O Cânion das Bandeirinhas, na Serra do Cipó, tem paredões de 80 metros de altura ao longo de 4 km de extensão
Paredões de 80 metros, poços de água escura e 12 km de trilha até a entrada. Veja como chegar a este cânion mineiro e o que levar no dia
Escrito por:
Igor Souza
Publicado em:
28/09/2026
Doze quilômetros de caminhada separam a portaria do parque da primeira vista do Cânion das Bandeirinhas. No fim desse percurso, o Ribeirão Bandeirinhas se estreita entre paredões de pedra com cerca de 80 metros de altura, formando poços de água escura ao longo de 4 quilômetros. É um dos passeios mais longos da Serra do Cipó e pede planejamento desde a saída de casa.
De onde vêm os paredões do Cânion das Bandeirinhas?
O cânion é formado pelo afunilamento do Ribeirão Bandeirinhas, que corre entre a Serra dos Confins, ao sul, e a Serra das Bandeirinhas, ao norte. Os paredões são de quartzito, rocha típica da Serra do Espinhaço, cadeia de montanhas da qual a Serra do Cipó faz parte.
As medidas variam um pouco conforme a fonte. Guias e agências da região falam em paredões de cerca de 80 metros e 4 quilômetros de extensão. Alguns relatos citam até 6 quilômetros, contando os trechos mais abertos do vale.
O cânion fica dentro de um parque nacional
O Parque Nacional da Serra do Cipó foi criado pelo Decreto nº 90.223, de 25 de setembro de 1984, e é administrado pelo ICMBio. A área fica a cerca de 100 quilômetros de Belo Horizonte e protege um trecho importante da Serra do Espinhaço. Alguns números ajudam a dimensionar o parque:
31.639 hectares de área protegida;
Seis municípios: Itabira, Itambé do Mato Dentro, Jaboticatubas, Nova União, Morro do Pilar e Santana do Riacho;
Três portarias oficiais: Areias, Retiro e Alto Palácio;
Aves de distribuição muito restrita, como o joão-cipó.
O acesso ao cânion é feito pela Portaria Areias, que pertence ao município de Jaboticatubas. Quem sai de Belo Horizonte pela MG-010 entra à direita no km 92, antes da ponte do Rio Cipó, e segue por cerca de 4 quilômetros de estrada de terra.
Quanto tempo leva para chegar ao cânion?
Da Portaria Areias até o cânion são 12 quilômetros, o que dá 24 quilômetros de ida e volta. O caminho é quase todo plano, por uma estrada de terra bem marcada que corta o Vale dos Mascates. Para planejar o dia, vale considerar:
Cerca de 6 horas de caminhada no total, sem contar o tempo no cânion;
Menos da metade desse tempo de bicicleta;
Os últimos 2 quilômetros feitos a pé, em trilha com raízes e desníveis.
Por isso, muita gente aluga bicicleta com empresas que atendem perto da portaria e pedala até o ponto em que é preciso seguir a pé. De qualquer forma, o ideal é chegar logo na abertura do parque, porque não há iluminação na trilha e a volta precisa acontecer antes do fechamento.


Cânion das Bandeirinhas com rio entre paredões rochosos na Serra do Cipó, MG - Foto: Igor Souza


Placa do Cânion das Bandeirinhas em trilha com campos e montanhas na Serra do Cipó, MG - Foto: Igor Souza
Tem travessia de rio no caminho?
Sim, e é bom saber disso antes de sair. A primeira travessia é no Córrego das Pedras, por volta do quarto quilômetro, e costuma ser rasa. A segunda fica no Ribeirão Mascates, perto do décimo quilômetro. Ali a água pode chegar ao meio da coxa, e não há alternativa seca.
Em dias de chuva, o nível desses cursos d'água sobe rápido e a travessia fica perigosa. Acompanhar a previsão do tempo e respeitar as orientações dos funcionários do parque faz parte do passeio, principalmente no período chuvoso.
O que esperar dentro do Cânion das Bandeirinhas?
Dentro do cânion, o ribeirão forma uma sequência de poços, pequenas quedas e cascatas entre as paredes de pedra. A água tem tom escuro e o fundo é de pedra clara nos trechos mais rasos:
Paredões de cerca de 80 metros dos dois lados;
Poços para banho ao longo do percurso;
Cascatas e pequenas cachoeiras entre as pedras;
Trechos fundos, sem apoio para os pés.
Nos pontos mais fundos, é preciso saber nadar, já que não há onde apoiar os pés. Quem tem pouca experiência na água deve ficar nos trechos rasos e evitar entrar sozinho nos poços, mesmo quando a superfície parece calma.
+ Leia também: O cenário que você precisa visitar pelo menos uma vez na vida
Dá para combinar o passeio com a Cachoeira da Farofa?
Sim. A trilha da Cachoeira da Farofa sai do mesmo caminho, na bifurcação perto do sexto quilômetro, o que permite visitar os dois lugares no mesmo dia. Nesse caso, a volta fica mais longa e exige mais disposição.
Seja qual for o roteiro, alguns cuidados valem para todo mundo:
Sair cedo, logo na abertura do parque;
Conferir a previsão do tempo antes de sair;
Levar pelo menos 1,5 litro de água por pessoa;
Usar chapéu, protetor solar e roupa leve;
Trazer de volta todo o lixo produzido.
Igor Souza
Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.


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