Itabirito integra o Quadrilátero Ferrífero, região responsável por boa parte da mineração de Minas Gerais
Uma rocha estudada no mundo inteiro, um pico protegido por lei e um pastel que nasceu das sobras de angu: a cidade mineira que vive sobre o minério de ferro
Escrito por:
Igor Souza
Publicado em:
20/10/2026
Existe uma rocha estudada por geólogos de vários países que leva o nome de uma cidade mineira a apenas 55 km de Belo Horizonte. Itabirito está no coração do Quadrilátero Ferrífero, a região que concentra a maior produção de minério de ferro do Brasil, e sua história, sua paisagem e até sua comida ajudam a entender por que a mineração moldou tanto o estado.
O que é o Quadrilátero Ferrífero, afinal?
É uma área de cerca de 7.000 km² no centro de Minas Gerais, com serras ricas em ferro e outros minerais. O nome vem do desenho aproximado de um quadrado formado pelas serras da região, que reúne municípios conhecidos de quem viaja pelo estado, entre eles:
Ouro Preto;
Mariana;
Congonhas;
Itabira;
Belo Horizonte.
As rochas que deram origem a essa riqueza se formaram há bilhões de anos. No fim do século 17, os bandeirantes encontraram ouro na região e deram início a um ciclo que mudou o mapa do país. Com o tempo, o ouro perdeu força e o ferro assumiu o protagonismo que mantém até hoje na mineração em Minas Gerais.
Itabirito deu nome a uma rocha conhecida em todo o mundo
Na geologia, “itabirito” é o nome de um tipo de formação de ferro em camadas, com faixas alternadas de quartzo e de minerais como hematita e magnetita. O termo foi aplicado primeiro ao minério de ferro do Pico do Itabirito e acabou adotado em estudos sobre depósitos semelhantes em outros países.
O próprio nome da cidade tem origem indígena e costuma ser traduzido como “pedra aguda”. A expressão combina com o relevo local, marcado por serras e picos de rocha escura. Poucas cidades brasileiras podem dizer que emprestaram o nome a um termo usado nos livros de geologia.
Por que o Pico do Itabirito virou monumento natural?
O pico é formado por minério de ferro compacto e se destaca na paisagem da Serra das Serrinhas, no lado leste da chamada Sinclinal Moeda. Por ser uma referência visual e científica tão importante, recebeu proteção especial na Constituição mineira de 1989.
Além do tombamento estadual, ele integra a lista brasileira de sítios ligados à história da geologia e da mineração. Para entender por que ele chama tanta atenção, vale conhecer alguns números e características:
Tem 1.586 metros de altitude;
Se ergue cerca de 80 metros acima do terreno ao redor;
É composto principalmente por hematita e magnetita;
Foi declarado monumento natural em 1989.


Antiga estação ferroviária de Itabirito, MG, com rua de pedras, árvores e bancos no centro da cidade - Foto: Igor Souza


Antiga locomotiva ferroviária amarela e preta exposta ao lado de construção histórica em Itabirito, MG - Foto: Igor Souza
Como a mineração moldou a história da cidade?
A ocupação da região começou com os bandeirantes Fernão Dias Pais Leme e Borba Gato, atraídos pela riqueza mineral no século 17. O povoado cresceu em torno da mina de Arêdes, onde foi erguida uma capela a São Sebastião, e por muito tempo foi chamado de Itaubyra e, depois, de Itabira do Campo.
O distrito foi criado em 1752 e permaneceu ligado a Ouro Preto até 1923, quando foi elevado a vila já com o nome de Itabirito. Dois anos depois, em 1925, ganhou o título de cidade. A mineração nunca saiu da economia local e segue como uma das atividades mais importantes do município.
O que o pastel de angu revela sobre Itabirito?
Nem toda herança da cidade está nas serras. O pastel de angu, símbolo da cozinha local, também nasceu da história de trabalho na região, ainda no século 19, quando o lugar era distrito de Ouro Preto. A trajetória do quitute pode ser resumida em três momentos:
Pessoas escravizadas nas fazendas aproveitavam sobras de angu para fazer um bolinho frito;
O primeiro recheio era feito com umbigo de banana;
A receita chegou à forma atual por volta de 1885.
No século 20, famílias da cidade passaram a vender e divulgar o pastel fora do município. Hoje ele é registrado como patrimônio imaterial de Itabirito e ganhou uma festa própria, que nasceu nas escolas em 2000 e se tornou um dos eventos mais conhecidos da cidade.
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Itabirito rende um dia inteiro de passeio
A cidade fica a 55 km de Belo Horizonte, o que permite um bate-volta tranquilo. O centro reúne prédios antigos, comércio e boa oferta de lanchonetes que servem o pastel de angu, prato que vale reservar para a hora do almoço.
Quem quiser conhecer além da mineração encontra opções para diferentes interesses, da história à vista das serras. Entre os pontos que costumam entrar no roteiro, estão:
Igreja Matriz de Nossa Senhora da Boa Viagem, do século 18;
Complexo Turístico da Estação, instalado na antiga área ferroviária;
Morro do Cristo, com 1.179 metros e vista para a Serra da Piedade e o Caraça;
Mercado Municipal, para conhecer produtos da região.
Igor Souza
Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.


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