Há quase 400 anos, luzes sem explicação aparecem à noite na serra que deu nome a Luminárias, e ninguém sabe a origem

Indígenas já falavam de pontos brilhantes no alto da serra, moradores dizem ainda vê-los e ufólogos fizeram vigílias

Escrito por:
Igor Souza

Publicado em:
27/10/2026

Muito antes de existir cidade, os indígenas que viviam no sul de Minas já falavam de luzes estranhas no alto de uma serra. Os desbravadores que chegaram depois passaram a chamá-la de Serra das Luminárias, e o nome acabou herdado por Luminárias, onde até hoje há moradores que dizem ver pontos brilhantes nos morros à noite.

O que as pessoas dizem ver na Serra das Luminárias?

Os relatos mais antigos são dos séculos 16 e 17, quando os povos que ocupavam a região tratavam as luzes como algo sobrenatural. Com o tempo, as descrições passaram de geração em geração e hoje costumam seguir um padrão parecido:

  • pontos de luz no alto da serra, visíveis durante a noite;

  • bolas de fogo que surgem e somem nos topos dos morros;

  • luzes que, segundo quem observa, mudam de posição.

Nenhuma dessas observações teve a origem confirmada até hoje. Há quem fale em fenômeno religioso, quem aposte em objetos voadores e quem prefira explicações bem mais simples, ligadas à própria paisagem da serra.

Como as luzes viraram o nome da cidade?

No século 17, várias fazendas da região já carregavam a palavra no nome, como a do Ribeirão das Luminárias, a da Serra das Luminárias e a das Luminárias. Mapas antigos também mostram o povoado ao lado da serra e do ribeirão com o mesmo nome.

No século 18, a fazendeira Maria José do Espírito Santo doou terras para a construção de uma capela dedicada a Nossa Senhora do Carmo, que deu origem ao povoado. O distrito se chamou Nossa Senhora do Carmo das Luminárias até 1923, quando passou a se chamar apenas Luminárias, e virou município em 1948.

Nem todo mundo acredita que as luzes sejam um mistério

As versões sobre o nome dividem a cidade há gerações, e numa delas o nome quase deixou de existir. Em meados do século 20, houve uma tentativa de tirar a palavra Luminárias do nome da cidade, e uma comissão de moradores foi até Lavras e conseguiu barrar a mudança. O motivo da tentativa nunca ficou claro.

Além dos pontos luminosos na serra, outras explicações circulam entre historiadores e moradores e ajudam a entender por que o tema continua aberto:

  • águas que desciam da serra depois da chuva e brilhavam ao sol, versão defendida pelo Monsenhor Waldir;

  • pedras preciosas que reluziriam nas montanhas;

  • lanternas de papel usadas nas festas religiosas promovidas por Maria José do Espírito Santo;

  • a procissão das luminárias, feita em honra a Nossa Senhora do Carmo.

Paisagem montanhosa de Luminárias, MG, com campos naturais, vegetação verde e céu com nuvens - Foto: Igor Souza

Letreiro turístico de Luminárias, MG, com torre da igreja e praça arborizada ao fundo
Letreiro turístico de Luminárias, MG, com torre da igreja e praça arborizada ao fundo

Letreiro turístico de Luminárias, MG, com torre da igreja e praça arborizada ao fundo - Foto: Igor Souza

Quem continua procurando as luzes hoje?

O assunto passou a atrair pesquisadores de ufologia, que nos últimos anos começaram a visitar a cidade com câmeras e equipamentos. Dois episódios marcaram essa busca mais recente:

  • no início de 2021, um grupo de pesquisa de campo fez vigílias na serra, ouviu moradores e filmou as luzes;

  • em agosto de 2022, a cidade recebeu seu primeiro congresso de ufologia, com exibição de fotos e vídeos.

O grupo afirmou ter descartado balões, satélites, drones e aviões, mas essa conclusão não tem confirmação científica. Para quem visita, vale subir a serra sabendo que a noite pode passar sem nenhum sinal, o que não diminui a vista de cima dos morros.

Quais cachoeiras dá para conhecer em Luminárias?

Durante o dia, o passeio gira em torno das cachoeiras, quase todas acessadas por estrada de terra a poucos quilômetros do centro. Algumas ficam em propriedades particulares e cobram uma taxa pequena, enquanto outras têm acesso livre.

Depois de chuva forte, vale confirmar se as estradas estão boas. Ter carro próprio facilita bastante, já que a cidade tem poucas opções de transporte. Entre as mais procuradas estão:

  • Cachoeira da Serra Grande, um conjunto de três quedas a cerca de 8 km, na direção de Carrancas;

  • Cachoeira do Funil, também chamada de Pedra Furada, onde a água atravessa um buraco na rocha;

  • Complexo do Mandembe, que inclui a Cachoeira do Lobo, de acesso mais difícil;

  • Cachoeira da Esmeralda, a cerca de 14 km, também no caminho para Carrancas;

  • Cachoeira do Paredão, perto do centro e a mais movimentada.

+ Leia também: O cenário que você precisa visitar pelo menos uma vez na vida

A Capela do Carmo guarda a origem do povoado

Conhecida como Igreja Velha, a Capela do Carmo foi erguida no terreno da antiga fazenda de Maria José do Espírito Santo e tem registros de batizados desde 1795. Ela ainda recebe celebrações, e a visita pode ser agendada ou feita nos horários de missa.

A cidade fica no Caminho Velho da Estrada Real, a cerca de 288 quilômetros de Belo Horizonte. No fim da tarde, o Cristo no alto da cidade é um bom ponto para ver o sol se pôr sobre as mesmas serras onde tudo começou.

Igor Souza

Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.

Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare
Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare

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