No Caminho Novo da Estrada Real, Queluzito guarda uma igreja do século XVIII com duas torres, escadaria e praça cercada de casarões

Uma capela com três datas de fundação, um nome tirado de uma rocha e uma cachoeira de água morna a 108 km de BH. Veja o que conhecer nessa cidade mineira

Escrito por:
Igor Souza

Publicado em:
15/10/2026

Duas torres no alto de uma escadaria, uma praça sombreada e casarões antigos ao redor. A cena resume Queluzito, cidade mineira com menos de 2 mil moradores que nasceu em volta de uma capela no início do século XVIII e ainda organiza o seu centro a partir dela.

Onde fica Queluzito e qual a sua ligação com a Estrada Real?

Queluzito fica na região central de Minas Gerais, vizinha de Conselheiro Lafaiete, e faz parte do Caminho Novo da Estrada Real. Essa rota foi aberta no período colonial para encurtar a viagem entre o Rio de Janeiro e Vila Rica, atual Ouro Preto, e fez surgir vários povoados pelo caminho.

O povoado de Santo Amaro, origem da cidade, foi um deles, formado na primeira metade do século XVIII. Hoje o município ainda recebe quem percorre a Estrada Real a pé, de bicicleta ou de carro. Para situar o visitante, alguns números ajudam:

  • 1.866 habitantes;

  • Cerca de 108 km de Belo Horizonte;

  • Trecho de 19 km até Conselheiro Lafaiete.

Quando a capela de Santo Amaro foi construída?

A resposta muda conforme a fonte. O Instituto Estrada Real fala em uma primeira capela por volta de 1715. Outros registros citam o início das obras em 1726, com a conclusão oficial em 12 de março de 1738, e há ainda quem date a fundação do povoado de 1730.

O que todas as versões têm em comum é o nome de Amaro Ribeiro, apontado como responsável pela construção e pelo santo escolhido. O primeiro registro documental da capela é de 7 de janeiro de 1742. A divergência mostra como a história dos pequenos arraiais mineiros ainda tem lacunas nos documentos da época.

A Igreja Matriz de Santo Amaro preserva a arquitetura do século XVIII

A antiga capela deu lugar à Igreja Matriz de Santo Amaro, construção setecentista que domina a praça central. Ela continua em uso pela comunidade, com missas, batizados, casamentos e a festa do padroeiro, e também está aberta à visitação de quem passa pela cidade.

O conjunto chama atenção pela posição elevada em relação ao restante do centro, já que a escadaria faz o visitante subir até a porta principal. Na visita, vale observar com calma alguns elementos que ajudam a entender a construção e a sua importância local:

  • Escadaria frontal de acesso;

  • Duas torres laterais;

  • Cemitério nos fundos;

  • Tombamento municipal desde 2002.

Igreja Matriz de Queluzito, MG, com duas torres, fachada histórica e jardins arborizados na praça
Igreja Matriz de Queluzito, MG, com duas torres, fachada histórica e jardins arborizados na praça

Igreja Matriz de Queluzito, MG, com duas torres, fachada histórica e jardins arborizados na praça central - Foto: Igor Souza

Vista do centro de Queluzito, MG, com casas históricas, ruas tranquilas e praça ajardinada letreiro
Vista do centro de Queluzito, MG, com casas históricas, ruas tranquilas e praça ajardinada letreiro

Vista do centro de Queluzito, MG, com casas históricas, ruas tranquilas e praça ajardinada com letreiro - Foto: Igor Souza

O que ver na Praça Santo Amaro?

A praça em frente à igreja é o ponto de encontro da cidade. Arborizada e com bastante sombra, ela é o melhor lugar para observar a fachada da Matriz de diferentes ângulos, sem pressa, antes ou depois de subir a escadaria.

O entorno também conta parte da história. Os casarões ao redor da praça são da mesma época da igreja e ajudam a manter a aparência do antigo arraial, com o centro organizado em volta do templo. Durante o passeio, dois pontos merecem atenção:

  • Casarões do período colonial;

  • Vista da escadaria e das torres.

De onde vem o nome Queluzito?

O povoado nasceu como Santo Amaro do Camapuã e manteve o nome Santo Amaro até 31 de dezembro de 1943, quando passou a se chamar Queluzito, ainda como distrito. A emancipação veio em 1962, e o aniversário da cidade é comemorado em 1º de março.

O nome faz referência à queluzita, rocha metamórfica abundante na região, e lembra Queluz, antigo nome de Conselheiro Lafaiete. Entre os primeiros moradores estavam famílias portuguesas do Minho e José da Costa Oliveira, bisavô do Conselheiro Lafayette Rodrigues Pereira, que deu nome à cidade vizinha.

+ Leia também: O cenário que você precisa visitar pelo menos uma vez na vida

A visita pode ser completada com natureza e hotéis-fazenda

Quem tem mais tempo pode sair do centro histórico e conhecer a zona rural. A economia local se apoia na criação de gado e na produção de leite, e as estradas de terra que cortam as fazendas levam a pontos de banho procurados por moradores e visitantes.

Para transformar a visita em fim de semana, a cidade conta com hospedagem em hotéis-fazenda na zona rural, o que facilita combinar a igreja, a praça e as cachoeiras no mesmo roteiro, sem pressa. Fora da praça, as opções mais citadas pelo Instituto Estrada Real são:

  • Cachoeira do Maciel, de águas claras e mornas;

  • Caminhos rurais que levam a outras cachoeiras;

  • Hotel Fazenda da Chácara e Hotel Fazenda da Lagoa.

Igor Souza

Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.

Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare
Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare

Posts que você pode gostar

Todos os Direitos Reservados © 2024

Contato e parcerias: olharesporminasoficial@gmail.com