Igreja de Santa Rita em Serro (MG)
Conheça a história, a escadaria e o tombamento da Igreja de Santa Rita, em Serro (MG). Planeje sua visita à igreja do escadão
Escrito por:
Igor Souza
Publicado em:
10/07/2025
A Igreja de Santa Rita é o maior símbolo do Serro, erguida no alto da cidade e avistada de quase qualquer rua do centro histórico. Também chamada de igreja do escadão, por causa da longa escadaria de pedra que leva até sua porta, ela é o cartão-postal mais fotografado da região.
Neste guia você confere a história da igreja, entende sua relação com o tombamento do Serro pelo IPHAN, conhece a famosa escadaria e descobre o que mais fazer na cidade antes ou depois da visita.


Escadaria e fachada da Igreja de Santa Rita em Serro/MG - Foto: Igor Souza
História da Igreja de Santa Rita
A história da Igreja de Santa Rita começa no início do século XVIII, sem data exata de fundação. Já em 1745 há registros de campanhas entre moradores para arrecadar fundos e custear a ornamentação interna, sinal de que a igreja já reunia a comunidade em torno de sua construção.
No século XIX, a igreja passou por reformas que definiram a fachada chanfrada que se vê hoje, além de boa parte da ornamentação interna. Foi nesse período também que o Alferes Ângelo Martins de Siqueira, pai da lendária Ana D'África, encomendou o altar dedicado a São Sebastião, hoje um dos destaques do interior do templo.
Onde comer perto da Igreja de Santa Rita?
Depois de subir a escadaria e conhecer a Igreja de Santa Rita, vale reservar um tempo para o Café da Praça (@cafedapracadoserro), que fica exatamente em frente à escadaria, na Praça João Pinheiro, 36, no Centro do Serro. A localização é um convite natural para uma pausa: você desce os degraus e já está na porta. A casa funciona de terça a sábado, das 11h às 22h, o que dá margem tanto para um café da tarde quanto para um fim de noite mais tranquilo.
O cardápio passeia bem entre o salgado e o doce. Há pães de queijo recheados, sanduíches, cafés especiais e capuccinos, além de chope, cerveja artesanal e vinhos para quem prefere acompanhar a conversa com algo mais encorpado. Mas os campeões de pedido são mesmo as sobremesas: o sorvete de queijo com calda de doce de leite e o pudim de queijo com goiabada, duas releituras do clássico Romeu e Julieta que traduzem bem o que a região tem de melhor.
A Igreja de Santa Rita é a igreja matriz do Serro?
Não. A igreja matriz oficial da cidade é a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, sede da paróquia desde o século XVIII. A Igreja de Santa Rita é uma capela histórica — mas se tornou o maior símbolo visual do Serro pela posição privilegiada no alto da cidade.
A Escadaria da "Igreja do Escadão"
O acesso à Igreja de Santa Rita é feito por uma longa escadaria de pedra com 57 degraus largos. Nos registros mais antigos ela aparece como "escadinha", mas o apelido que pegou entre moradores e visitantes foi outro: pela imponência, a igreja é popularmente conhecida como igreja do escadão.
Do alto da escadaria, a vista alcança o Pico do Itambé, com 2.044 metros de altitude, e todo o centro histórico do Serro. Foi ali, em meio a uma revoada de andorinhas, que o arquiteto Sílvio de Vasconcelos cunhou a frase que até hoje define a cidade: "Serro, cidade encantada que parou no tempo".
Arquitetura e Interior da Igreja
A Igreja de Santa Rita chama atenção pela fachada em traços poligonais, incomum entre as igrejas coloniais mineiras, com torre única, relógio, cinco janelas e três portas frontais. É um desenho simples, mas de composição rara para o período.
Por dentro, o destaque vai para as talhas douradas do altar-mor e para as paredes pintadas em técnica de marmorizados e motivos florais. Falsas tribunas na nave dão a impressão de um segundo pavimento, recurso decorativo comum em igrejas do período que reforça a sensação de grandiosidade do espaço.
Tombamento e Patrimônio Histórico do Serro
A Igreja de Santa Rita integra o conjunto arquitetônico, urbanístico e paisagístico do Serro, tombado pelo IPHAN em abril de 1938. O Serro foi o primeiro município brasileiro oficialmente comunicado sobre esse tipo de tombamento, à frente de cidades como Ouro Preto e Diamantina.
Não existe tombamento individual específico para o templo, mas sua importância é reconhecida justamente por representar, com a escadaria e a vista da cidade, a paisagem que justificou a proteção de todo o centro histórico. É esse conjunto que faz do Serro um dos destinos coloniais mais preservados de Minas Gerais.




Vista da parte baixa e superior da escadaria da Igreja de Santa Rita em Serro/MG - Foto: Igor Souza
Dúvidas Frequentes
Por que a Igreja de Santa Rita é chamada de igreja do escadão? É o apelido popular dado por causa da longa escadaria de pedra com 57 degraus que leva até o templo, um dos cartões-postais mais conhecidos do Serro.
A Igreja de Santa Rita em Serro é tombada? Sim, ela integra o conjunto arquitetônico, urbanístico e paisagístico do Serro, tombado pelo IPHAN em abril de 1938, um dos primeiros tombamentos desse tipo no Brasil.
Onde fica a Igreja de Santa Rita em Serro? Fica no alto do centro histórico do Serro (MG), a cerca de 330 km de Belo Horizonte, entre 4h e 4h30 de carro pela BR-040 até Curvelo e depois por rodovias estaduais.
Qual a vista do alto da escadaria da Igreja de Santa Rita? Avista-se o Pico do Itambé, com 2.044 metros de altitude, além de todo o centro histórico do Serro — um dos panoramas coloniais mais bonitos de Minas Gerais.
A Igreja de Santa Rita resume, em uma só imagem, a força histórica e paisagística do Serro. Subir sua escadaria é entender por que a cidade se tornou referência de preservação colonial em Minas Gerais.
Se a viagem está nos planos, reserve um tempo para caminhar até o alto da igreja do escadão, apreciar a vista do Pico do Itambé e completar o passeio pelo centro histórico e pelas queijarias da região.


Igor Souza
Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.


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