O complexo de cachoeiras de Cocais reúne o Leão, o Chiador e a queda que leva o nome do distrito

Uma pedra em forma de leão, pinturas rupestres em três paredões e um rio que desce em degraus: o passeio para um dia inteiro a 90 km de Belo Horizonte

Escrito por:
Igor Souza

Publicado em:
21/10/2026

Um único rio, uma trilha à beira d’água e quedas que aparecem uma depois da outra. O complexo de cachoeiras de Cocais funciona assim: o Rio Una desce da serra e forma, em sequência, poços e cachoeiras que podem ser percorridos em um só dia. Ao final do caminho fica a maior atração do conjunto, a queda que divide o nome com o pequeno distrito de Barão de Cocais.

Onde fica o distrito de Cocais?

Cocais é um distrito de Barão de Cocais, a cerca de 90 km de Belo Horizonte. O povoado surgiu no século 18, durante o ciclo do ouro, e ainda guarda igrejas antigas, como a de Nossa Senhora do Rosário, no alto do distrito, e a de Santana, dedicada à padroeira local.

O acesso é simples para quem sai da capital e pode ser feito em pouco mais de uma hora e meia de carro. O caminho até as cachoeiras segue estas etapas:

  • BR-381, no sentido de Vitória, até a entrada para a MG-436;

  • MG-436 até o centro de Cocais;

  • Estrada de terra a partir da Igreja do Rosário até a portaria do complexo.

Por que as quedas formam um complexo de cachoeiras?

Todas elas pertencem ao mesmo curso d’água. O Rio Una nasce no interior da serra e vai descendo em degraus de pedra, criando quedas próximas umas das outras. Por isso, o passeio pode ser feito como uma caminhada contínua pela margem do rio, parando em cada poço. A ordem mais comum de quem faz o percurso completo é esta:

  • Cachoeira do Chiador, também chamada de Chiado, a primeira do conjunto;

  • Cachoeira do Lajeado, onde a água escorre pela rocha até um poço convidativo;

  • Cachoeira do Leão, com poço aberto e bom para banho;

  • Cachoeira de Cocais, a última e mais conhecida.

Entre o Leão e a Cachoeira de Cocais, a caminhada leva cerca de dez minutos. O trajeto tem degraus e trechos sobre lajes de pedra, mas não exige equipamento especial, apenas calçado firme e atenção nas partes molhadas.

A Cachoeira do Leão ganhou o nome por causa de uma pedra

O nome não tem relação com nenhum animal visto na região. Em frente à queda há uma grande rocha que, dependendo do ângulo, lembra um leão deitado descansando. Quem chega pela trilha costuma procurar o melhor ponto para enxergar a figura antes mesmo de entrar na água.

O poço é amplo e fica bem em frente à queda, o que faz do Leão uma das paradas preferidas para quem quer nadar. Como fica no meio do percurso, também é um bom lugar para fazer um intervalo antes de seguir até a última cachoeira do complexo.

Cachoeira de Cocais, em MG, com quedas d’água sobre paredões rochosos cercados pela vegetação
Cachoeira de Cocais, em MG, com quedas d’água sobre paredões rochosos cercados pela vegetação

Cachoeira de Cocais, em MG, com quedas d’água sobre paredões rochosos cercados pela vegetação - Foto: Igor Souza

Cachoeira do Leão, em Cocais, MG, com quedas d’água e piscina natural cercada pela vegetação
Cachoeira do Leão, em Cocais, MG, com quedas d’água e piscina natural cercada pela vegetação

Cachoeira do Leão, em Cocais, MG, com quedas d’água e piscina natural cercada pela vegetação - Foto: Igor Souza

Como é a queda que leva o nome do distrito?

A Cachoeira de Cocais é um conjunto de quedas espalhadas por um grande paredão de pedra. Ela também é chamada de Cachoeira da Pedra Pintada, por causa do sítio arqueológico que fica nas proximidades. Para quem chega pela portaria, há uma trilha de cerca de 1,5 km, considerada fácil, com mirantes para a parte alta.

O banho varia conforme o ponto escolhido no paredão, e cada lado da cachoeira oferece uma experiência diferente:

  • Duchas com fundo raso, boas para quem não quer nadar;

  • Um poço mais fundo no extremo esquerdo;

  • Quedas à direita que caem direto na pedra, sem poço.

O que as pinturas da Pedra Pintada revelam sobre a região?

Antes da entrada da cachoeira fica o Sítio Arqueológico Pedra Pintada, na Serra da Conceição. São três paredões com 122 pinturas rupestres feitas com pigmentos minerais em tons de vermelho, amarelo, ocre, preto e branco, produzidas há milhares de anos.

As figuras mostram animais como macacos, veados, peixes e aves, além de armas como lanças e pontas de flecha. A visita é guiada e dura pouco mais de uma hora, o que permite juntar o sítio e as cachoeiras no mesmo dia, desde que o passeio comece cedo.

+ Leia também: O cenário que você precisa visitar pelo menos uma vez na vida

Planejar a visita evita surpresas na trilha

O complexo fica em área particular, com cobrança de entrada na portaria e visitação controlada. Vale confirmar horários e valores antes de sair, porque costumam mudar. Também é bom saber que não há restaurante nem lanchonete junto às quedas. Antes de pegar a estrada, alguns cuidados fazem diferença:

  • Levar água, lanche e um saco para recolher o lixo;

  • Usar repelente, porque há carrapatos na região;

  • Não atravessar o rio em dias de chuva, pelo risco de cabeça d’água;

  • Evitar o auge do verão, quando o volume de água pode impedir o acesso;

  • Lembrar que churrasco não é permitido.

Os meses de abril e maio, e o período de agosto a novembro, costumam ser os mais indicados para o passeio. Para quem quer conhecer tudo sem correria, dormir em uma das pousadas do distrito permite dividir as cachoeiras e a Pedra Pintada em dois dias.

Igor Souza

Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.

Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare
Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare

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