No meio do trânsito da capital, um oásis europeu esconde lagos e muita paz
Inaugurado em 1897 antes mesmo da própria cidade, o Parque Municipal de BH tem três lagos, 300 espécies de árvores, lagos e muita paz, teatro e tudo gratuito no coração do Hipercentro
Escrito por:
Igor Souza
Publicado em:
07/07/2026
No meio da Avenida Afonso Pena, a mais movimentada do centro de Belo Horizonte, existe uma grade de ferro que separa o caos urbano de quase 193 mil metros quadrados de silêncio. Do outro lado estão lagos com pedalinhos, pontes ornamentais, 300 espécies de árvores, um orquidário com 450 mudas e um teatro centenário — tudo gratuito e aberto ao público desde 1897. O Parque Municipal Américo Renné Giannetti é mais antigo que a própria cidade e ainda hoje surpreende quem o descobre pela primeira vez.
Por que o parque foi inaugurado antes de Belo Horizonte existir?
O parque nasceu do projeto urbanístico da nova capital de Minas Gerais, idealizado pelo engenheiro Aarão Reis no final do século XIX. O paisagista francês Paul Villon foi contratado para projetar o espaço em estilo romântico inglês, com alamedas sinuosas, lagos artificiais e vegetação que misturava espécies nativas e exóticas. A inauguração aconteceu em 26 de setembro de 1897 — semanas antes da inauguração oficial da própria cidade, em dezembro do mesmo ano.
O projeto original era ainda mais ambicioso: previa cassino, restaurante e observatório meteorológico, além de ser pensado para ser o maior e mais bonito parque urbano da América Latina. Pouco disso se concretizou, mas o que foi construído resistiu: as alamedas, as lagoas e as árvores centenárias seguem sendo os elementos centrais do parque que existe hoje, tombado pelo IEPHA em 1975 por Decreto Estadual.
O que tem dentro do Parque Municipal de BH?
O parque ocupa o Hipercentro, a região mais adensada da cidade, e desempenha papel fundamental no equilíbrio ambiental do centro. São aproximadamente 300 espécies de árvores de diferentes biomas, cerca de 70 espécies de fauna silvestre e três lagos artificiais que servem de habitat para aves aquáticas e peixes ornamentais. As principais estruturas e atrações são:
Teatro Francisco Nunes: com 530 lugares, é um dos principais teatros de BH; fica dentro do parque e tem programação variada ao longo do ano;
Orquidário Municipal: inaugurado em 1966, administrado em parceria com a Sociedade Orquidófila de BH; após reforma concluída em 2018, exibe cerca de 450 orquídeas de espécies variadas;
Lagos e pontes ornamentais: três lagos com passeio de pedalinho; as pontes em estilo europeu cruzam os caminhos e os espelhos d'água, criando pontos de contemplação.
Dentro do parque também ficam o Palácio das Artes, espaços para exposições, pista de caminhada e cooper de cerca de 800 metros, quadra poliesportiva e quadra de tênis, equipamentos de ginástica e parque infantil com brinquedos gratuitos e pagos.


Parque Municipal de Belo Horizonte, com coreto refletido no lago e árvores ao redor - Foto: Igor Souza


Barcos coloridos no lago do Parque Municipal de Belo Horizonte, cercado por árvores e visitantes - Foto: Igor Souza
Quem frequenta o parque e como ele é usado no dia a dia?
O parque funciona como pulmão e sala de estar do centro de BH. Nos dias úteis, trabalhadores do Hipercentro usam os bancos sob as árvores para almoçar. Nos fins de semana, famílias chegam para piqueniques nas áreas gramadas, crianças fazem fila no carrossel e na roda gigante e casais passeiam pelas pontes. Aos domingos, a Feira de Artesanato ocupa a Avenida Afonso Pena no entorno, ampliando o movimento na região.
Em junho de 2024, duas esculturas de bronze em tamanho natural de Lélia Gonzalez e Carolina Maria de Jesus foram instaladas em frente ao Teatro Francisco Nunes, integrando o Circuito Literário de BH. Elas se somam às esculturas já existentes de Henriqueta Lisboa, Carlos Drummond de Andrade, Pedro Nava, Roberto Drummond e Murilo Rubião espalhadas pela cidade.
+ Leia também: O cenário que você precisa visitar pelo menos uma vez na vida
O que saber antes de visitar o Parque Municipal?
A entrada é totalmente gratuita. As atrações pagas — pedalinhos, brinquedos eletrônicos e algumas atividades infantis — têm valores acessíveis cobrados no local. O acesso é fácil pelo metrô e pelos terminais de ônibus do centro. Pontos práticos para a visita:
Horário: terça a sábado, das 7h às 21h; domingos das 7h às 17h; fechado às segundas;
Acesso: Avenida Afonso Pena, 1.377 — Centro; próximo à Estação Central do Metrô;
Brinquedos pagos: funcionam das 9h às 16h45; venda de ingressos até 15 minutos antes do encerramento;
Bicicletas: não são permitidas dentro do parque.
O Parque Municipal é também palco de grandes eventos culturais ao longo do ano, como programações do Novembro Negro, atividades da Semana do Meio Ambiente e concertos na Concha Acústica. Para quem está de passagem por BH ou mora na cidade há anos sem nunca ter entrado, a surpresa costuma ser a mesma: não parece real que tudo aquilo exista bem ali.
Igor Souza
Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.


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