Ibituruna é conhecida como o "berço" de Minas e teria sido o primeiro povoado do estado
Uma pedra fincada há mais de 300 anos marca, segundo a história oficial, o nascimento do primeiro povoado de um dos maiores estados do país
Escrito por:
Igor Souza
Publicado em:
30/07/2026
No oeste de Minas Gerais, a cerca de 222 quilômetros de Belo Horizonte, existe uma cidade pequena que carrega um título e tanto: o de primeiro povoado fundado no território mineiro. A história remonta a 1674, quando o bandeirante Fernão Dias Paes Leme atravessou o Rio Grande e deixou ali as bases do que viria a se tornar Ibituruna. O apelido de "berço da pátria mineira" não é força de expressão, e a cidade guarda até hoje as provas dessa origem.
Por que Ibituruna é chamada de berço da pátria mineira?
O título vem diretamente da fundação do arraial por Fernão Dias, em expedição que buscava riquezas no interior da capitania ainda no século XVII. Ao cruzar o Rio Grande, o bandeirante teria se instalado no local que hoje corresponde ao centro da cidade, dando origem ao primeiro núcleo populacional de Minas Gerais.
Alguns elementos sustentam esse título até os dias de hoje:
Fundação registrada em 1674;
Expedição liderada por Fernão Dias Paes Leme;
Travessia do Rio Grande como marco da chegada ao local;
Reconhecimento como primeiro povoado do estado.
Um marco de pedra até hoje comprova a fundação do povoado
A prova física dessa história é o Marco de Sesmaria, uma pedra fincada pelo próprio Fernão Dias para demarcar a área na época da fundação. O monumento resistiu ao tempo e permanece no mesmo local, funcionando como registro concreto de um episódio que, de outra forma, dependeria só de relatos escritos.
Hoje, o marco é um dos pontos mais visitados por quem passa pela cidade em busca dessa parte da história de Minas Gerais. Ver de perto uma pedra fincada há mais de trezentos anos, ainda no lugar original, é o tipo de experiência que poucas cidades do estado conseguem oferecer.
De onde vem o nome Ibituruna?
A palavra tem origem no tupi-guarani e está ligada às características da paisagem que cerca a cidade, marcada por serras e formações rochosas escuras. O nome, porém, não tem uma tradução única entre os pesquisadores que já se debruçaram sobre o tema.
Duas interpretações aparecem com mais frequência nos registros históricos:
Serra Negra, segundo o historiador Diogo de Vasconcelos;
Nuvem Negra, na leitura do naturalista Martius.


Praça arborizada com bancos azuis, jardins e casarões históricos no centro de Ibituruna, Minas Gerais - Foto: Igor Souza


Igreja Matriz de São Gonçalo do Amarante vista entre palmeiras na praça central de Ibituruna - Foto: Igor Souza
Como o povoado colonial se tornou o município que existe hoje?
Depois de séculos como arraial e distrito vinculado a outros municípios da região, Ibituruna se emancipou em 1962, passando à condição de cidade independente. A trajetória administrativa acompanha a de tantos outros povoados mineiros nascidos ao redor da mineração e que, mais tarde, seguiram outros caminhos econômicos.
Hoje o município integra o Caminho Velho da Estrada Real e mantém uma rotina tranquila, distante da agitação das cidades maiores da região. A população pequena e a proximidade com áreas de mata preservada reforçam esse ritmo mais lento de vida.
As igrejas da cidade guardam técnicas de construção que atravessaram séculos
A Igreja Nossa Senhora do Rosário é um dos maiores símbolos arquitetônicos de Ibituruna, erguida há mais de 250 anos por mãos escravizadas. A construção usa terra socada e adobe, mistura de barro e palha, com paredes que ultrapassam um metro de espessura, técnica comum em templos coloniais do interior de Minas.
A cidade também abriga a Igreja Matriz de São Gonçalo do Amarante, outro ponto de referência religiosa e arquitetônica do centro histórico. Juntas, essas construções ajudam a entender como Ibituruna preservou parte importante do patrimônio erguido nos primeiros séculos de ocupação da região:
Igreja Nossa Senhora do Rosário, com mais de 250 anos de história;
Técnica de terra socada e adobe nas paredes originais;
Igreja Matriz de São Gonçalo do Amarante, no centro da cidade.
+ Leia também: O cenário que você precisa visitar pelo menos uma vez na vida
O que mais ver em Ibituruna além da história?
A cidade fica cercada por mata nativa, o que garante cachoeiras, picos e trilhas para quem quer conhecer a paisagem natural da região. O Parque da Serra Negra, propriedade particular de preservação permanente, reúne parte dessa vegetação preservada e reforça o clima tranquilo do lugar.
Para quem pretende passar mais de um dia na cidade, vale organizar a visita considerando alguns pontos:
Cachoeiras e picos na área de mata nativa;
Parque da Serra Negra, para contato com a vegetação preservada;
Marco de Sesmaria e as igrejas históricas do centro;
Pensão Teixeira, opção de hospedagem na cidade.
Igor Souza
Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.


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