária por onde, ainda no século XIX, chegou a passar o próprio Dom Pedro II a bordo de uma Maria Fumaça. O espaço foi revitalizado e inaugurado como complexo turístico em 2003, resgatando a memória de um período em que a ferrovia definia o ritmo de desenvolvimento da região.

Hoje, o local concentra diferentes atrações dentro de um mesmo conjunto histórico, funcionando como ponto de partida natural para quem chega à cidade e quer entender sua trajetória antes de seguir para outros pontos turísticos. Entre os espaços que compõem esse complexo, destacam-se a biblioteca pública municipal, o centro de referência e informações turísticas, e a sala dedicada à memória dos antigos ferroviários da região.

Quais marcas da atividade mineradora ainda podem ser vistas hoje?

A relação histórica da cidade com a mineração vai além das estradas que cortam a região. Um dos atrativos mais curiosos é a réplica do primeiro alto-forno em couraça de aço construído na América Latina, testemunho direto de como a metalurgia moldou a economia local ao longo de gerações.

O Pico de Itabirito, ponto culminante do município com mais de 1.500 metros de altitude, também carrega essa relação direta com a atividade mineradora, já que sua visitação atualmente é restrita e depende de autorização da empresa responsável pela área. Apesar dessa limitação de acesso ao topo, o caminho até a base do pico já revela vestígios importantes da história regional:

  • Antigas minas de ouro abandonadas, visíveis ao longo do trajeto;

  • Mirantes naturais com vista para vilarejos vizinhos como São Gonçalo do Bação;

  • Formações como o Morro do Chapéu e a Serra da Saudade.

Estação ferroviária de Itabirito com vagão antigo, jardins coloridos e palmeiras ao redor
Estação ferroviária de Itabirito com vagão antigo, jardins coloridos e palmeiras ao redor

Estação ferroviária de Itabirito com vagão antigo, jardins coloridos e palmeiras ao redor - Foto: Igor Souza

O que explica o interesse crescente por essa cidade entre os viajantes de fim de semana?

A combinação entre fácil acesso e diversidade de experiências é o principal fator que tem atraído cada vez mais visitantes vindos da capital mineira. Em poucos quilômetros, é possível alternar entre roteiros históricos pelo centro antigo, passeios de contemplação em mirantes e banhos refrescantes em cachoeiras de diferentes formatos, sem precisar planejar uma viagem de muitos dias.

Essa proximidade também favorece quem busca turismo sustentável, já que muitos guias locais são treinados especificamente para orientar visitantes sobre práticas de preservação ambiental durante os passeios pela região, reforçando o cuidado com nascentes, trilhas e áreas de mata preservada que cercam o município.

+ Leia também: Turistas trocam o agito das cidades grandes pelo sossego desse destino

Vale a pena considerar essa cidade para uma escapada rápida em 2026?

Sim, especialmente para quem quer aproveitar um fim de semana sem comprometer dias inteiros de viagem. A arquitetura colonial preservada no centro histórico, somada à riqueza natural das serras e cachoeiras do entorno, cria um roteiro completo que cabe perfeitamente em uma saída de dois dias a partir de Belo Horizonte.

Para aproveitar melhor as trilhas e cachoeiras da região, vale priorizar os meses mais secos do ano, quando o acesso aos pontos naturais costuma ficar mais tranquilo e seguro. Combinada com a herança ferroviária preservada e uma gastronomia que carrega séculos de história em cada receita, essa proximidade com a capital mineira é justamente o que transforma o destino em uma escolha prática para quem busca autenticidade sem abrir mão do tempo livre disponível.

Rua em Itabirito com calçamento de pedra, estação ferroviária, bancos e árvores na praça central
Rua em Itabirito com calçamento de pedra, estação ferroviária, bancos e árvores na praça central

Rua em Itabirito com calçamento de pedra, estação ferroviária, bancos e árvores na praça central - Foto: Igor Souza

Igor Souza

Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.

Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare
Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare

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