Ibituruna foi o primeiro povoado fundado em Minas Gerais, em 1674, pelo bandeirante Fernão Dias Paes Leme
Um bandeirante fincou uma pedra no chão em 1674 e, sem saber, deu origem à primeira cidade de todo o estado de Minas Gerais, no meio do interior
Escrito por:
Leonardo Coelho
Publicado em:
11/09/2026
Antes de qualquer outra cidade existir dentro dos limites de Minas Gerais, um bandeirante paulista já havia cravado uma pedra no chão para marcar o início de tudo. Foi em 1674 que Fernão Dias Paes Leme fundou, às margens do Rio Grande, o povoado que hoje atende pelo nome de Ibituruna. Conhecida como Berço da Pátria Mineira, essa cidade do interior de Minas ainda guarda vestígios físicos daquele momento fundador, cercada de belezas que reforçam seu valor histórico.
Fernão Dias fundou o primeiro povoado de Minas Gerais em 1674
Fernão Dias Paes Leme era um bandeirante paulista já conhecido por suas expedições ao interior do território colonial. Em 1674, ao transpor o Rio Grande, ele decidiu estabelecer um arraial naquele exato ponto, dando início ao que se tornaria o primeiro povoado fundado dentro dos limites de Minas Gerais. Esse gesto simples, de fincar um marco no chão, acabou entrando para a história do estado.
Diferente de outras localidades fundadas pela mesma bandeira, Ibituruna é a única que conserva o nome original até os dias de hoje. O município foi emancipado apenas em 1962, mas sua origem remonta quase três séculos antes dessa data. Ainda hoje, a cidade celebra essa história com a Cavalgada dos Bandeirantes, evento anual realizado em julho.


Igreja em Ibituruna, MG, vista a partir da praça arborizada com palmeiras e bancos azuis - Foto: Igor Souza
Por que a expedição de Fernão Dias passou por ali?
A expedição liderada por Fernão Dias não tinha como objetivo fundar cidades, mas sim encontrar riquezas minerais no interior do território. Ele buscava a lendária Serra de Sabarabuçu, que se acreditava ser formada inteiramente por esmeraldas, além de uma suposta lagoa cheia de pedras preciosas. Foi durante essa busca que o grupo atravessou o Rio Grande e acabou estabelecendo o arraial.
A comitiva reunia dezenas de homens brancos e mamelucos, além de centenas de indígenas que acompanhavam a bandeira. Apesar de nunca ter encontrado a serra de esmeraldas que buscava, Fernão Dias deixou um legado concreto naquele ponto específico do trajeto. Dois elementos resumem bem o motivo dessa passagem pela região:
A travessia do Rio Grande, ponto estratégico do trajeto;
A busca pela lendária Serra de Sabarabuçu, cheia de esmeraldas.
O que restou da fundação além do nome da cidade?
O gesto de Fernão Dias deixou uma marca literal no território: uma pedra fincada no local para demarcar a sesmaria, hoje conhecida como Marco da Sesmaria. Esse monumento simples resistiu ao tempo e ainda é visitado por quem passa pela cidade em busca de história. Alguns elementos ajudam a entender por que esse marco segue tão relevante:
O Marco da Sesmaria, pedra fincada por Fernão Dias em 1674;
A Igreja Nossa Senhora do Rosário, erguida por mãos escravizadas;
O nome original, mantido sem alterações desde a fundação.
A Igreja Nossa Senhora do Rosário reforça essa ligação com o passado colonial, construída há mais de 250 anos com terra socada e adobe. Suas paredes ultrapassam um metro de espessura, característica comum em construções daquele período. Juntos, esses elementos formam um conjunto histórico raro dentro do interior de Minas.


Capela em Ibituruna, MG, com fachada branca e azul e grande cruz azul em frente - Foto: Igor Souza
O nome Ibituruna carrega um significado indígena até hoje
O nome Ibituruna tem origem tupi-guarani, formado pela junção dos termos que significam serra e negro. Segundo o historiador Diogo de Vasconcelos, a tradução mais aceita é Serra Negra, embora o naturalista Martius tenha defendido a interpretação Nuvem Negra. De qualquer forma, o nome remete diretamente às formações rochosas escuras encontradas na região.
Curiosamente, o mesmo nome também batiza um dos pontos mais conhecidos de Minas Gerais, ainda que se trate de um lugar completamente diferente. O Pico da Ibituruna, em Governador Valadares, carrega essa coincidência linguística, sem nenhuma relação histórica direta com o povoado fundado por Fernão Dias. Alguns pontos ajudam a separar essas duas referências que compartilham apenas o nome:
O povoado histórico, fundado por Fernão Dias em 1674;
O município atual de Ibituruna, na Região Oeste de Minas;
O Pico da Ibituruna, em Governador Valadares;
A origem tupi-guarani comum aos dois nomes;
A ausência de ligação histórica direta entre os dois lugares.
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Quais belezas naturais cercam esse pedaço da Estrada Real?
Ibituruna integra o trecho conhecido como Caminho Velho da Estrada Real, rota que reúne cidades ligadas à história da mineração em Minas Gerais. A cidade é cercada por mata nativa, cachoeiras e picos, num cenário que contrasta com a simplicidade do centro histórico. Alguns pontos ajudam a entender essa combinação entre história e natureza:
O Parque da Serra Negra, área particular de preservação;
A represa formada pela hidrelétrica do Funil, com 35 quilômetros de extensão;
Cachoeiras como a da Serra e a de São Miguel;
Trilhas usadas para caminhadas dentro da zona rural.
A represa do Funil, por exemplo, é usada para a prática de esportes náuticos, atraindo visitantes que buscam lazer ao ar livre. Já as cachoeiras funcionam mais como pontos de contemplação, já que parte delas fica em propriedades particulares. Essa mistura entre riquezas históricas e naturais reforça o papel de Ibituruna dentro do interior de Minas Gerais.


Praça arborizada em frente à Igreja Matriz de Ibituruna, MG, com palmeiras, jardins e bancos azuis - Foto: Igor Souza
Leonardo Coelho
Leonardo Coelho é um viajante e entusiasta de experiências culturais que revelam a alma do mundo, mantendo sempre vivo o orgulho de suas raízes mineiras. Busca enxergar a física e a química nas nuances da natureza, transformando o movimento da vida em descobertas. Apaixonado pela estrada, encontra seu propósito ao transmitir cada detalhe, sabor e fenômeno que presencia, conectando pessoas através da arte de explorar e sentir o real.


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