Na Gruta Rei do Mato, em Sete Lagoas, duas colunas de calcita com 12 metros de altura formam algo único no mundo
Duas colunas de calcita levaram milhões de anos para se formar dentro de uma caverna perto de Belo Horizonte e não têm igual no mundo
Escrito por:
Leonardo Coelho
Publicado em:
15/09/2026
No fundo de uma caverna às margens da BR-040, duas colunas de calcita levaram milhões de anos para se formar e hoje atraem geólogos do mundo inteiro. A Gruta Rei do Mato, em Sete Lagoas, guarda essa formação considerada única no planeta, resultado do encontro raro entre estalactites e estalagmites. Entre salões iluminados, pinturas rupestres milenares e uma lenda sobre um eremita, essa gruta reúne beleza natural e curiosidades que vão muito além do óbvio. Poucos visitantes imaginam que tudo isso está a pouco mais de uma hora da capital mineira.
A Gruta Rei do Mato é uma das maiores cavernas de Minas Gerais
A Gruta Rei do Mato tem 998 metros de extensão total, o que a coloca entre as 50 maiores cavernas de Minas Gerais, segundo levantamento da Sociedade Brasileira de Espeleologia. Desses, apenas 220 metros estão abertos à visitação, percorridos por passarelas e escadarias com iluminação em LED. O percurso guiado passa por quatro salões distintos, com desníveis que chegam a 30 metros de profundidade. Cada um desses salões guarda formações próprias, com nomes que remetem a objetos e figuras do dia a dia.
A gruta fica localizada às margens da BR-040, próxima ao trevo de acesso à cidade de Sete Lagoas, a cerca de 70 quilômetros de Belo Horizonte. Além do tamanho, o local é considerado uma gruta viva, já que segue em processo de formação por causa da ação constante da água que penetra no solo. Essa característica reforça o valor científico da Gruta Rei do Mato dentro do estudo da espeleologia mineira.


Torres Gêmeas na Gruta Rei do Mato, em Sete Lagoas, MG, formação única no interior da caverna - Foto: Igor Souza
O que torna as Colunas Gêmeas uma formação única no mundo?
No último trecho da gruta, conhecido como Salão das Raridades, está a formação que mais impressiona quem visita o local: as Colunas Gêmeas. Trata-se de duas estruturas cilíndricas de calcita, formadas ao longo de milhões de anos pelo encontro raro entre estalactites e estalagmites. Dois números ajudam a entender a singularidade dessas colunas:
Altura de aproximadamente 12 metros para cada coluna;
Diâmetro de apenas 25 centímetros, mantido ao longo de toda a extensão.
Essa combinação entre altura considerável e diâmetro tão fino é o que torna as Colunas Gêmeas uma formação praticamente sem paralelo entre as demais grutas do Brasil. O mesmo salão também guarda a maior estalactite da caverna, que sozinha pesa cerca de uma tonelada. Juntas, essas formações atraem pesquisadores interessados em entender melhor os processos geológicos por trás desse tipo de fenômeno.


Entrada da Gruta Rei do Mato, em Sete Lagoas, MG, cercada por formações rochosas - Foto: Igor Souza
De onde vem o nome Rei do Mato?
O nome da gruta tem origem numa lenda contada há décadas por moradores de Sete Lagoas. Segundo a tradição local, um homem teria se instalado no local após fugir da Revolução de 1930, passando a viver ali como uma espécie de eremita. Curiosos com a presença desse morador isolado, os habitantes da região passaram a chamá-lo de Rei do Mato.
Com o tempo, o apelido dado ao morador acabou se tornando o próprio nome da caverna, situação comum em lendas populares que atravessam gerações. Independentemente de quanto dessa história é fato comprovado, o nome segue firme até hoje, integrado à identidade turística do local. Alguns elementos ajudam a resumir essa origem lendária:
Um homem que teria fugido da Revolução de 1930;
A vida isolada levada por esse morador dentro da mata;
O apelido "Rei do Mato", dado pelos moradores da região.
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O que mais compõe o roteiro dessa rota de grutas históricas?
A Gruta Rei do Mato faz parte da Rota das Grutas Peter Lund, circuito que também inclui a Gruta da Lapinha, em Lagoa Santa, e a Gruta de Maquiné, em Cordisburgo. O nome do circuito homenageia o naturalista dinamarquês Peter Wilhelm Lund, que explorou mais de 200 cavernas na região a partir de 1835. Alguns pontos ajudam a completar o roteiro para quem visita a Gruta Rei do Mato:
A Grutinha, com pinturas rupestres de mais de 6 mil anos;
A réplica de uma preguiça-gigante exposta próxima à entrada;
O Monumento Natural Estadual, criado pela Lei Estadual nº 18.348 de 2009;
As demais grutas da Rota Peter Lund, em Lagoa Santa e Cordisburgo.
As pinturas rupestres da Grutinha foram feitas com sangue e gordura vegetal, técnica que ajuda a datar essas manifestações artísticas em milhares de anos. A combinação entre formações geológicas raras, arte rupestre e a herança científica de Peter Lund transforma essa região em um dos pontos mais completos para quem se interessa por espeleologia em Minas Gerais. As visitas, sempre guiadas, ajudam a preservar tanto a gruta quanto seu entorno histórico.


Formações de estalactites no interior da Gruta Rei do Mato, em Sete Lagoas, MG - Foto: Igor Souza
Leonardo Coelho
Leonardo Coelho é um viajante e entusiasta de experiências culturais que revelam a alma do mundo, mantendo sempre vivo o orgulho de suas raízes mineiras. Busca enxergar a física e a química nas nuances da natureza, transformando o movimento da vida em descobertas. Apaixonado pela estrada, encontra seu propósito ao transmitir cada detalhe, sabor e fenômeno que presencia, conectando pessoas através da arte de explorar e sentir o real.


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