Lapinha da Serra fica em uma APA de 97 mil hectares, dentro da Reserva da Biosfera reconhecida pela Unesco em 2005
Picos de quase 1.700 metros, pinturas rupestres de 7 mil anos e uma lagoa sem barcos a motor, tudo numa área reconhecida pela Unesco
Escrito por:
Igor Souza
Publicado em:
06/11/2026
A 143 km de Belo Horizonte, depois de 10 km de estrada de terra, um vilarejo de poucas centenas de moradores divide espaço com picos de quase 1.700 metros, uma lagoa e pinturas rupestres de milhares de anos. Lapinha da Serra, distrito de Santana do Riacho, está em uma das áreas mais protegidas da Serra do Espinhaço, e isso explica boa parte do que o visitante encontra por lá.
O que significa estar dentro de uma APA?
Lapinha da Serra fica na Área de Proteção Ambiental Morro da Pedreira, uma unidade de conservação federal. Diferente de um parque, a APA permite moradores e atividades econômicas, mas impõe regras para o uso do solo e dos recursos naturais.
O tamanho da área varia conforme a fonte: o decreto de criação fala em cerca de 100 mil hectares, segundo o Cadastro Nacional de Unidades de Conservação. Outros dados ajudam a entender seu papel na região:
criação pelo Decreto nº 98.891, de 26 de janeiro de 1990;
gestão do ICMBio;
função de zona de amortecimento do Parque Nacional da Serra do Cipó;
abrangência em oito municípios mineiros.
A Reserva da Biosfera amplia a proteção
Além da APA, a região integra a Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço, reconhecida pela Unesco em 24 de junho de 2005. O título não cria regras novas, mas reconhece a importância ambiental da cordilheira em escala internacional.
A reserva cobre um território enorme, com 172 municípios. Dentro dela, convivem três biomas brasileiros:
Cerrado;
Mata Atlântica;
Caatinga.
Como surgiu a Lapinha da Serra?
A região foi rota de bandeirantes no século 18, na busca por diamantes, e depois virou caminho de tropeiros. O primeiro núcleo da área foi a capela de Santana do Riacho, erguida em outubro de 1759.
O nome Lapinha da Serra é bem mais recente. Ele surgiu no início do século 20, quando três famílias se estabeleceram no alto da serra e formaram o vilarejo que existe até hoje.
O que são as pinturas rupestres da Lapinha?
Muito antes dos bandeirantes, a serra já era ocupada. Um sítio arqueológico na beira da lagoa guarda pinturas rupestres com cerca de 7 mil anos, um dos registros mais antigos da presença humana na região.
O acesso é feito de barco, atravessando a lagoa. A visita tem taxa, que inclui o translado de canoa, e o valor deve ser consultado no próprio vilarejo.


Vista da lagoa de Lapinha da Serra, MG, cercada por montanhas rochosas e vegetação nativa - Foto: Igor Souza


Capela branca com telhado colonial e montanhas rochosas ao fundo em Lapinha da Serra, MG - Foto: Igor Souza
A lagoa nasceu de uma represa dos anos 1950
A Lagoa da Lapinha não é natural. Ela foi formada por uma represa construída na década de 1950 pela Companhia Industrial de Belo Horizonte e hoje é formada por dois lagos separados por montanhas e ligados por um canal.
Barcos a motor são proibidos, o que mantém a água tranquila para banho e passeios. Para quem quer explorar a lagoa, as opções de aluguel são:
caiaque;
prancha a remo.
Quais picos dá para subir na Lapinha da Serra?
Os dois picos mais famosos da região ficam praticamente lado a lado e têm altitudes quase idênticas. As trilhas exigem preparo físico, com trechos de pedra e terra escorregadia.
Do alto, a vista alcança o vilarejo, os lagos e a cadeia de montanhas do Espinhaço. Antes de escolher, vale comparar os dois:
Pico do Breu: 1.687 metros, o ponto mais alto da Serra do Cipó, com subida de 4 km;
Pico da Lapinha: 1.686 metros, com cruzeiro no topo e cerca de 4 horas de trilha, ida e volta.
Quais cachoeiras ficam perto do vilarejo?
A Lapinha da Serra é cercada de quedas d’água, e várias ficam a uma caminhada do centro. Para quem quer ir mais longe, o vilarejo é o ponto de partida da Travessia Lapinha-Tabuleiro, percurso de três dias que termina na Cachoeira do Tabuleiro, com 273 metros de queda.
Entre as opções mais próximas, algumas exigem atenção às regras de uso:
Bicame: 30 metros de queda, numa reserva particular com limite de visitantes por dia;
Rapel: cerca de 30 metros, procurada para a prática que dá nome a ela;
Lajeado: paredão de aproximadamente 40 metros;
Poço da Pedra: cerca de 5 metros, indicada para crianças;
Paraíso: banho proibido, porque a água abastece o vilarejo.
+ Leia também: Turistas trocam o agito das cidades grandes pelo sossego desse destino
Como chegar à Lapinha da Serra?
A viagem a partir de Belo Horizonte leva cerca de 2h30. A Saritur tem linhas diárias entre a rodoviária da capital e a sede de Santana do Riacho.
De carro, o trajeto se divide em três trechos, e o último pede atenção em dias de chuva:
100 km pela MG-010 até a Serra do Cipó;
33 km até a sede de Santana do Riacho;
10 km de estrada de terra até a Lapinha.
Igor Souza
Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.


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