Fundado em 1704, Brumal é o distrito mais antigo de Santa Bárbara, um dia mais velho que a cidade-mãe

Um arraial mineiro de 1704 nasceu um dia antes da própria cidade, guarda um altar considerado o primeiro joanino de Minas e mantém uma festa desde 1937

Escrito por:
Igor Souza

Publicado em:
12/10/2026

No calendário de Santa Bárbara, o aniversário do distrito vem antes do aniversário da cidade. A diferença é de apenas um dia, mas diz muito sobre a origem da região. Brumal nasceu em 1704, na véspera da fundação da sede, e hoje guarda uma igreja do século XVIII, uma festa de cavaleiros realizada desde 1937 e uma tradição de tecelagem mantida por mulheres da comunidade.

Como Brumal ficou um dia mais velho que Santa Bárbara?

A história começa com a bandeira do paulista Antônio Silva Bueno, que explorava as margens dos ribeirões ao pé da Serra do Caraça em busca de ouro. Santa Bárbara foi fundada em 4 de dezembro de 1704, dia da santa que dá nome à cidade. Segundo o registro histórico do município, Brumal surgiu na véspera, pelas mãos da mesma bandeira.

Por isso, até hoje o aniversário do distrito é comemorado um dia antes do aniversário da cidade. O ouro encontrado nas minas da região atraiu moradores rapidamente, e o povoado cresceu junto com a mineração, ganhando casas, comércio e uma igreja própria ainda na primeira metade do século XVIII. Alguns registros ajudam a entender como era esse começo:

  • O nome vem de bruma, a névoa comum nos invernos ao pé da Serra do Caraça;

  • O povoado se chamava Brumado e passou a se chamar Brumal em 1943;

  • Em 1837, o distrito já tinha 1.073 moradores, distribuídos em 173 casas.

A Igreja de Santo Amaro guarda o que é considerado o primeiro altar joanino de Minas

O principal marco histórico de Brumal é a Igreja de Santo Amaro. A licença para a construção foi pedida em 1727 pelo morador Amaro da Silveira Borges, e as obras só terminaram no fim do século XVIII. O altar-mor é considerado o primeiro no estilo joanino feito em Minas Gerais, estilo que marcou a arte religiosa da primeira metade dos anos 1700.

A importância do templo foi reconhecida pelo Iphan, que o tombou como patrimônio nacional, o que garante a proteção do prédio e do seu interior. Para quem visita, vale olhar o conjunto com calma, porque cada fase da obra deixou marcas diferentes no prédio. A linha do tempo da igreja ajuda a entender essa construção demorada:

  • 1727: pedido de licença para erguer a igreja;

  • 1730: obras em pleno andamento;

  • 1747: inauguração, ainda com a construção incompleta;

  • 1948: tombamento pelo Iphan, no Livro de Belas Artes.

Casas coloniais com janelas coloridas e palmeiras em Brumal, Santa Bárbara, MG
Casas coloniais com janelas coloridas e palmeiras em Brumal, Santa Bárbara, MG

Casas coloniais com janelas coloridas e palmeiras em Brumal, Santa Bárbara, MG - Foto: Igor Souza

Peça de tecelagem artesanal com bordado de igreja na Casa das Tecelãs, em Brumal, MG
Peça de tecelagem artesanal com bordado de igreja na Casa das Tecelãs, em Brumal, MG

Peça de tecelagem artesanal com bordado de igreja na Casa das Tecelãs, em Brumal, MG - Foto: Igor Souza

O que é a Cavalhada de Brumal?

A Cavalhada de Brumal começou em 1937, a partir de uma promessa feita pelo morador Jorge da Silva Calunga. Desde então, a festa acontece todo ano em julho, durante as comemorações de Santo Amaro, padroeiro do distrito, e reúne cavaleiros, moradores e visitantes. Os cavaleiros se dividem em dois grupos, que representam os lados da disputa.

A apresentação encena, de forma simbólica, a luta entre mouros e cristãos, tradição de origem medieval trazida pelos portugueses. Em vez de armas, os participantes usam fitas e confetes. Hoje, a cavalhada é reconhecida como patrimônio imaterial de Santa Bárbara e segue como uma das tradições mais fortes do distrito.

+ Leia também: O cenário que você precisa visitar pelo menos uma vez na vida

O que mais vale conhecer em Brumal?

O núcleo histórico é pequeno e dá para percorrer a pé em pouco tempo. Além da igreja, a praça central guarda um chafariz construído em 1898 e restaurado em 2008, e o antigo prédio da escola hoje funciona como centro comunitário. O distrito fica a cerca de 5 quilômetros da sede de Santa Bárbara, por estrada asfaltada.

A região também é conhecida pela produção artesanal, com destaque para os tecidos feitos à mão por um grupo de mulheres da comunidade e para os produtos feitos por pequenos produtores. Como fica a poucos quilômetros do Santuário do Caraça, Brumal pode entrar no mesmo roteiro de viagem. Para aproveitar a visita, a sugestão é incluir:

  • A Igreja de Santo Amaro e o conjunto da praça central;

  • O chafariz de 1898, restaurado em 2008;

  • A Casa das Tecelãs de Brumal, que mantém técnicas antigas de tecelagem;

  • Queijos, doces e produtos feitos com mel vendidos por produtores locais;

  • Uma extensão do passeio até o Santuário do Caraça.

Igor Souza

Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.

Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare
Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare

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