Morro d'Água Quente, o refúgio centenário mineiro de paisagens de tirar o fôlego que merece visita ainda este mês

O vilarejo de Morro d'Água Quente, em Catas Altas (MG), leva no nome a lembrança de fontes termais soterradas há séculos pela ganância de quem procurava ouro nas montanhas

Escrito por:
Igor Souza

Publicado em:
21/07/2026

Aos pés de uma das serras mais imponentes de Minas Gerais existe um pequeno povoado onde muros de pedra centenários, ruínas de moinhos e capelas coloniais convivem com paisagens abertas que convidam à caminhada. Trata-se de Morro D'Água Quente, distrito de Catas Altas que guarda no próprio nome a memória de fontes termais desaparecidas e oferece hoje um dos refúgios mais tranquilos do Circuito do Ouro.

De onde veio esse nome tão curioso?

O nome do povoado tem origem em um detalhe que poucos imaginam ao chegar no local: antigas fontes de água quente que existiam nas proximidades. Segundo relatos do naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire, que passou pela região no século XIX, essas fontes termais acabaram destruídas pelas escavações feitas na ânsia de encontrar mais ouro durante o auge da mineração.

A principal delas chegou a ser soterrada por um desabamento, desaparecendo por completo da paisagem. Restou apenas o nome, que segue carregando a lembrança de um recurso natural que existiu ali no passado e que hoje sobrevive apenas na memória e nos registros históricos da região.

Como o ouro moldou a história do lugar?

O povoado nasceu no século XVIII, com a chegada de uma família vinda diretamente de Portugal que passou a explorar ouro na região. Um dos membros, Domingos Vieira da Silva, tornou-se proprietário de um casarão que abriga funções administrativas até hoje, e seus descendentes foram apontados como responsáveis por uma das minas mais ricas do distrito, a chamada Mina do Bananal.

A engenhosidade daquele período ainda pode ser observada em estruturas que resistiram ao tempo, revelando como funcionava o cotidiano da mineração colonial. Entre os vestígios mais interessantes para quem caminha pelo distrito, vale prestar atenção em:

  • A antiga caixa d'água onde as pepitas de ouro eram lavadas;

  • Os moinhos de pedra, movidos pela mesma água da caixa;

  • Os muros de pedra seca que delimitavam as propriedades.

O que torna a capela do distrito tão especial?

A Igreja de Nosso Senhor do Bonfim é um dos principais símbolos do povoado, construída ainda no período colonial por mãos escravizadas, assim como boa parte das estruturas mais antigas do local. A construção simples, em barro, madeira e pedra, contrasta com a riqueza dos detalhes internos preservados ao longo dos séculos.

Em seu interior, o templo guarda um altar-mor em estilo rococó, com pinturas douradas que chamam atenção pela delicadeza do trabalho. O chão revestido de ladrilhos vermelhos feitos de terra completa o conjunto, junto com a imagem do Senhor do Bonfim posicionada no trono principal, reforçando o valor histórico e artístico da pequena igreja.

Casa colonial branca com detalhes azuis e portas amarelas em Morro d’Água Quente, Catas Altas
Casa colonial branca com detalhes azuis e portas amarelas em Morro d’Água Quente, Catas Altas

Casa colonial branca com detalhes azuis e portas amarelas em Morro d’Água Quente, Catas Altas - Foto: Igor Souza

Capela branca com detalhes azuis ao lado de árvore centenária em Morro d’Água Quente, Catas Altas
Capela branca com detalhes azuis ao lado de árvore centenária em Morro d’Água Quente, Catas Altas

Capela branca com detalhes azuis ao lado de árvore centenária em Morro d’Água Quente, Catas Altas - Foto: Igor Souza

Por que esse refúgio é ideal para quem busca tranquilidade?

A localização aos pés da Serra do Caraça, resguardada pelo contraforte da Serra do Espinhaço, garante ao distrito paisagens montanhosas que se abrem a cada curva das estradas locais. Diferente dos grandes centros históricos, o lugar mantém um ritmo lento, com poucas construções e amplo contato com a natureza ao redor.

Caminhar pelas estradas de terra e pelos caminhos do povoado é a melhor forma de absorver essa atmosfera, combinando contemplação das ruínas históricas com o ar puro da serra. Quem busca silêncio e desaceleração encontra ali um cenário raro, onde o contraste entre o passado minerador e a calma atual transforma qualquer passeio em uma experiência de descanso.

+ Leia também: O cenário que você precisa visitar pelo menos uma vez na vida

Quais atrativos completam um dia de visita?

Apesar do tamanho reduzido, o distrito oferece mais opções do que se imagina para quem decide passar algumas horas explorando a região. A proximidade com a sede de Catas Altas, a apenas alguns quilômetros pela estrada asfaltada no sentido Mariana, facilita a inclusão do povoado em roteiros mais amplos pelo Circuito do Ouro.

Para quem deseja aproveitar bem a visita, vale combinar o passeio histórico com paradas em pontos naturais e gastronômicos da região:

  • A Lagoa do Mosquito, conhecida pelo visual marcante;

  • Os restaurantes típicos de comida mineira no entorno;

  • As trilhas e estradas que levam a mirantes da Serra do Caraça;

  • O conjunto arquitetônico tombado, ideal para caminhadas a pé.

Mais do que um simples ponto de passagem, esse pequeno distrito entrega a combinação rara de história preservada, paisagens de montanha e a paz típica dos vilarejos mineiros, motivo suficiente para reservar um dia de caminhada por suas estradas ainda este mês.

Igor Souza

Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.

Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare
Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare

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