Milho Verde reúne igrejas do século XIX, cachoeiras e a história de uma das personagens mais marcantes do Brasil colonial

Uma igreja onde foi batizada uma das mulheres mais famosas do período colonial, cachoeiras a 2 km do centro e uma capela no alto do morro esperam por você

Escrito por:
Igor Souza

Publicado em:
30/09/2026

Em 1734, uma menina chamada Francisca foi batizada em uma pequena igreja de Milho Verde. Décadas depois, o país inteiro a conheceria como Chica da Silva. Esse distrito do Serro, no Vale do Jequitinhonha, ainda guarda a igreja do batismo, uma capela no alto do morro e cachoeiras a poucos quilômetros do centro.

Onde fica Milho Verde e como chegar?

Milho Verde é um distrito do Serro. Fica entre o Serro e Diamantina, aos pés da Serra do Espinhaço, e faz parte do Caminho dos Diamantes, um dos trechos da Estrada Real.

Para planejar a viagem, vale ter em mente algumas referências:

  • O distrito fica a cerca de 312 quilômetros de Belo Horizonte;

  • A sede do Serro fica a aproximadamente 26 quilômetros, por estrada asfaltada;

  • A partir da capital, dá para ir por Curvelo ou pela Serra do Cipó.

Milho Verde surgiu no início do século 18

Segundo o Instituto Estrada Real, o arraial foi fundado em 1713 pelo português Manoel Rodrigues de Milho Verde, que acabou dando nome ao lugar. A Prefeitura do Serro confirma que o povoado já existia antes de 1732.

O arraial cresceu com a busca por ouro e diamantes, que movimentou toda a região no período colonial. Foi nesse ambiente de mineração, poucos anos depois da fundação, que nasceu a personagem mais famosa de Milho Verde.

Quem foi Chica da Silva e qual a ligação dela com Milho Verde?

Francisca da Silva de Oliveira nasceu no arraial de Milho Verde entre 1731 e 1735. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais reuniu documentos sobre a vida dela. Segundo o tribunal, Chica era filha de Maria da Costa, mulher escravizada trazida da Costa da Mina, na África, e do militar português Antônio Caetano de Sá.

Alguns fatos ajudam a entender por que ela se tornou uma das figuras mais conhecidas do Brasil colonial:

  • Conquistou a liberdade depois de se unir ao contratador de diamantes João Fernandes de Oliveira;

  • Conheceu João Fernandes em 1753, e os dois viveram juntos por cerca de 17 anos;

  • O casal teve 13 filhos;

  • Ganhou destaque no Arraial do Tejuco, atual Diamantina, o principal centro de extração de diamantes da época.

Casarões antigos com portas e janelas azuis em rua tranquila do distrito de Milho Verde, MG
Casarões antigos com portas e janelas azuis em rua tranquila do distrito de Milho Verde, MG

Casarões antigos com portas e janelas azuis em rua tranquila do distrito de Milho Verde, MG - Foto: Igor Souza

Casarão antigo com portas de madeira e rua de terra no distrito de Milho Verde, em Serro, MG
Casarão antigo com portas de madeira e rua de terra no distrito de Milho Verde, em Serro, MG

Casarão antigo com portas de madeira e rua de terra no distrito de Milho Verde, em Serro, MG - Foto: Igor Souza

O que a Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres guarda?

Segundo o Instituto Estrada Real e a Prefeitura do Serro, a Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres foi a primeira igreja do vilarejo. É também o principal elo entre Milho Verde e Chica da Silva. Para quem chega interessado na história dela, é a parada obrigatória do roteiro.

O valor histórico do prédio tem reconhecimento oficial, e dois pontos merecem atenção durante a visita:

  • Foi ali que Chica da Silva recebeu o batismo, em 1734;

  • A igreja é tombada pelo Iepha-MG desde 1980.

A Igreja do Rosário ocupa o ponto mais alto do vilarejo

A Igreja de Nossa Senhora do Rosário foi construída no século 19, no alto de um morro, de frente para o vale. Segundo a Prefeitura do Serro, ela pode ter sido erguida por pessoas negras, livres ou escravizadas, e servia como local de oração para essa população.

A subida é curta e rende uma das vistas mais bonitas da região, com as serras ao fundo. De acordo com o Instituto Estrada Real, a capela aparece no disco "Caçador de Mim", de Milton Nascimento.

+ Leia também: O cenário que você precisa visitar pelo menos uma vez na vida

Quais cachoeiras ficam perto do centro?

As cachoeiras são o outro grande motivo para visitar Milho Verde. Algumas ficam a uma caminhada leve do centro; outras pedem mais disposição.

Estas são as mais citadas por quem conhece o distrito:

  • Cachoeira do Moinho, a cerca de 2 quilômetros do centro, com estrutura para visitantes;

  • Cachoeira do Lajeado, com trilha de aproximadamente 5 quilômetros;

  • Cachoeira do Piolho, com queda de 30 metros, onde também é possível praticar rapel;

  • Cachoeira do Carijó, outra opção indicada pelo Instituto Estrada Real.

O que mais vale conhecer em Milho Verde?

Além das igrejas e das cachoeiras, o distrito tem mais dois pontos que completam o passeio:

  • O Chafariz da Goiabeira;

  • O Rio Jequitinhonha, que corta a região.

Como as distâncias são curtas, dá para conhecer as duas igrejas a pé em uma manhã e deixar a tarde para uma das cachoeiras. Com mais tempo, vale incluir a sede do Serro no roteiro.

Igor Souza

Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.

Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare
Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare

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