Mariana foi a primeira capital de Minas Gerais e ainda guarda os símbolos disso

Foi a primeira vila, a primeira cidade e a primeira capital de Minas, e ainda guarda o pelourinho e as igrejas gêmeas. Veja os símbolos que resistem

Escrito por:
Igor Souza

Publicado em:
04/08/2026

Numa mesma praça, ficam frente a frente duas igrejas quase iguais, um antigo pelourinho e a velha cadeia da cidade. Não é coincidência: esse conjunto conta, em pedra, a história de quando Mariana era o centro do poder em Minas Gerais. A cidade foi a primeira vila, a primeira cidade e a primeira capital do estado, e ainda exibe os símbolos desse posto.

Como Mariana virou a primeira capital de Minas?

Tudo começou com o ouro. Em 16 de julho de 1696, bandeirantes paulistas chefiados por Salvador Fernandes Furtado acamparam às margens de um pequeno rio onde o metal aparecia em abundância, batizado de Ribeirão do Carmo.

O arraial cresceu rápido e, em 1711, foi elevado à categoria de vila. Ao longo do período colonial, acumulou títulos que poucos lugares tiveram:

  • Primeira vila de Minas Gerais;

  • Primeira cidade do estado;

  • Primeira capital no período colonial.

A Praça Minas Gerais reúne os símbolos do poder colonial

O melhor retrato desse passado está na Praça Minas Gerais, considerada um dos conjuntos barrocos urbanos mais impressionantes do Brasil. Ali, num só lugar, aparecem os três poderes que organizavam a vida da vila.

O poder religioso, o civil e o da Justiça dividem o mesmo espaço, cada um com seu monumento. Vale reparar em cada elemento:

  • As igrejas gêmeas de São Francisco de Assis e Nossa Senhora do Carmo;

  • O pelourinho, marco do poder e das punições;

  • A Casa de Câmara e Cadeia;

  • O traçado urbano planejado, raro no período.

Igreja histórica de Mariana vista entre janelas azuis, com montanhas ao fundo, em MG
Igreja histórica de Mariana vista entre janelas azuis, com montanhas ao fundo, em MG

Igreja histórica de Mariana vista entre janelas azuis, com montanhas ao fundo, em MG - Foto: Igor Souza

Por que a cidade é chamada de cidade dos bispos?

O apelido veio da Igreja. Em 1745, Mariana recebeu o bispado por meio de uma bula do Papa Bento XIV, tornando-se sede religiosa de uma vasta região.

A presença dos bispos ajudou a moldar a cidade e a encher o centro de igrejas e obras sacras. Dois marcos explicam esse peso religioso:

  • A criação do bispado, em 1745;

  • O grande número de igrejas erguidas no século 18.

O que ver na Catedral da Sé?

A Catedral da Sé é o coração religioso de Mariana e guarda uma raridade: um órgão construído pelo alemão Arp Schnitger em 1701, doado pela Coroa portuguesa e instalado na igreja em 1753.

É apontado como um dos instrumentos mais antigos das Américas, e a boa notícia é que ele ainda funciona. A catedral costuma sediar concertos que colocam o órgão para tocar, experiência que atrai visitantes de fora da cidade.

Igreja histórica e pelourinho na Praça Minas Gerais, no centro de Mariana, MG
Igreja histórica e pelourinho na Praça Minas Gerais, no centro de Mariana, MG

Igreja histórica e pelourinho na Praça Minas Gerais, no centro de Mariana, MG - Foto: Igor Souza

O que fazer além do centro histórico?

A cidade não se resume à praça principal. Mariana divide com Ouro Preto um dos conjuntos barrocos mais bonitos de Minas e reúne dezenas de igrejas e capelas do século 18, muitas com pedras tiradas das próprias minas.

Quem quer variar o programa encontra museus e até uma antiga mina aberta à visitação. Entre as opções fora do circuito das praças estão:

  • O Museu de Arte Sacra, com obras de Aleijadinho

  • A Mina da Passagem, aberta à visitação

  • As muitas igrejas espalhadas pela cidade

  • O passeio até a vizinha Ouro Preto

  • Os trechos da Estrada Real na região

+ Leia também: Turistas trocam o agito das cidades grandes pelo sossego desse destino

Mariana preserva a memória do começo de Minas

Andar pelo centro de Mariana é, na prática, percorrer o ponto de partida da história do estado. Foi ali que se organizou boa parte da vida administrativa e religiosa no auge da mineração.

Por manter de pé praças, igrejas e monumentos daquele tempo, a cidade continua sendo uma das melhores formas de entender como Minas Gerais começou. Um destino que junta título histórico e patrimônio de verdade, não só no nome.

Igrejas de São Francisco de Assis e Nossa Senhora do Carmo na Praça Minas Gerais, em Mariana
Igrejas de São Francisco de Assis e Nossa Senhora do Carmo na Praça Minas Gerais, em Mariana

Igrejas de São Francisco de Assis e Nossa Senhora do Carmo na Praça Minas Gerais, em Mariana - Foto: Igor Souza

Igor Souza

Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.

Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare
Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare

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