Ibituruna: Esta cidade de Minas é mais antiga que Ouro Preto, e quase ninguém sabe
Muito antes das cidades do ouro, um município já existia e ainda preserva igrejas, um marco de sesmaria e parte importante da origem mineira
Escrito por:
Igor Souza
Publicado em:
19/08/2026
Ibituruna raramente aparece entre os destinos históricos mais lembrados de Minas Gerais. Mesmo assim, a origem do povoado é anterior à de Ouro Preto e está ligada aos primeiros movimentos de ocupação do território mineiro. O município conserva referências de uma fase anterior ao crescimento dos grandes centros mineradores.
Ibituruna é realmente mais antiga que Ouro Preto?
O IBGE registra que Ibituruna surgiu como povoado em 1674, durante a passagem da expedição de Fernão Dias Paes Leme pelo Rio Grande. Ouro Preto considera 1698 como seu marco de fundação. A comparação pode ser resumida nestas datas:
1674: formação do antigo arraial de Ibituruna;
1698: fundação do núcleo que originou Ouro Preto;
1962: emancipação política de Ibituruna.
Isso coloca as origens do povoado 24 anos antes das de Ouro Preto. A emancipação municipal ocorreu muito depois, mas não apaga a ocupação registrada no século XVII. Essa diferença evita a confusão entre a fundação histórica e a criação administrativa do município.
Por que ela é chamada de primeiro arraial de Minas?
Conhecida como “Berço da Pátria Mineira”, Ibituruna é apontada pelo IBGE como o primeiro povoado fundado no atual território de Minas Gerais. A narrativa está ligada à bandeira de Fernão Dias, que estabeleceu o arraial após atravessar o Rio Grande.
O título não significa que o lugar tenha se tornado o principal centro da capitania. Outros núcleos cresceram com a mineração, enquanto Ibituruna manteve uma trajetória diferente. Sua importância está ligada a três aspectos:
antecedeu os arraiais mineradores mais conhecidos;
preservou a memória da passagem de Fernão Dias;
manteve referências materiais do começo da ocupação.
O Marco de Sesmaria ainda existe?
O Marco de Sesmaria é uma das principais referências históricas de Ibituruna. Segundo o IBGE e o Instituto Estrada Real, a pedra foi deixada por Fernão Dias e ficou associada à posse e à delimitação das terras onde o povoado começou.
Seu valor não depende de uma aparência grandiosa. O marco explica como as sesmarias participaram da ocupação colonial e como essa memória chegou ao presente. Durante a visita, vale relacionar:
a pedra com a fundação do arraial;
a distribuição colonial das terras;
a permanência do símbolo na identidade local;
a formação do município ao redor dessa memória.
A Igreja do Rosário preserva técnicas antigas
A Igreja de Nossa Senhora do Rosário também ajuda a compreender o passado local. O Instituto Estrada Real informa que a construção tem mais de 250 anos e foi feita com terra socada e adobe, materiais usados em edificações coloniais.
As paredes possuem mais de um metro de espessura, detalhe que mostra a técnica empregada. O templo funciona como documento da organização religiosa e social do antigo povoado, além de lembrar o trabalho envolvido na formação desse patrimônio.


Capela histórica em Milho Verde, Minas Gerais, com portas azuis e céu claro - Foto: Igor Souza


Igreja de Nossa Senhora do Rosário com fachada branca e detalhes azuis em Ibituruna, MG - Foto: Igor Souza
O que merece atenção no centro da cidade?
A Igreja Matriz de São Gonçalo do Amarante integra a lista de bens protegidos de Ibituruna. O portal oficial de turismo de Minas Gerais informa que a matriz foi criada por provisão em 1769, quando o povoado já acumulava quase um século de história.
O centro reúne vários pontos em um percurso curto, sem separar cada construção do contexto em que surgiu. Entre as principais referências estão:
Igreja Matriz de São Gonçalo do Amarante;
Igreja de Nossa Senhora do Rosário;
Marco de Sesmaria;
bens protegidos no núcleo urbano;
homenagens ligadas à fundação do arraial.
Como a Serra Negra se relaciona com Ibituruna?
O significado mais conhecido de Ibituruna é “Serra Negra”, interpretação citada pelo IBGE a partir de Diogo de Vasconcelos. Outra tradução registrada é “Nuvem Negra”. As duas versões aproximam o nome indígena da paisagem.
A Serra Negra aparece entre as referências naturais do município, mas parte da área é propriedade particular de preservação permanente. O acesso deve respeitar as orientações locais. Sua relação com a cidade pode ser entendida por três pontos:
presença na origem do nome;
ligação com a paisagem regional;
importância para a leitura dos antigos caminhos.
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Uma cidade pequena guarda parte da origem mineira
Ibituruna não possui o mesmo conjunto arquitetônico de Ouro Preto nem viveu o crescimento provocado pela exploração do ouro. Comparar as duas cidades não significa atribuir a elas o mesmo papel, mas reconhecer que a ocupação registrada do território começou antes da formação de Vila Rica.
Essa diferença torna a visita relevante para quem deseja ampliar o olhar sobre a história de Minas Gerais. Igrejas, marcos territoriais e memórias locais mostram que capítulos importantes permaneceram fora dos roteiros mais conhecidos, preservados em uma cidade que ainda carrega sinais de seu antigo arraial.
Igor Souza
Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.


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