Fundada em 1718 por um bandeirante paulista, Itambé do Mato Dentro guarda mais de 300 anos de história

Um povoado erguido por uma expedição vinda de São Paulo no início do século 18 ainda preserva capelas, cachoeiras e trilhas originais

Escrito por:
Igor Souza

Publicado em:
13/08/2026

Paisagem de montanhas e vales sob céu nublado em Itambé do Mato Dentro, MG
Paisagem de montanhas e vales sob céu nublado em Itambé do Mato Dentro, MG

Paisagem de montanhas e vales sob céu nublado em Itambé do Mato Dentro, MG - Foto: Igor Souza

Uma bandeira paulista chegou à região em 1718 e, em poucos anos, deu origem a um povoado que atravessou mais de três séculos até se tornar o atual Itambé do Mato Dentro. A história de fundação envolve dois nomes que se misturam nos registros históricos, ligados à exploração de ouro que movimentou boa parte do interior de Minas Gerais naquele período. Hoje, o município reúne cachoeiras, trilhas e um patrimônio religioso que remonta diretamente àqueles primeiros anos de ocupação.

Quem fundou Itambé do Mato Dentro em 1718?

Os registros históricos indicam que, em 1718, Francisco Albernas iniciou o processo de fundação do povoado, vindo de São Paulo em uma trajetória que passou por Caeté antes de seguir rumo a Itabira. Ao continuar viagem, ele teria deixado em seu lugar Romão Gramacho, descendente de famílias ligadas à região de Diamantina.

Romão Gramacho chegou ao local em 1720 e passou a exercer influência direta sobre a formação da futura cidade. A tradição local também atribui a ele a fundação do povoado, situando sua chegada entre o final do século XVII e o início do século XVIII, período em que se dedicou à extração de ouro na região. Foi durante essa fase inicial que ele ergueu uma capela dedicada a Nossa Senhora de Oliveira, na Rua das Cavalhadas. Alguns elementos ajudam a resumir essa origem dupla:

  • 1718: início do processo de fundação por Francisco Albernas;

  • 1720: chegada de Romão Gramacho à região;

  • atribuição, pela tradição local, da fundação do povoado a Romão Gramacho;

  • construção de uma capela dedicada a Nossa Senhora de Oliveira na Rua das Cavalhadas.

De onde vem o nome da cidade?

O nome Itambé tem origem indígena, formado pela junção dos termos ITA, que significa pedra, e AIMBÈ, associado a algo pontiagudo ou afiado. A combinação remete diretamente às formações rochosas que caracterizam a paisagem da região, incluindo o pico que também leva esse nome.

Durante boa parte de sua história, o povoado funcionou como um importante centro de mineração, atraindo trabalhadores interessados na extração de ouro que sustentava a economia colonial da região. Esse passado mineiro ficou registrado tanto no nome quanto nas construções que resistem até os dias atuais.

O patrimônio religioso remonta à fundação do povoado

A capela erguida por Romão Gramacho no início do século XVIII deu origem à atual Igreja Matriz Nossa Senhora das Oliveiras, principal referência religiosa do município. A construção acompanhou o crescimento do povoado ao longo dos séculos seguintes, mantendo sua importância simbólica para a comunidade local.

Além da matriz, Itambé do Mato Dentro preserva outras construções religiosas, como as capelas de Santana e de Nossa Senhora Aparecida, além de templos menores distribuídos pelas comunidades rurais do município. Esse conjunto reforça a ligação direta entre a fé e a formação histórica da cidade.

Quais são as principais cachoeiras da região?

O relevo acidentado que cerca Itambé do Mato Dentro favoreceu a formação de diversas quedas d'água, hoje um dos principais atrativos turísticos do município. Cada cachoeira apresenta características próprias, desde a altura da queda até o tipo de poço formado na base.

Entre as opções mais procuradas está a Cachoeira da Vitória, com queda de quase setenta metros ladeada por paredões rochosos. Outras opções também chamam atenção de quem visita a região, seja pela altura da queda ou pelas formações naturais ao redor. Os principais destinos incluem:

  • a Cachoeira da Vitória, com cerca de setenta metros de queda;

  • a Cachoeira da Baixada das Crioulas, com queda de trinta metros e uma gruta de 200 metros de extensão;

  • a Cachoeira da Serenata, com poço formado por cascalho e areia;

  • a Curva do Rio Cantagalo, com praia fluvial usada para canoagem e natação.

+ Leia também: O cenário que você precisa visitar pelo menos uma vez na vida

O que mais atrai viajantes para Itambé do Mato Dentro hoje?

Além das cachoeiras, o município se consolidou como destino de ecoturismo, especialmente entre quem busca trilhas de trekking e contato direto com a natureza. Uma das opções mais procuradas passa pelo cume dos picos do Itambé e do Itacolomi, oferecendo vistas amplas da região.

Com população estimada em 2.168 pessoas para 2025, o município mantém um ritmo tranquilo que contrasta com a riqueza histórica e natural reunida em seu território. Alguns elementos resumem esse perfil atual:

  • a trilha que passa pelos picos do Itambé e do Itacolomi;

  • a vocação ecoturística consolidada nas últimas décadas;

  • população estimada em 2.168 pessoas para 2025;

  • o ritmo tranquilo típico de pequenos municípios do interior mineiro.

Igor Souza

Igor Souza é fotógrafo, engenheiro civil e criador de conteúdo especializado em turismo, com olhar atento para os encantos de Minas Gerais. Une técnica e sensibilidade para retratar paisagens, construções históricas e experiências autênticas pelo interior mineiro. Além da atuação na engenharia, é apaixonado por contar histórias através de imagens e palavras, valorizando a cultura, a fé e a simplicidade de cada lugar.

Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare
Foto do autor da matéria Igor Souza, sorrindo, com os braços cruzados, blusa polo azul escuro e pare

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